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20/07/2006
MARCELO BERABA
As manchetes dos jornais em geral se dividem hoje entre o veto do presidente Lula ao FGTS para domésticos e a invasão do Líbano por parte de Israel.
A Folha preferiu, no entanto, como ontem, dar manchete para a pesquisa eleitoral Datafolha, mesmo sem novidade: "Serra mantém vitória no 1º turno em SP". O título do "Estado" informa que Serra teve uma pequena queda: "Serra cai, mas ainda venceria no 1º turno, diz Datafolha".
Manchetes:
"Estado" - "Maior ataque de Israel ao Líbano mata 64".
"Globo" - "Lula veta FGTS de doméstico para poupar a classe média".
Na Primeira Página da Edição Nacional da Folha, a invasão do Líbano ficou como "incursões terrestres". No título, o verbo escolhido foi "entrar": "Israel entra no Líbano e ataca o Hizbollah no dia mais violento".
A propósito do meu comentário de ontem de que o texto do escritor Amos Oz deveria ter sido editado junto com o extrato de análise com outro ponto de vista sobre o drama do Líbano, recebi da Secretaria de Redação a observação de que no domingo o jornal havia publicado, também na Primeira Página, um texto com outro ponto de vista e com mais destaque, "Acordo político seria solução", de Ramig Khouri.
Sanguessugas
Não é mais prudente o jornal esperar a abertura de inquéritos para divulgar os nomes de novos deputados que podem estar envolvidos com o esquema de fraudes nas licitações de compra de ambulâncias? Se fosse esse o critério adotado - a abertura de inquérito - o jornal deveria ter esperado um pouco mais para incluir dois novos suspeitos, como faz hoje ("Deputado do PT levou propina, diz acusado", pág. A15).
Eleições 2006
Vai mal a cobertura jornalística quando a principal notícia que se extrai de um dia de campanha de um candidato a presidente da República é um "tenso bate-boca" entre um candidato ao governo do Distrito Federal e um militante de outra candidatura ("Alckmin inaugura comitê com bênção de padre e bate-boca", pág. A7).
A Folha publicou hoje um bom material para tentar explicar o "fenômeno" Heloísa Helena (várias reportagens e infográfico na pág. A8) revelado pela pesquisa Datafolha de ontem. Faltou explorar, no entanto, o fator "Jornal Nacional", apontado pela coluna "Toda Mídia" ("O tratamento recebido", pág. A14).
"Mundo"
O jornal vai bem hoje no noticiário sobre a guerra no Líbano. Acho que faltou, no entanto, os textos analíticos e as entrevistas que vinha publicando e que ajudam a aprofundar o entendimento do que está acontecendo e facilitam a exposição dos vários pontos de vista distintos que estão em choque.
Julgamentos
Tenho dúvida se o jornal deveria dar tanto espaço, como vem fazendo, para a cobertura dos dois julgamentos dos últimos dias - casos von Richthofen e Embu-Guaçu. Embora sejam dois casos "policiais" de grande interesse e visibilidade pelo apelo emocional que suscitam, fico com a impressão de que as coberturas estão sendo feitas em detrimento do acompanhamento da pior crise de São Paulo, a de segurança pública provocada pelos ataques do PCC. A crise e os ataques ainda continuam, mas já sem tanta exposição no jornal.
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