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14/08/2006
MARCELO BERABA
Os jornais ainda conseguiram imprimir, nas suas últimas rodagens, a notícia da libertação, de madrugada, do repórter Guilherme Portanova.
Folha - "Repórter da Globo é libertado após a exibição de vídeo".
"Estado" - "Jornalista da TV Globo é solto pelo PCC".
"Globo" - "Bandidos usam seqüestro para negociar privilégios - Repórter Guilherme Portanova é libertado no início da madrugada".
As manchetes da Folha e do "Estado" de hoje foram sobre o Oriente Médio: "Combates crescem antes de cessar-fogo no Líbano" (Folha) e "Ataques crescem na véspera do cessar-fogo" ("Estado").
Eleições 2006/Estados
A Folha trouxe no domingo uma extensa reportagem sobre a administração do governador Aécio Neves, candidato à reeleição - "Aécio maquiou os gastos com saúde no governo de MG". O material me pareceu bem apurado, com amplo direito para as explicações do governo, e teve o merecido destaque na Primeira Página.
Na edição de hoje, o jornal traz um levantamento parcial do desempenho dos principais candidatos ao governo do Rio no Congresso - "Cabral faltou a 52% das votações no Senado" (pág. A6). Como a reportagem de domingo, são informações relevantes para a formação da opinião do leitor em relação às candidaturas estaduais.
Até aí, ótimo. O que não consigo entender é por que o jornal não teve até agora as mesmas iniciativas em relação ao Estado de São Paulo, maior colégio eleitoral do país e, antes de tudo, sede da Folha e onde o jornal tem a maior parte de sua circulação. Embora se pretenda um jornal nacional, o principal foco da Folha deve ser São Paulo.
A lista de reportagens publicadas sábado, domingo e hoje mostra que a Folha ainda não começou a cobertura da eleição em São Paulo:
Sábado - "Serra e Alckmin desistem de agenda comum em SP" (A14). Domingo - "Eleição em SP, RJ, MG e DF seria definida no 1º turno" (sobre pesquisa do Ibope, pág. A17). Hoje - há uma pequena referência a Serra no meio do relato sobre a campanha de Alckmin ("Seqüestro de jornalista é 'político', afirma Alckmin", pág. A4), e há uma referência a Aloizio Mercadante no meio do texto "'Estrelas' petistas fogem de holofotes" (pág. A6).
Eleições 2006
O jornal começa a superar hoje, com a coluna de Mauro Paulino ("Democracia e vontade de votar", pág. A6), uma deficiência que marcou esta primeira fase da cobertura eleitoral, a falta de análise e reflexão.
Banco do Brasil
Em volume de dinheiro público perdido, a conta cobrada pelo TCU ao Banco do Brasil e a seus diretores pelos prejuízos que assumiram por conta de má gestão de fundos de investimento em 1999 - R$ 430 milhões em valores atualizados - é maior do que, por exemplo, o caso das fraudes no Amazonas estourado pela PF na sexta-feira (R$ 126 milhões). Deve ser bem maior ou quase do tamanho de outros escândalos recentes, como o de Rondônia, o das sanguessugas e do mensalão. No entanto, o caso caiu na rotina e na edição de sábado da Folha é uma reportagem sem destaque ("TCU quer que dirigentes do BB devolvam R$ 430 milhões") e sob um chapéu impróprio - "Investimento" .
PCC
São procedentes as indagações feitas por Clóvis Rossi na coluna de domingo, "O satélite mágico" (pág. A2). É obrigação do jornal questionar as promessas que estão sendo feitas de todos os lados da administração pública em relação ao combate ao PCC em São Paulo.
"Ilustrada"
> Não deve estar certa a informação de que Peter A. Huchthausen, autor indicado na coluna "Vitrine" de sábado, tenha sido adido naval da Iugoslávia, Romênia e União Soviética. É mais provável que tenha sido adido naqueles países. A conferir.
Resposta
A propósito da nota "Ilustrada" publicada na Crítica Interna de sexta-feira, recebi a seguinte resposta da repórter Sylvia Colombo, via Secretaria de Redação.
" 'A retranca "Lillian Ross tem aula de história em almoço com dom João na Flip' foi assinada por três repórteres porque estes estão trabalhando em equipe e não porque são incapazes de fazer, cada um, um texto com mais de três parágrafos, como sugeriu o ombudsman. Além disso, o texto sobre a jornalista norte-americana não foi a única produção do dia dessa mesma equipe. Caso a Ilustrada lhe tenha passado batido, fechamos uma página com entrevistas e apurações quentes nesta mesma edição do jornal. Quanto ao fato de não termos repercutido o ocorrido em Londres com Christopher Hitchens e Tariq Ali, consideramos que as opiniões deles seriam redundantes com o que rotineiramente dizem à imprensa nessas ocasiões. Ainda assim, tampouco fomos procurados pela editoria de Mundo para fazer essa pauta. Algo que, evidentemente, não teríamos nos negado a fazer".
Não sugeri nada, apenas estranhei o fato de serem necessários tantos repórteres para cobrir um almoço. Agora entendi, é trabalho de equipe.
Quanto às opiniões de Hitchens e Tariq, a cobertura da Flip teve de se render, no dias seguintes, à evidência de que aquele era o assunto que iria predominar em Parati por conta do que aconteceu em Londres e por conta da continuação da guerra no Líbano.
A cobertura do "Globo", não sei se pautada pela sua editoria de exterior ou se por iniciativa da equipe de Parati, se antecipou e entrevistou os dois, o que continuo achando ter sido uma boa idéia.
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