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24/08/2006
MARCELO BERABA
Os três grandes jornais publicam manchetes sobre as eleições, mas com enfoques distintos. A Folha destaca o resultado da pesquisa Datafolha para o governo de São Paulo: "Serra mantém vitória no 1º turno", assim, sem nenhum acréscimo ao que já fora divulgado na véspera. "Estado" e "Globo" dão mais importância à ação moralizadora dos Tribunais Regionais Eleitorais: "Rigor inédito dos TREs aperta cerco a candidatos" ("Estado") e "Rio veta candidaturas de Eurico e 4 sanguessugas" ("Globo").
Eleições 2006/PCC
Nenhum dos jornais que li deu o destaque que a Folha vem dando para o caso do inquérito que estaria apurando o suposto elo entre o PC e o PT. Não sei a razão, mas com certeza não é porque o caso teria sido divulgado com exclusividade pela Folha. As insinuações sobre o tal elo vêm desde maio e o "Terra Magazine" (internet) já havia colocado no site, no dia 9, um outro diálogo, também gravado legalmente, entre criminosos ("Escuta telefônica está por trás de insinuações") sem que tivesse havido interesse dos jornais em dar continuidade. Imagino que a pequena repercussão do caso hoje nos outros jornais se deva a uma justificada cautela.
O "Estado" fez uma pequena menção, em nota de pé de página ("Deic apura ação de preso em ataques"), em que traz uma informação diferente da Folha: só hoje ou amanhã o Deic deve instaurar um inquérito policial para investigar a participação de um dos presos citados ontem pela Folha nos ataques de maio do PCC. A ver. Os jornais das Organizações Globo ("Globo" e "Extra", no Rio, e "Diário de S. Paulo") dão o caso de forma parecida, sem destaque na Primeira Página e com o mesmo enfoque: "Investigação da polícia de SP gera crise política" ("Globo").
Para mim, o caso continua confuso em duas frentes:
- Na frente policial, ainda não está claro se foi de fato instaurado inquérito ou não, quando e com que objetivo. A própria Secretaria de Segurança informou ontem, em nota oficial, que o inquérito não visa investigar o suposto elo entre o PCC e o PT (o que não quer dizer muita coisa, visto que a polícia de São Paulo vem trabalhando sem qualquer preocupação com transparência). E, se foi instalado, por que corre em sigilo?
Toda a justificativa do jornal para a publicação da notícia se prende à instauração do inquérito policial.
- Na frente eleitoral, a Folha ainda não investigou para valer o uso político que pode estar ocorrendo desde maio. Lembro que a imprensa patinou em outros casos semelhantes. Mais recentemente, lembro o caso da lista de Furnas, que envolveu parlamentares do PSDB e sumiu do noticiário sem que tenha ficado comprovado se era falsa (como tudo até agora faz supor) ou verdadeira.
Eleições 2006/Pesquisas
Continua uma pobreza o aproveitamento das pesquisas eleitorais do Datafolha. Não há uma análise e elas não são aproveitadas para um "mergulho" na campanha estadual. Apenas repetem os números, conhecidos desde ontem.
O único texto que se debruçou sobre os números da pesquisa, publicada ontem, que avaliou o governo Lula e tentou entendê-la - "Surpresos, acadêmicos associam pico de aprovação de Lula a Bolsa-Família", pág. A12 da Edição Nacional - caiu na Edição São Paulo.
Eleições 2006/Sugestão
Uma sugestão para o jornal: a leitura do artigo do cientista político Jairo Nicolau no "Globo" de hoje, "A cláusula de barreira em 2006". Nicolau explica que a lei que criou a cláusula de barreira não foi regulamentada, é dúbia e exigiria um pronunciamento antecipado da Justiça Eleitoral. Como está, diz ele, permite a interpretação de que os eleitos por partidos que não alcançaram a barreira dos 5% (e 2% em pelo menos nove Estados) possam tomar posse e exercer plenamente os seus mandatos. Será? Não vi esta discussão colocada desta forma. Tudo que li até agora dava como líquido e certo que haveria nesta eleição o tal enxugamento de partidos por causa da cláusula. É um assunto importante a ser esclarecido.
"New York Times"
O "Estado" traz reportagem que mostra que o jornal dos Estados Unidos vive nova crise de credibilidade, a terceira ou quarta grave nos últimos anos: "'NYT' é alvo de críticas por ter segurado informação".
Não vi na Folha.
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