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15/04/2004

MARCELO BERABA

A guerra na Rocinha ainda é o principal destaque para os jornais do Rio. Folha e "Estado" voltam aos indicadores econômicos: "BC reduz taxa de juros a 16% ao ano" (FSP) e "Arrecadação sobe 15% e bate recorde" ("Estado"). Folha tem dois grandes investimentos em economia bem contemplados na primeira: os juros e as movimentações na economia dos EUA. Uma observação: "risco de emergente sobe", o complemento do título sobre os EUA, exige muita boa vontade para que seja bem compreendido, como se requer de um título, ainda mais na primeira; como já fizemos títulos ainda mais enigmáticos, é possível que o leitor já esteja acostumado, ou conformado. O "Estado" também destaca a economia na capa: além da arrecadação recorde, a redução dos juros e a Embratel.

Destaques

O "Estado" continua cobrindo extensivamente as invasões no campo. São três páginas bem críticas, sem espaço para o MST. Um dos abres da Ed. Nac. já é com Serra acusando o governo Lula pelas invasões; na Folha, ele só aparece na Ed. SP. "O Globo" também abre o seu noticiário político com o MST.

Energia atômica

Outro diferencial do "Estado" na Ed. Nac. é a cobertura da visita dos técnicos da AIEA a Resende, assunto que dominou o noticiário na semana passada e agora minguou. A Folha traz pequena nota de Brasília apenas na Ed. SP. Salva o assunto o artigo do Paulo Nogueira Batista Jr. (Dinheiro, pág. B2) , réplica ao do Mangabeira Unger. Os dois discutem o que parece ser o mais importante e ainda não esclarecido: a tecnologia brasileira é realmente inovadora e justifica o sigilo industrial? Acho que este ponto deveria sair dos artigos e das especulações para ganhar reportagem consistente.

Mundo

Bem equilibrado o material de Mundo sobre os resultados do encontro de Bush com Sharon. Boas as entrevistas com analistas dos dois lados (A11 e A12). O "Estado" preferiu dar mais destaque para o depoimento do diretor da CIA que admite que os EUA não estão preparados para enfrentar o terror. Bom também, na Folha, o material sobre direitos humanos (Cuba e China, A14).

Polícia Federal

A reportagem sobre a greve da Polícia Federal (Brasil A4) deveria abrir direto com o ministro da Justiça rejeitando a nova proposta dos grevistas, o que deve ter ocorrido já tarde porque não consta da Ed. Nac., e não com a proposta apresentada ao longo do dia. O título está correto e indica a informação principal: "Governo rejeita contraproposta da PF".

Arte incompleta

Difícil de se entender o quadro dos vereadores da pág. A6 de Brasil. Deveria ter os totais de cada coluna para comparação.

Confusão

É uma confusão de nomes a reportagem sobre a família de José Antônio de Souza ("Souza já havia tentado se matar", Brasil pág. A6). Maria das Dores Cláudia de Souza, sua mulher, é tratada como Cláudia no texto e como Maria das Dores na legenda da foto da direita. A foto da esquerda identifica duas mulheres que não estão na reportagem, Cecília e Maria das Dores (Maria das Dores esta que, suponho, não deve ser a mulher de Souza porque é bem diferente da foto ao lado). Enfim, não fica claro quem é quem e porque esta segunda foto está editada. Talvez seja o caso de Erramos.

Morte

A reportagem "CPI decide fazer acareação entre Waldomiro e empresário do jogo" (Brasil A6 da Ed. Nac.) informa que o publicitário Armando Dile, envolvido no caso da Loterj, morreu no Rio em dezembro de 2002 de acidente de carro. A Folha vinha informando até recentemente que ele morreu por problemas de saúde, nunca se falou em acidente de carro. Acho que é o caso de se verificar.

Janio de Freitas

Dois problemas de revisão no último parágrafo da coluna do Janio (A7) na Ed. Nac.: repetição de palavra e uma última frase incompreensível. Na Ed. SP houve correção, mas a última frase continuou prejudicada. É ruim para o jornal porque faz parecer um certo descuido. Talvez seja o caso de repetir o último parágrafo para que a idéia do Janio fique clara.

Títulos

Desnecessário abrir dois títulos, numa página com apenas duas reportagens, com o mesmo "Após" (Brasil A7 nas duas edições). Merecia um pouco mais de esforço.

Cinta-larga

Uma observação sobre as reportagens que vêm saindo sobre a morte de garimpeiros em terras indígenas em Rondônia: a tensão na região, o número de mortes anunciadas e o destaque que o próprio jornal vem dando deveriam ter resultado no envio de um repórter para a área. Como vimos em outras ocasiões, esta cobertura de longe, por telefone, é sempre precária e insuficiente. Por mais fontes que o jornal possa ter, elas estão distantes e completamente envolvidas no drama. O ideal nestas horas é ter alguém na área levantando informações em primeira mão, sem intermediários, e com observação própria.

A guerra no Rio

Bom o material da Folha, principalmente na Ed. SP, que está mais completa com o estudo da FGV sobre a Rocinha. Mesmo na Ed. Nac. as informações mais importantes estão bem dadas, embora com muito menos espaço que os jornais do Rio, o que é natural. É uma pena que na Ed. SP o noticiário tenha sido jogado para o fim do caderno. Acredito que tenha sido para garantir a edição em página livre, mas acho que é assunto mais importante para SP do que o início da preparação de guardas municipais para multar no trânsito. Importante os bastidores do Janio de Freitas (A7) e do Kennedy. Há um jogo político forte por trás da guerra que precisa ser continuamente revelado. Acho que a Folha poderia trazer análises mais abrangentes do que de fato está ocorrendo no Rio. A Folha banca que os comerciantes da Rocinha fecharam suas lojas como sinal de luto pela morte do traficante Lulu. Como está, parece uma homenagem, quando é bem provável que a maioria tenha se antecipado e fechado por medo mesmo.

Misses

Não entrou na Ed. Nac. a reportagem sobre as misses biônicas (Cotidiano, C4 da Ed. SP). Uma pena, porque é o único texto mais leve e com humor em uma edição carregada de políticas públicas, administração e violência.

Davis-2001

Boa a reportagem com o relatório do TCU que aponta irregularidades nas obras para a disputa da Copa Davis em Florianópolis (Esporte pág. D1). Ficaria mais clara se a arte contivesse o resumo das principais irregularidades . Boa também a reportagem sobre o novo time de Saquarema, o Boavista (D3).

Bienal do Livro

Estranho que a arte de serviço sobre a Bienal, que começa hoje, esteja no caderno Fovest, e não na Ilustrada. É frustrante ler uma reportagem que chama para um evento e não encontrar qualquer referência sobre localização, horário, preço, conduções. Ilustrada deveria ter, no mínimo, feito uma remissão para o Fovest. É o tipo de serviço que deveria ter todos os dias no jornal, enquanto durar o evento.

Equilíbrio

A capa parece, graficamente, projeto publicitário. Acho também que depoimentos tão longos e uma chamada apenas com interrogações não facilitam captar o leitor, apesar de ser um assunto de interesse geral. A reportagem é boa quando explicita os tabus na relação paciente/médico e estimula, através de vários depoimentos, a pechinchar. Mas acho que faltaram casos de pessoas que realmente negociam e têm resultado, ou seja, podem voltar depois ao mesmo médico ou clínica sem sofrer discriminação.

     
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