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09/08/2006

MARCELO BERABA

A Folha tem duas manchetes, uma para a pesquisa eleitoral - "Alckmin cai e Lula vence no 1º turno" - e outra para o PCC, o principal assunto dos dois maiores concorrentes:

Folha - "PCC concentra novos ataques no interior" (manchete) e "Polícia encontra granada no túnel Nove de Julho".

"Estado" - "Planalto atua para impor o Exército a São Paulo" (manchete), "PCC pagou propina a diretor de presídio" e "Ataques se deslocam para o interior".

"Globo" - "SP mantém indulto a 11 mil presos apesar de atentados".

O "Globo" conseguiu colocar um repórter em Havana.

Eleição 2006/Presidência

Os leitores da Edição Nacional da Folha foram privados da interpretação feita por cientistas políticos para a queda de Alckmin nas pesquisas eleitorais divulgadas ontem ("Para especialistas, discurso de Alckmin explicaria queda", pág. A6 da Ed. SP). Mas, registre-se, já foi um avanço a Edição SP contemplar uma análise da pesquisa eleitoral.

Ficou confusa a edição da página A5 da Edição Nacional com os infográficos da pesquisa do Datafolha ilustrando o texto sobre a pesquisa da CNT/Sensus. Os títulos dos infos deveriam informar logo que eram gráficos do Datafolha. Nem todos procuram ou conseguem ler as letras miúdas que informam a fonte.

Estava errado, ontem, o título "No 'JN', Alckmin defende política de segurança e promete baixar IR" (pág. A8 da Edição SP). Como a própria reportagem informava no seu quarto parágrafo, a promessa de baixar o Imposto de Renda não foi feita durante a entrevista no "JN", mas para a Globonews.

Eleições 2006/São Paulo

Embora o título afirme que "Serra defende mudanças na política de segurança estadual", a abertura da reportagem da página A8 da Edição SP deixa claro que ele defendeu a manutenção da política de segurança dos últimos 12 anos do governo do PSDB. O relato da Folha não aprofunda o teor das "mudanças" prometidas por Serra, o que dificulta saber se são mudanças de fato ou apenas adaptações da atual política que está sendo questionada publicamente. O jornal continua patinando neste tema.

Nenhum outro candidato ao governo de São Paulo fez campanha ontem? O jornal só conseguiu acompanhar José Serra, e assim mesmo para fazer um relato superficial de uma entrevista dada para uma rádio? A Folha ainda não começou a cobrir a disputa pelo governo de São Paulo, Estado onde tem sede e em que vive a maioria de seus leitores.

Oriente Médio

Estão muito confusas as contas de mortes na guerra no Líbano feitas pela Folha na edição de hoje (pág. A13). O título da reportagem principal informa que "mortos vão a 790"; o infográfico ("Balanço de mortos") dá, em um de seus cálculos possíveis, os tais 790, mas admite 1.099; e no texto da reportagem chega a 761 ou a 1.006. É claro que estas contas são sempre difíceis em tempos de guerra porque os vários lados envolvidos não dão informações precisas. Mas o jornal deveria ter a preocupação de ajudar a organizar e a entender.

Guerra urbana

Folha e "Estado" têm informações contraditórias a respeito da estratégia do governo Lula em relação ao envio de tropas do Exército para São Paulo.

Segundo o "Estado" - e esta é inclusive a sua manchete - "Governo atua para impor o Exército a São Paulo". O jornal informa que o governo aumentou a pressão para que o Estado aceite a ajuda e fará um ato simbólico na sexta-feira, ao visitar o quartel-general do Comando Militar do Sudeste. Segundo a apuração do "Estado", o governo federal avalia que a convocação do Exército traria ganhos eleitorais para Lula porque mostraria que o governo estadual (Alckmin) não conseguiu controlar o PCC sozinho.

Já a Folha garante que "Lula não gostaria de enviar as Forças Armadas ao Estado em plena campanha eleitoral". O título da reportagem é "Resistência ao Exército convém a Lula", que informa ainda que "dúvidas sobre a eficácia da utilização das tropas militares no combate ao PCC fazem governo federal temer danos eleitorais".

São, portanto, duas informações completamente divergentes, opostas.
A ver.

A discussão sobre a aplicação do conceito de terrorismo aos ataques do PCC é muito pertinente e merecia melhor tratamento do que o recebido na reportagem "Participação do Exército nas ruas é alvo de críticas" (pág. C5 da Edição Nacional). A discussão sumiu na Edição SP.

A Edição Nacional da reportagem "Participação do Exército nas ruas é alvo de críticas" (pág. C5) trata o antropólogo Luiz Eduardo Soares várias vezes como Eduardo Soares. Ou é Soares ou Luiz Eduardo Soares.

A Folha não deu muita bola, na edição de hoje, para um aspecto da crise que o "Estado" destacou e o "Globo" elegeu como o assunto principal do dia e deu manchete: a liberação de cerca de dez mil (onze mil) presos no Dias dos Pais. Segundo o "Estado", "Justiça deve liberar 10 mil detentos no Dia dos Pais" e "população não quer saída". A manchete do "Globo": "SP mantém indulto a 11 mil presos apesar de atentados".

Na Edição SP da Folha, o assunto é apenas uma pequena nota e, aparentemente, desatualizada: "Promotores tentam restringir saída de presos". Segundo o "Estado", os argumentos dos promotores para impedir a liberação já teriam sido rejeitados pela Justiça. A ver.

Segundo o "Estado", o diretor de presídios recebeu R$ 20 mil para dar privilégios para o chefe do PCC.

     
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