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21/08/2006
MARCELO BERABA
Folha e "Estado" deram, no domingo, manchetes para investimentos jornalísticos próprios na economia. Não diria que chegam a ser pessimistas, mas os dois jornais prevêem, às vésperas das eleições, problemas para o futuro: "Endividamento chega ao limite e inibe crescimento" (Folha) e "Atividade cai e PIB não deve passar de 3,5%" ("Estado"). A ver.
O "Globo" foca na campanha eleitoral: "Justiça investiga 43% da bancada federal do Rio".
Na edição de hoje, a Folha volta para a campanha eleitoral: "Em reduto de mensaleiro, Lula esconde ex-líder do PT". O "Estado" se volta para o Oriente Médio: "Líbano diz que punirá quem atacar Israel". E o "Globo", para a cidade: "Rio triplica o número de câmeras no trânsito".
Eleições 2006
A cobertura eleitoral da Folha de hoje voltou a se render à inutilidade da troca de ofensas entre os candidatos: "Lula acusa os tucanos de 'vomitarem' preconceito", "Alckmin chama Lula de arrogante", "Heloísa diz que Lula fez 'favelização agrária'".
O jornal fez bem em tentar ouvir o candidato ao governo de São Paulo José Serra depois que o candidato a presidente Lula acusou-o de "vomitar preconceito" ("Lula acusa os tucanos de 'vomitarem' preconceito", pág. A5). Preocupado em garantir o direito de defesa de Serra, o jornal ainda fez um "Saiba mais" em que explica que "Serra não citou nordestinos em sua entrevista". São iniciativas jornalísticas corretas que ajudam a esclarecer os contextos das trocas de ofensas e garantem amplo direito de defesa aos ofendidos. Ótimo.
Melhor seria que estes princípios fossem aplicados a todos os candidatos. Imaginei, por exemplo, que no relato da campanha de ontem de Alckmin, em que ele diz que Lula é arrogante e virou as costas para a Justiça ("Alckmin chama Lula de arrogante", pág. A6), o jornal informaria que pelo menos tentara ouvir o presidente ou sua campanha para obter uma resposta. Mas não há registro de tal iniciativa. Imaginei também que haveria um "Saiba mais" explicando as circunstâncias em que Lula falou na reeleição e gerou a resposta de Alckmin, de que fora arrogante. Também não encontrei. Imaginei ainda que o jornal tentaria ouvir Lula e Fernando Henrique Cardoso, para que respondessem à acusação da candidata Heloísa Helena de que não fizeram reforma agrária, mas "favelização agrária" ("Heloísa diz que Lua fez 'favelização agrária'", pág. A6). Não há registro de que o jornal tenha tentando ouvi-los.
O jornal continua tratando as candidaturas de formas diferentes.
Se o jornal pretendia comparar os discursos de Lula com os de seus correligionários, deveria ter feito uma pesquisa melhor. A pauta era boa, mas o texto "Fala de petistas contrasta com o discurso de Lula" (pág. A4) parece improvisado.
Correção
Correta a iniciativa do jornal de editar hoje o texto "Aécio não contabilizou despesas com praças como gastos na saúde" (pág. A7). Corrige uma informação publicada domingo retrasado em reportagem sobre a gestão do governador Aécio Neves em Minas. A informação errada já havia sido corrigida na seção "Erramos" de quinta-feira. Em caso de erro de informação, é melhor pecar pelo excesso. Imagino que a iniciativa passará a ser adotada em casos semelhantes.
Um caso que merecia mais do que a correção no "Erramos" é o do resultado da pesquisa Datafolha sobre o aborto. Parte do raciocínio do jornal na Primeira Página do dia 13 partiu do entendimento errado de que 63% dos eleitores brasileiros condenam o aborto, quando este percentual se referia aos que acham que a lei atual - que permite o aborto nos casos de estupro e de risco de vida da mãe - deveria ser mantida. É bem diferente. O jornal reconheceu o erro no "Erramos" de sábado (pág A3), mas acho que deveria ter feito uma reportagem, mesmo que pequena, com a leitura correta dos números.
Imprensa
São gravíssimas as acusações que pesam contra a imprensa de Manaus, segundo a reportagem de hoje "Para ter aposentadoria, vice do AM pressionou deputados" (pág. A7). Não é o caso de se ouvir as entidades de classe?
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