Ombudsman Folha   Folha Online
 
25/08/2006

MARCELO BERABA

Reviravolta nos céus, reviravolta na economia.

Depois de meses de bonança na economia, os jornais chegam hoje carregados de más notícias para o governo federal e a candidatura Lula.

Folha - "Desemprego é o mais alto em 15 meses" (manchete), "Carga tributária supera 37% do PIB e é recorde".

"Estado" - "Lula fala em cortar impostos; carga tributária bate recorde" (manchete), "Desemprego sobe e renda cai, apura IBGE" e "Superávit do setor público cai 46,2% no mês de julho".

"Globo" montou um contraste entre a campanha eleitoral e os dados da economia: "Promessas para o segundo mandato - Lula: mais investimentos, menos gastos e impostos" e "Os números oficiais do primeiro mandato - Menos investimentos, mais gastos e impostos".

Outros jornais também destacaram as notícias negativas:

"Jornal do Commercio" (PE) - "Renda do brasileiro cai após cinco meses".

"Zero Hora" - "Carga de impostos é a mais alta da história".

"Valor" - "União está perto de revés bilionário sobre a Cofins".

Nos céus:

Folha e "Estado" - "Plutão não é mais planeta". No "Globo": "Plutão é rebaixado e deixa de ser planeta".

Fez bem a Folha em destacar na Primeira Página os casos de Natascha Kampusch ("Garota austríaca foge do cativeiro após 8 anos") e de João Pereira da Silva ("Justiça de São Paulo confunde Joões").

Eleições 2006/Presidência

O "Estado" fez uma cobertura mais completa e consistente do que a Folha do discurso do presidente Lula no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Não foi um discurso qualquer. Diferentemente das bravatas de palanque e das entrevistas para a imprensa que se caracterizam pela troca de xingamentos, este discurso, para o bem ou para o mal, merecia melhor atenção do jornal. A Folha fez apenas um texto - "Lula agora fala em reduzir juros e impostos".

O "Estado" editou o relato do discurso ("Lula pede união nacional por país rico e justo") com outras reportagens de apoio ("Presidente já costura coalizão para eventual 2º mandato", "O candidato promete o que o governante não faz", acompanhado de indicadores sobre carga tributária e déficit do INSS, e "Furlan e empresários cobram pressa"), com uma repercussão com políticos e com a íntegra do discurso.

No final, o material do "Estado" é mais crítico em relação a Lula do que o da Folha, mas o leitor tem a oportunidade de conhecer o que disse o presidente, avaliar o seu discurso e decidir se concorda ou não com as críticas do jornal.

O "Globo" também deu ao discurso do presidente a importância que ele merecia, remeteu o leitor para ler a íntegra na internet (iniciativa que não ocorreu à Folha) e foi mais consistente na crítica, com infográficos, repercussão e uma análise crítica.

Eleições 2006/PCC

O jornal esclarece hoje a origem da gravação que provocou a abertura de inquérito policial para investigar suposto ele entre o PCC e o PT - "Grampos foram feitos pelo Ministério Público" de Presidente Venceslau.

Continuam confusas, por causa dos métodos de trabalho da Secretaria de São Paulo, as informações sobre o tal inquérito. Está claro que a secretaria está fazendo uso político do caso. É curioso que acusações de 2004 ainda não tenham tido as investigações concluídas. O jornal deveria se empenhar mais no questionamento aos procedimentos de investigação da secretaria.

O "Globo" abandonou o caso. O "Estado" continuou a acompanhar, hoje com mais destaque do que ontem, mas ainda com informações diferentes das da Folha sobre o inquérito policial.

Drogas

Ficaram sem destaque e mal editadas na Edição Nacional as reportagens e arte que recuperam a notícia de que o governo sancionou a lei que extingue prisão de usuário de droga (pág. C3). Mereciam o destaque e o cuidado de acabamento que tiveram na Edição SP (pág. C5).

     
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