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21/09/2006
MARCELO BERABA
As manchetes dos grandes jornais acompanham os desdobramentos da crise provocada pelo dossiê dos Vedoin, e são todas parecidas:
Folha - "Cai chefe da campanha de Lula".
"Estado" - "Escândalo derruba chefe da campanha de Lula".
"Globo" - "Escândalo do dossiê derruba Berzoini da campanha de Lula".
Os jornais econômicos passaram a dar destaque à crise:
"Valor" - O jornal traz o resultado de pesquisa telefônica feita pelo Ipespe, "Escândalo do dossiê já influi na avaliação de Lula".
"Gazeta Mercantil" - "Presidente do TSE vê risco à candidatura Lula".
Dossiê
A Edição Nacional do noticiário sobre o dossiê não está organizada de acordo com a importância das notícias de ontem. A manchete do jornal, a queda de Ricardo Berzoini da direção da campanha de reeleição do presidente Lula, está perdida no meio da cobertura, na página A9. O leitor fica com a impressão de que a queda do coordenador da campanha para o Senado de Aloizio Mercadante é mais importante do que o afastamento de Berzoini.
Outro problema da Edição Nacional está na página A6. A notícia importante mais recente era a queda do diretor do Banco do Brasil que participou da trama do dossiê - "Escândalo derruba diretor do Banco do Brasil" - e não o depoimento de Valdebran - "Depoimento de empresário aponta diretor do BB como intermediário".
Erros como estes passaram a impressão de uma edição confusa. Talvez tenha sido o problema do horário de fechamento, embora o "Estado" tenha fechado na mesma hora (21h) e mesmo assim conseguiu juntar logo no começo do noticiário as duas informações mais importantes - "Escândalo derruba Berzoini e atinge coordenação de Mercadante".
O "Estado" adianta um novo nome, um assessor do Ministério do Trabalho que teria levado a mala com R$ 1 milhão para comprar o dossiê: "André Bucar pode ser peça que fecha quebra-cabeça". A ver.
É estranho que o texto "Comandante do PT se fragiliza no cargo" (pág. A5 da Edição SP), uma análise da situação interna do PT após o novo escândalo, não esteja assinado. É o tipo de texto que exige assinatura (ou assinaturas, no caso).
Sumiu, na Edição SP, a única notícia que dava seqüência às investigações que a Folha vem fazendo do envolvimento de tucanos com a máfia dos sanguessugas. Na Edição Nacional, a nota "Barjas Negri é investigado em Piracicaba" está na página A7, mas depois caiu.
Trabalho escravo
A Folha ignorou o relatório da Organização Internacional do Trabalho sobre trabalho escravo no Brasil, divulgado ontem em Brasília. Segundo o "Estado", "OIT avalia em 25 mil número de trabalhadores escravos".
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