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28/07/2006
MARCELO BERABA
Opa! "CPI diz agora que só tem provas contra 30 parlamentares"! É a manchete da Folha, sem o ponto de exclamação, que acrescentei por minha conta. Vinha alertando nas Críticas Internas desde a semana passada para a necessidade de cautela no uso das informações ainda sem comprovação, principalmente as vazadas sem fontes identificadas A manchete da Folha tem o mérito de mostrar que o caso não é tão simples como parecia e exige do jornal um acompanhamento mais cuidadoso.
O "Globo" continua a soltar detalhes do esquema: "Máfia das emendas criou até crédito de propinas". O "Correio Braziliense" também teve acesso à íntegra do depoimento de Luiz Antônio Vedoin ("A riqueza de detalhes impressiona", diz o jornal) e também deu manchete: "Quanto e como máfia pagou a deputados". A Folha também traz mais detalhes na Edição SP: "Máfia diz ter pago R$ 4 mi de propina a 71 parlamentares" (título da página A4).
Manchete do "Estado": "Israel desiste de ampliar ofensiva". O próprio jornal levanta dúvidas quanto à decisão de Israel: "Ao mesmo tempo, porém, Exército chama 30 mil reservistas para treinar". Manchete da capa do caderno "Mundo", da Folha: "Israel prepara guerra 'prolongada'".
CPI dos Sanguessugas
A Folha agiu corretamente ao destacar a freada dada ontem pela CPI dos Sanguessugas. A precipitação, característica de quase todas as CPIs, pode colocar a perder as investigações de mais um escândalo. É um aviso para o próprio jornal não ir com tanta sede ao pote. Não significa que o jornal não deva continuar suas apurações próprias, como tem feito, mas que deve desconfiar das informações vazadas sem fonte assumida, uma praga que já causou problemas (para "suspeitos" e para a imprensa) em quase todas as CPIs.
Eleições 2006/Presidência
Ficou desigual a distribuição de espaço hoje, na Edição São Paulo, do noticiário da campanha presidencial. A entrevista de Lula para uma cadeia nacional de rádio virou um pequeno box ("Lula afirma que esperou para pegar 'ninhada'", pág. A10) no meio do noticiário sobre Fundo Partidário e longe das reportagens sobre os outros candidatos ("Itamar invoca a ética para anunciar apoio a Alckmin" e "Após dizer que ficaria 'neutro', Garotinho declara apoio a Heloísa", pág. A9).
Aliás, o noticiário eleitoral de hoje é um mero registro de agenda. O "Estado", pelo menos, se preocupou em analisar o papel de Aécio Neves em Minas ("Aécio faz malabarismo entre tucano e petista"), aproveitando a visita de Alckmin a Belo Horizonte para receber o apoio de Itamar. E analisou a entrevista e discursos de Lula. Não vi na Folha a preocupação de ir além dos fatos da agenda dos candidatos.
Aviso
Participo segunda, terça e quarta-feira de seminário promovido pelo Instituto Prensa y Sociedad em Caracas, na Venezuela. Por esta razão não haverá Crítica Interna na próxima semana.
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