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02/10/2006
MARCELO BERABA
Como cada jornal refletiu o resultado do primeiro turno da eleição presidencial:
Folha - "Lula e Alckmin disputam 2º turno; Serra e Aécio são eleitos em SP e MG".
"Estado" - Começou a rodar com o título "Disputa emocionante leva decisão para o 2º turno", mas depois trocou por "Decisão no 2º turno", com letras garrafais.
"Globo" - "Lula e Alckmin disputarão 2º turno com país dividido".
"Valor" - "S. Paulo põe Alckmin no 2º turno e partidos já iniciaram articulações".
"JB" - "O jogo começa agora".
"Gazeta Mercantil" - "De virada, Alckmin consegue 2º turno"
"Correio Braziliense" - "Lula x Alckmin: mais 28 dias de guerra".
"O Dia" (RJ) - "Voto de paulista define a eleição: 2º turno".
O "Diário Catarinense" chegou a circular com a manchete "Lula é reeleito e SC terá segundo turno".
Como Lula chegou em primeiro lugar no primeiro turno, o correto, sob o ponto de vista jornalístico, seria sua foto ter mais visibilidade do que a de Alckmin, como foi editada na Edição Nacional e na capa do caderno especial "Eleições 2006", e não o contrário, como ficou na Edição SP. Aliás, uma vez que o segundo turno zera a disputa, o melhor, sob o ponto de vista do equilíbrio jornalístico, teria sido editar as fotos dos dois com o mesmo destaque, lado a lado - como fizeram quase todos os jornais.
Eleições 2006
A edição de domingo foi a última oportunidade que a Folha teve para apresentar, além dos perfis dos principais candidatos à Presidência, uma avaliação do que foram os governos Lula (federal) e Alckmin (estadual) e os programas de governo. Não consigo entender a lógica jornalística que está por trás da omissão destas informações fundamentais para que o leitor possa ter a oportunidade de pensar melhor o voto. Avaliação de governo e programa de governo são serviços obrigatórios para um jornal. Não bastam os perfis, mesmo que bem escritos. O jornal abdicou, no primeiro turno que ontem se encerrou, de fazer balanços das administrações petista e tucana, de sistematizar para os leitores os principais pontos e promessas dos programas dos candidatos e de colocar as propostas ou opiniões dos candidatos sobre a agenda que o próprio jornal considera importante para o país. O mesmo vale para o governo de São Paulo.
É possível e desejável que o jornal abra espaço agora para estes aspectos da campanha no segundo turno da eleição presidencial (para o governo de SP já não há mais o que fazer). Que não se deixe levar apenas pelos interesses dos candidatos e consiga fugir do cenário que o seu próprio editor antecipa na coluna "País dividido", de hoje: "Ilusão imaginar que a disputa agora plebiscitária irá jogar luz sobre problemas e soluções para o país. A divisão dicotômica entre o bem e o mal será radicalizada. A pauta é a do 'pega ladrão!' contra 'golpistas não passarão!'".
O jornal não precisa seguir esta pauta, acho.
As pesquisas eleitorais voltam, mais uma vez, ao centro das discussões sobre os resultados eleitorais. Os casos da Bahia, do Rio Grande do Sul, do Rio (para o Senado) e mesmo de São Paulo (crescimento de Afif) já mereciam ter tido alguma explicação do Ibope e/ou do Datafolha na edição de hoje.
Bem escolhido o personagem da "Entrevista da 2ª", Renato Lessa ("PT e PSDB despolitizam campanha eleitoral", pág. A10), com uma visão crítica das duas candidaturas que disputarão o segundo turno.
Não vi referência na Folha, nas relações dos grandes derrotados, ao caso de Severino Cavalcanti, ex-presidente da Câmara dos Deputados.
Vôo 1907
De acordo com o "Globo", "Falha [que levou ao choque entre dois aviões e à que queda do Boeing] teria sido no controle dos vôos". Segundo o jornal, a causa maior do acidente teria sido a falta de comunicação entre as torres de controle de vôos de Manaus e Brasília. A ver.
Aviso
Participo amanhã do seminário "Mídia e Política", organizado pela Fundação Biblioteca Nacional, no Rio. Por esta razão não haverá a Crítica Interna.
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