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19/07/2006

MARCELO BERABA

Na Folha, como era de se esperar, a manchete é mais uma pesquisa eleitoral - "Lula mantém vantagem; cresce chance de 2º turno". No "Estado", a guerra no Líbano - "Ataques de Israel já deixam 500 mil refugiados no Líbano". E no "Globo", "Partidos do mensalão têm 2/3 dos 57 sanguessugas" - com fotos dos treze parlamentares fluminenses que estão sendo investigados.

A Primeira Página da Folha não mostra, como fazem o "Estado" e o "Globo" com fotos, a dimensão da destruição de uma parte de Beirute por Israel. O noticiário da Folha enfoca a morte de mais um brasileiro e a retirada de brasileiros - "Ataque mata menino no Líbano" -, mas dá pouca ênfase ao drama do país vitimado. Segundo o "Estado", já são 500 mil refugiados. O texto do escritor Amos Oz deveria ter sido editado junto com o extrato de análise com outro ponto de vista sobre o drama do Líbano.

Guerra no Líbano

O que no "Estado" é o principal destaque do caderno "Internacional" - "Líbano já tem 500 mil refugiados - Situação é catastrófica, diz Unicef; número de fugitivos equivale a quase um sexto da população do país" -, na Folha é apenas a última frase - "Estimativa da ONU indica que 400 mil pessoas deixaram suas casas no Líbano" - de um texto de pé de pagina ("Navios chegam a Beirute, e êxodo de milhares de estrangeiros se intensifica", capa de "Mundo").

Tem mais interesse e relevância a repercussão colhida pelo "Globo" na imprensa britânica a respeito da gafe de Bush com Blair em São Petersburgo - "Ô, Bush, mais respeito com Blair! - Imprensa critica interjeição usada por presidente e subserviência do primeiro-ministro" - do que o enfoque dado pela Folha - "Bush e Blair reagem com humor à gafe" (nota na pág. A13).

Eleições 2006

A única análise da mais recente pesquisa Datafolha - "2006 repete 1998" - está na página de "Opinião", fora do espaço da cobertura jornalística da campanha eleitoral. O jornal tem repórteres, colunistas (inclusive blogueiros) e especialistas (no Datafolha) que poderiam enriquecer a leitura da pesquisa com análises do quadro eleitoral. O que o jornal faz é apenas descrever os números, com um ou outro parágrafo com um comentário ou uma referência que contextualiza o momento da pesquisa, mas sem explorá-la como deveria.

Segundo o "Estado", o PT protocolou ontem no TSE notícia-crime contra o senador Jorge Bornhausen por causa da entrevista que deu para a Folha em que insinua a ligação do PT com o PCC. Não vi a notícia na Folha.

Também não vi a notícia de que a ex-ministra Zélia Cardoso de Melo foi absolvida no último processo que respondia, ainda pelo período Collor.

Guerra urbana

O texto da pesquisa Datafolha sobre o PCC (página C4 da Edição Nacional e C9 da Ed. SP) deveria ter dado mais ênfase do que deu aos números relativos a São Paulo. Era importante ter destacado mais o que pensam os paulistas sobre a responsabilidade dos poderes públicos e sobre os outros pontos levantados pela pesquisa. A pesquisa justificava, inclusive, a comparação, no infográfico, entre o que pensam os brasileiros e o que pensam os paulistas.

Está errado o gráfico que representa a evolução da responsabilidade de Geraldo Alckmin (infográfico "Como os brasileiros avaliam a crise").

     
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