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24/07/2006

MARCELO BERABA

As revistas "Veja" e "Época", principalmente a primeira, trouxeram novas informações sobre o escândalo de corrupção das ambulâncias que envolve deputados e prefeitos. Outro assunto do fim-de-semana foi a continuação da guerra no Líbano. A Folha prosseguiu na discussão sobre cotas, com pesquisa do Datafolha. As manchetes:

Folha - "Maioria é a favor da adoção de cota racial" (dom.) e "Lula culpa sistema pela corrupção" (hoje).

"Estado" - "Israel destrói torres de TV e ocupa áreas do Líbano" (dom.) e "Ataques seguem, mas líderes falam em diálogo" (hoje).

"Globo" - "Criação de universidades vira moeda eleitoral de políticos" (dom.) e "Delegados são suspeitos de manipular 400 inquéritos" (hoje).

Como a Folha noticiou a crise no Oriente Médio: "Israel convoca reservistas para guerra" (sábado), "Tanques e tropas israelenses invadem área xiita no Líbano" (dom.) e "Israel e EUA cogitam intervenção no sul do Líbano com Otan".

E, de novo, um título com verbo "poder", de sentido sempre dúbio. Hoje, usado na Primeira Página para dar destaque a uma mera especulação: "PT pode deixar herança de gangsterismo, diz sociólogo". É uma acusação baseada em hipótese, uma tentativa de prever o futuro. Não deveria vir acompanhada de um "outro lado", de um ponto de vista distinto, de uma outra tentativa de adivinhar o futuro? Mesmo a "Entrevista da 2ª" não dispensa o "outro lado", não que eu saiba.

Eleições 2006/Presidência

A Folha escapou da discussão, sem futuro, sobre se Heloísa Helena é um "fenômeno eleitoral" ou não, e foi ao que interessa: seu programa de governo, que está sendo elaborado - "PSOL quer rever privatizações e aperfeiçoar o Bolsa-Família" (pág. A4 de domingo).

A Folha ouviu apenas duas feministas a respeito da posição de Heloísa Helena contrária à descriminalização do aborto. Uma foi simpática à candidata, mesmo diante da posição contrária; e a outra disse que a senadora não é candidata das feministas. Com apenas duas opiniões, e sem consenso, erra o jornal ao colocar como título generalizante "Feministas reprovam discurso de Heloísa" (pág. A5 de domingo). É até provável que reprovem, mas o material da Folha é pobre e não sustenta o título.

Excesso de Bornhausen, presidente do PFL, no jornal de hoje: artigo na página A3 (o quinto este ano) e "Tiroteio" no "Painel".

Eleições 2006/Crise na Segurança

O jornal publicou no domingo as opiniões dos três principais candidatos ao governo de São Paulo na área de segurança pública ("Serra quer construir presídios; Quércia e Mercadante, não", pág. A12).

Duas observações:

1 - Não é verdade que Quércia e Mercadante tenham dito que não querem construir presídios. O que disseram é que é necessário construir, mas que só isso não acabará com o problema nos presídios. É muito diferente.

2 - A iniciativa (positiva) de publicar as medidas assumidas pelos candidatos na área de segurança pública deveria vir acompanhada de uma avaliação crítica da viabilidade das medidas e um balanço dos erros e acertos das políticas de segurança em São Paulo nos últimos anos. O jornal continua a dever um grande estudo sobre os anos tucanos e os anos peemedebistas na área de segurança pública. É claro que um estudo deste tem de contemplar o papel dos governos que ocuparam o Planalto no período. Isso não foi feito até agora.

Escândalos

Difícil saber qual o escândalo maior entre tantos que ocupam as páginas do jornal. Mas as evidências apontadas pela revista "Veja" em relação à participação da Receita Federal na seqüência de ações que culminaram com a quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo mereciam continuar sendo acompanhadas pela Folha. O jornal registrou o caso ontem, mas não deu continuidade hoje. É o Estado sendo usado por um governo contra um cidadão. É um grande escândalo, se é isso mesmo que a "Veja" relata.

"Veículos"

Além da dificuldade de ler um texto que parece dirigido exclusivamente a iniciados, vi problemas nas reportagens de "Classificados Veículos" deste domingo.

1 - Na capa, o texto do teste Folha-Mauá (não há explicação do que seja, apenas a indicação de um site no pé da reportagem) tem como título "Espaçoso, novo Classe A cobra por equipamento que não oferece". Achei uma acusação forte, que justificava inclusive uma consulta ao Procom ou a algum órgão de defesa do consumidor. Mas o texto não cita a relação dos equipamentos que teriam sido cobrados e não estão no carro, o que é grave. Se o título foi redigido com base na opinião de uma consultora de moda, que acha que, pelo preço, o carro deveria ter bancos de couro, aí o caso é ainda mais grave. O jornal desclassifica o carro sem provas, baseado apenas numa opinião.

2 - Na página 17, a reportagem "Scénic Sportway se torna versão de série - Responsável por 15% das vendas da minivan, visual é aprovado por proprietários ouvidos pela Folha" se baseia em apenas três depoimentos. Chamar isso de "Júri popular", como está no intertítulo, é demais. O jornal aprova o carro sem provas, baseado apenas em três opiniões.

3 - Um exemplo da linguagem cifrada, no texto "Pequenos notáveis" (capa):

"O 130i -que, em 26,87s, percorre 1 km- preserva o desenho da BMW na dianteira. Sua grade é quase vertical e dividida em duas partes. Os faróis de xenônio são duplos, como os "angel eyes" que fazem a felicidade dos "tuneiros".
De "tunado" ele não tem nada. Chega da Alemanha com o pacote "M", a letra que indica a divisão esportiva da BMW. Há soleira nas portas, rodas de liga leve de 17 polegadas, pedais esportivos. Um verdadeiro M1.

"Angel eyes"? "Tuneiros"? "Tunado"? "Verdadeiro M1"? É um caderno para iniciados, para fanáticos por carro

     
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