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19/09/2006

MARCELO BERABA

Os jornais só têm um assunto, o escândalo do dossiê que esquentou a campanha eleitoral.

A manchete da Folha - "Acusado de negociar dossiê, assessor pessoal de Lula cai" - é mais cautelosa do que a do "Estado", que dá como certa o envolvimento de Freud Godoy na compra do dossiê que envolveria os tucanos - "Cai assessor especial de Lula envolvido com dossiê".

Os outros títulos da Folha: "PF fará acareação para esclarecer fonte do dinheiro", "PSDB e PFL pedem ao TSE que casse registro de Lula" e "Fundador do PT em Santa Catarina é citado no caso". Faltou uma chamada para a apuração em Piracicaba, "Suposto 'operador' venceu licitações de gestão do PSDB".

O "Estado" teve a preocupação de colocar a reação do presidente Lula na capa: "Bastos: 'Presidente não crê em culpa'".

No "Globo": "Principal acusado da compra de dossiê é assessor direto de Lula". Outros títulos do jornal do Rio: "Parte do dinheiro apreendido está em notas seriadas", "Oposição quer convocar Freud para depor na CPI", "Freud cuida em SP de imóveis do presidente".

Dossiê

O "Estado", que ontem cravara o nome de Freud Godoy como um dos envolvidos na armação do dossiê, informa hoje que a Polícia Federal suspeita que parte do dinheiro para a compra dos documentos que comprometeriam os tucanos com a máfia das ambulâncias tenha sido adiantado pela "IstoÉ" e a revista receberia de uma estatal, em troca, R$ 13 milhões pela publicação de um caderno especial. A verificar. As informações ainda estão confusas e não há, até este momento, condições de se concluir o que de fato ocorreu. É uma situação que exige cautela na apuração.

O "Globo" publica um documento, a íntegra do depoimento de Gedimar Pereira Passos, figura chave no escândalo, à Polícia Federal.

Embora o escândalo maior neste momento seja o envolvimento de petistas na compra do dossiê que comprometeria José Serra, Barjas Negri e Geraldo Alckmin, a Folha, corretamente, passou a investigar também as acusações dos Vedoin contra os tucanos. Teria feito melhor se uma das chamadas da Primeira Página de hoje remetesse para a reportagem da página A11, "Suposto 'operador' venceu licitações de gestão do PSDB".

Diferentemente de outras coberturas recentes de escândalos, hoje o jornal teve a preocupação correta de apontar os possíveis crimes ou irregularidades em jogo no caso do dossiê. Muitas vezes o leitor não entende porque tanto espaço e destaque para um caso se não existe a tipificação do crime. Não significa que o jornal esteja dizendo que os envolvidos tenham cometido aqueles crimes, mas que os casos conhecidos podem caracterizar crimes ou irregularidades, daí a importância de relatá-los e acompanhá-los.

Dois exemplos da edição de hoje: "Possíveis crimes e infrações" [na esfera eleitoral e na esfera penal], infográfico da página A9, e o intertítulo "Código de Ética", na página A7 (na reportagem "Empresa da mulher de assessor fez campanha de Lula e atua para o PT"). O jornal deveria ter feito o mesmo com a reportagem da página A11 ("Suposto 'operador' venceu licitações de gestão do PSDB").

Fez bem o jornal em mudar o título principal da página A10. Na Edição Nacional, "Alckmin pede que TSE casse registro da candidatura Lula". A Edição SP está mais precisa, "Campanha tucana pede investigação do presidente ao TSE".

Era inevitável alguma brincadeira com o nome Freud, mas os títulos das três colunas da página A2 - "O abominável Freud", "Só Freud não explica" e "Nem Freud explica" - demonstram falta de imaginação.

Estão repetidas as informações das reportagens "'Pode dormir tranqüilo', diz Freud a Lula" e "Petista atuava com Lula desde fim dos anos 80", na página A5 da Edição Nacional. As repetições foram retiradas na Edição SP.

Eleições

> Na Edição Nacional, na reportagem sobre a campanha do senador José Sarney (pág. A10), o jornal denomina a dança típica do Amapá de marabaixo e de marabá. São sinônimos ou há erro? Na Edição SP (pág. A12), só há referência a marabaixo.

Lula

A Folha praticamente ignora a viagem do presidente Lula a Nova York para uma conferência na ONU. Há apenas uma rápida referência na página A4 para explicar por que o vice José Alencar ocupa interinamente o cargo de presidente e outra em "Mundo" sobre a abertura da assembléia geral ("61ª Assembléia Geral foca Oriente Médio", pág. A13).

     
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