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20/09/2006
MARCELO BERABA
As manchetes de quase todos os jornais noticiam o envolvimento do presidente do PT, Ricardo Berzoini, no escândalo da venda do dossiê contra Alckmin e Serra.
Segundo a Folha, "Ex-secretário de Berzoini [Osvaldo Bargas] negociou dossiê, diz revista [referência à 'Época']". O jornal deu ainda destaque para a pesquisa Datafolha - "Lula mantém 56% dos votos válidos, afirma Datafolha" - e para a defesa do presidente - "Para Lula, querem 'melar' eleição". O jornal informa ainda que "Justiça manda soltar envolvidos no caso do dossiê" e que "Jorge Lorenzetti é afastado da campanha do PT".
O "Estado" tem dois destaques: a manchete - "Escândalo atinge Berzoini e TSE decide investigar Lula" - e a informação de que "Empresa de Freud recebeu de [Marcos] Valério", acusado de ser o principal operador do esquema que ficou conhecido como mensalão. O jornal envolve mais um personagem na trama do dossiê, Expedito Afonso Veloso - "Diretor do BB também fazia parte do plano". A defesa de Lula é uma chamada simples, sem destaque: "Presidente acusa oposição de querer melar a eleição".
O "Globo" vai na mesma linha: "Presidente do PT também é envolvido em escândalo". O jornal do Rio destaca a defesa do presidente em Nova York com uma foto e compara o caso a Watergate.
Outras manchetes:
"Correio Braziliense" - "Dossiê complica cada vez mais o PT".
"Estado de Minas" - "Assessor do presidente do PT negociou dossiê".
"Jornal do Commercio" (Recife) - "Lula será investigado no escândalo do dossiê".
"Zero Hora" - "Cúpula da campanha de Lula ofereceu dossiê para revista".
"JB" - "PT afunda no escândalo".
Dos jornais que vi, o único que fez uma manchete favorável ao governo foi "O Dia", do Rio: "Governo e PT não sabiam sobre o dossiê contra Serra".
Os jornais econômicos foram discretos: "TSE investiga Lula, Bastos e Berzoini" (é uma nota na "Gazeta Mercantil") e "Lorenzetti assume culpa por dossiê" ("Valor").
Dossiê
A Folha começou a circular a sua Edição Nacional , fechada às 21h, sem a informação na Primeira Página de que o corregedor-geral eleitoral ordenou a abertura de investigação contra o presidente e o ministro da Justiça. A edição do "Estado", fechada no mesmo horário, traz a notícia já na manchete. É um fato importante que a Folha percebeu tardiamente, na Edição SP ("TSE vai apurar se houve abuso do presidente").
A Folha relegou a uma nota pequena e sem destaque, no final da edição, a continuação da investigação que iniciou no interior de São Paulo seguindo as pistas reveladas pela entrevista dos Vedoin à "IstoÉ" e que relacionam os ex-ministros José Serra e Barjas Negri à máfia dos sanguessugas. Aliás, o título da nota - "Ex-prefeito admite ter sido pago por Abel", página A14 - é impossível de ser decifrado. Quem é Abel?
Segundo o "Estado", um diretor do Banco do Brasil, Expedito Afonso Veloso, teria reunido a maior parte dos documentos que formam o dossiê Vedoin e teria convencido os Vedoin a falar com a revista "IstoÉ".
O presidente na ONU
A importância do novo escândalo eleitoral não justifica o jornal ter relegado o discurso do presidente Lula ontem na ONU a um pé de matéria perdido no meio do noticiário sobre o dossiê e outro em "Mundo". O "Estado", que tem uma cobertura tão forte quanto a da Folha em relação às participações do PT e do Planalto no novo escândalo, encontrou espaço para dar um tratamento jornalístico adequado ao discurso presidencial - "Lula acusa países ricos de falta de determinação na luta contra fome". O "Globo" também separou a cobertura do presidente na Conferência da ONU do noticiário do escândalo - "Lula: fracasso de Doha pode gerar terror".
A Folha deu, na Edição SP, mais espaço para o discurso de Evo Morales ("Com discurso inflamado, Morales é aplaudido na ONU", pág. A15) do que para o de Lula.
FMI
O texto "Deportada de Cingapura, brasileira diz que se sentiu tratada como 'terrorista'" (pág. B6) trata a economista Maria Clara Soares como ex-funcionária do governo brasileiro mas não informa para que ministério ou órgão governamental ela trabalhou.
Biocombustível
Acho que o jornal deveria ter dado mais informações do que um texto-legenda para a notícia de que o megainvestidor George Soros vai investir US$ 300 milhões numa fábrica de biocombustível feito do milho na Argentina (pág. B10 de "Dinheiro"). Afinal, todo o noticiário vinha tendo como foco o Brasil, pela experiência na substituição do petróleo.
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