Ombudsman Folha   Folha Online
 
08/08/2006

MARCELO BERABA

Do Líbano para São Paulo:

Folha - "PCC faz 100 ataques em 18 cidades".

"Estado" - "PCC faz 3ª onda de ataques e secretário pede Exército".

"Globo" - "Crime reage em SP com nova onda de atentados".

Eleições 2006

Senti falta de dois pontos na edição das opiniões dos principais candidatos ao governo de São Paulo a respeito do PCC ("Serra, Mercadante e Quércia admitem ajuda do Exército", pág. A4):

1 - Faltou a pergunta que deveria anteceder as feitas: como a situação de insegurança pública pôde chegar a este ponto? O diagnóstico da crise ajudaria o leitor a entender melhor como cada candidato a avalia e, portanto, por que sugerem as propostas que vêm a seguir.

2 - Faltou submeter as respostas dos candidatos a especialistas independentes que pudessem fazer uma análise das propostas apresentadas: algumas já não estão sendo implementadas sem sucesso? As outras teriam realmente eficácia? Algumas não demonstram o desconhecimento dos candidatos sobre o assunto?

O "Globo" foi mais crítico do que a Folha na cobertura da entrevista de Geraldo Alckmin ao "Jornal Nacional". Título do jornal do Rio: "Alckmin erra nos números da educação" (Primeira Página). Título da Folha (pág. A8): "No 'JN', Alckmin defende política de segurança e promete baixar IR". É muito boa vontade da Folha, que tem o compromisso de praticar um jornalismo crítico em relação aos governos, destacar uma promessa vaga de redução de Imposto de Renda em detrimento a outros aspectos mais importantes da entrevista. Outro título do "Globo": "Candidato [Alckmin] se esqueceu de falar sobre os erros".

Reforma política

Ao ler hoje o comentário de Jânio de Freitas ("A armadilha", pág. A5) sobre o uso indevido, por parte do Planalto, da reunião com os ex-presidentes da OAB na quarta-feira _quando a informação vazada para a imprensa foi a de que os representantes da Ordem haviam apresentado a proposta de Assembléia Constituinte exclusiva para a reforma política_, fica evidente que a Folha editou mal, no sábado, a reportagem em que ouviu os advogados que participaram da reunião. O texto "Reforma foi 'tema periférico', dizem advogados" (pág. A11 de sábado) mostrou que os advogados não levaram a proposta de Constituinte ao presidente Lula, como saiu nos jornais, e que praticamente todos eram contra a idéia. Houve, portanto, uma manipulação ("uma montagem dos fatos mal intencionada", segundo Jânio) que o jornal captou, mas não deu o devido destaque, preferindo destacar, mais uma vez, uma declaração efêmera ("Serra diz que proposta de Constituinte é só 'frufru'").

O "Estado" mostrou hoje a fraude com todas as letras e com destaque: "OAB rejeita idéia de Constituinte defendida por Lula - Ordem sustenta que plano partiu do Planalto e Roberto Busato o define como 'factóide político' do presidente".

Operação Dominó

O infográfico "Dois esquemas de fraude", que acompanha a reportagem "Desvios em Rondônia podem ser maiores" (pág. A6), não informa em que períodos foram repassados os R$ 14,9 milhões para os laranjas dos deputados estaduais e os R$ 70 milhões que a Polícia Federal calcula como valor total dos desvios.

Ponto para a reportagem da Folha em Porto Velho por ter escapado do enfoque folclórico que acometeu o "Estado": "Assembléia de Rondônia pagava até pai-de-santo".

Oriente Médio

Está perdida no meio do texto principal da cobertura sobre a guerra no Líbano a informação relevante de que os bombardeios de Israel provocaram ontem mais 55 mortes em Beirute e no sul do país. É uma informação mais importante do que "Israel, 'sem limitações', impõe toque de recolher no Líbano".

Manchete interna do "Estado" e título forte na Primeira Página: "Bombardeio da aviação de Israel mata 55 no Líbano".

Guerra urbana

A Folha continua a dever uma avaliação séria, independente, da política de segurança pública implementada pelo que o editorial de hoje ("Rotina", pág. A2) chama de "consórcio de poder que há 12 anos comanda o Estado mais rico do país".

     
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