Ombudsman Folha   Folha Online
 
14/09/2006

MARCELO BERABA

As notícias não são boas na economia e estão nas manchetes e principais chamadas da Folha e do "Estado".

Folha - "Jovens são 45,5% dos desempregados" e "Dívida pública cresce R$25 bi em agosto com juros e emissões".

"Estado" - "FMI prevê que o Brasil continuará crescendo pouco" e "Investidores preocupados".

A Folha não deu destaque na Primeira Página para a nova medida do governo da Bolívia contra a Petrobras e, internamente, deu um título ruim, cifrado - "Bolívia 'rebaixa' Petrobras, e governo cancela reunião" (parece título de "Esporte"). A manchete do "Valor" foi direta: "Bolívia assume refinarias sem pagar Petrobras". O jornal econômico está com um repórter em La Paz.

A meu ver, a notícia do assassinato da perita do INSS em Governador Valadares é mais importante do que a prisão de um brasileiro que foi detido porque aprontou num vôo interno nos Estados Unidos.

Eleições 2006

A Folha ignorou o debate realizado na noite de ontem na TV Gazeta, em São Paulo, entre os candidatos a presidente da República. O "Estado" editou meia página sobre o encontro na sua última edição - "Candidatos propõem fim da reeleição". Lula não compareceu.

> O relato mais completo, como está no "Globo", dos comentários feitos ontem em São Paulo por Heloísa Helena, candidata do PSOL à Presidência, mostra que não está correto o resumo feito pela Folha no texto-legenda que acompanha a foto "To nem aí" (pág. A6 na Edição SP e A14 na Edição Nacional). Segundo a Folha, a senadora "deixa o Instituto Ethos, em São Paulo, após dizer não estar 'nem aí' para programa de governo". O que ela disse, segundo o relato do "Globo", é que tem falado sobre programa de governo todos os dias e não está nem aí para as divergências programáticas entre o PSTU e o PSOL, partidos que apóiam. É bem diferente.

Se o relato do "Globo" está correto, o corte feito pela Folha distorceu a declaração da senadora e o jornal deveria corrigir o erro.

INSS

Está mal avaliada pelo jornal a cobertura do assassinato da médica Maria Cristina Souza Felipe da Silva, perita do INSS, ontem de manhã em Governador Valadares ("Médica do INSS é assassinada em Minas", pág. B7). Se o caso não foi para "Cotidiano" é porque o jornal considera que não é um assassinato comum. Como os crimes de fraudes no INSS continuam acontecendo com freqüência, o jornal deveria ter dado mais atenção para o assassinato.

"Dinheiro"

O "Estado" traz uma cobertura maior, mais forte ("Brasil continua devagar, diz FMI") e com mais destaque (manchete do jornal e capa do caderno "Economia") do que a da Folha da reunião do Fundo Monetário Internacional em Cingapura.

Em compensação, o "Estado" deu mal a pesquisa do Dieese sobre desemprego entre os jovens, manchete da Folha e capa do seu caderno "Dinheiro".

É uma pena que o jornal não tenha associado a pesquisa "15.426 jovens cumprem pena socioeducativa no país" (pág. C3 de "Cotidiano") à manchete sobre a alta taxa de desemprego entre os jovens.

"Cotidiano"

O jornal ignora o vídeo exibido ontem pelo Jornal Nacional que mostra a chegada da advogada Carla Cepollina em casa na noite de sábado.

Títulos de "Esporte"

Hoje tem dois bons exemplos de títulos cifrados: "Muricy inflaciona troféu para obter estabilidade" e "Palavra emperra patrocínios do Pan".

     
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