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09/03/2006
MARCELO BERABA
Folha e "Estado" dão manchetes para o acordo na Câmara para salvar os deputados envolvidos com as denúncias de terem se beneficiado de recursos ilegais:
Folha - "Câmara absolve mais 2 do 'mensalão'".
"Estado" - "Acordo salva mandato de Brant e Luizinho".
O "Globo" jogou o resultado da votação para a parte de baixo de sua capa: "Câmara livra pefelista e petista de cassação".
A manchete do jornal do Rio foi, pelo quarto dia consecutivo, a ação de ocupação militar da cidade: "Exército já cerca todo o Rio".
O assunto é destaque na capa da Folha e dos jornais cariocas:
Folha - "Exército amplia ocupação e faz bloqueios nas saídas do Rio".
"JB" - "Toque de recolher - Ataque por terra, céu e mar".
"O Dia" - "Exército trava batalha na Providência".
"Extra" - "Armas do Exército iam ser usadas na guerra da Rocinha".
O "Estado" é uma exceção. O assunto não tem tido destaque na capa do jornal e hoje há uma pequena chamada na edição que chegou ao Rio - "Exército fecha estradas do Rio em busca de armas" -, reduzida para um título simples na edição final - "Violência - Exército fecha estradas do Rio".
Manchete ontem da Folha, a decisão do governo brasileiro de adotar o padrão japonês de TV digital teve ampla repercussão, mas sumiu hoje da Primeira Página do jornal de hoje.
Mesmo que o objetivo da Folha tenha sido o de mostrar o escárnio com que as tropas do Exército estão sendo recebidas nas favelas cariocas, a foto escolhida para ilustrar a Primeira Página não precisava ser tão grosseira.
Eleição
O "Estado" dá destaque na sua Primeira Página para uma "pesquisa telefônica informal", "encomendada por amigos do prefeito" e sem registro no TRE: "Pesquisa indica Serra na frente de Marta em SP". Mesmo sem rigor (o texto não informa o universo pesquisado, margem de erro ou qualquer outro dado indispensável de uma pesquisa) e valor eleitoral (a pesquisa telefônica capta apenas uma parcela do eleitorado e seu resultado não pode ser generalizado) , a "pesquisa" se encaixa bem com a preocupação do jornal expressa ontem no editorial "E como ficará São Paulo?".
A mesma "pesquisa" sem registro no TRE também foi usada pela Folha. A nota "Plano A", do "Painel" (A4), não informa se Serra e Lula estão empatados tecnicamente em São Paulo ou nacionalmente. A nota seguinte, "Plano B", informa que "a mesma pesquisa, feita por telefone", promete o céu na terra ao PSDB em São Paulo. O jornal deveria deixar claro as restrições a este tipo de "pesquisa" feita por telefone sem informações de universo pesquisado, metodologia, margem de erro e sem registro no TRE. A lei obriga a divulgar o número do registro.
Na Edição SP foi acrescentada a nota "Oops!", que também se refere a uma nova pesquisa, mas também sem as informações necessárias para se avaliar o resultado.
Segundo o "Estado", "PT prega intervenção no Banco Central". O jornal informa que teve acesso a documentos que serão discutidos pelo Diretório Nacional nos dias 18 e 19.
Campo minado
A reportagem sobre a invasão do horto florestal da Aracruz, em Barra do Ribeirão (RS) - "Trabalhadoras rurais depredam fábrica no RS", pág. A10 - informa que foram destruídas 5 milhões de mudas. O "Estado" fala em 1 milhão.
A reportagem principal não relaciona o Estado de São Paulo entre os que tiveram manifestações de mulheres sem-terra, ontem, embora outro texto na mesma página informe que houve manifestações majoritariamente femininas no Pontal do Paranapanema.
Segurança
O artigo "Terra estrangeira", de Demétrio Magnoli (pág A2), toca num aspecto da ocupação do Rio pelos militares que a Folha ainda não aprofundou: "Criminosos roubaram dez fuzis e uma pistola num estabelecimento do Exército no bairro de São Cristóvão, no dia 3. Na manhã seguinte, o governo federal reagiu cancelando a cidadania da população de dez favelas do Rio de Janeiro".
O texto de Eliane Cantanhêde, "Linha de tiro", diz que é bom rezar para que no confronto entre Exército e bandidos "não acabe sobrando bala perdida para civis. Especialmente para mulheres e crianças". Mas, já sobrou. Um garoto de 16 anos foi morto na segunda-feira. A mesma informação - do temor do governo de que possa haver vítimas civis - está na abertura da reportagem "Para governo, ação do Exército é de alto risco" (pág. C3 da Edição Nacional) sem que seja mencionada a morte do menino.
Turismo
Por que o jornal precisa de convite (ou seja, de uma viagem gratuita pautada, no caso, por uma rede de hotel) para indicar como destino turístico a cidade paulista de Araçatuba? O jornal não tem condições de fazer uma reportagem desta, no Estado em que tem sede, por conta própria?
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