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10/10/2006
MARCELO BERABA
O teste nuclear da Coréia do Norte e o rescaldo do debate eleitoral de domingo dividem os altos das Primeiras Páginas dos principais jornais. As formulações dos títulos vão na mesma direção e nada acrescentam ao noticiário das rádios, TVs e web de ontem.
Teste nuclear
Folha - "ONU condena Coréia do Norte e estuda sanções".
"Estado" - "ONU discute sanções à Coréia do Norte".
"Globo" - "Teste deixa Coréia do Norte isolada".
Debate
Folha - "Agressividade de Alckmin no debate surpreendeu Lula".
"Estado" - "Surpreendido no debate, Lula acusa o golpe e ataca".
"Globo" - "Surpreendido, Lula diz que reagirá a ataques de Alckmin".
Segundo o "Valor", a Comissão de Valores Mobiliários e a Securities and Exchange Comission investigam o uso de informações privilegiadas nas negociações para a frustrada compra da Perdigão pela Sadia. A manchete: "Autoridades investigam 'insider' em oferta da Sadia". Não vi na Folha.
Dossiê
Depois de Elio Gaspari no domingo, hoje foi a vez de Gustavo Ioschpe (pág. A6) pedir desculpas por ter acusado Freud Godoy de estar envolvido na trama do dossiê dos Vedoin. É o segundo colunista da Folha que pede desculpas públicas. O jornal não deveria também se manifestar sobre o assunto?
Segundo o "Estado", "Defesa muda versão de Gedimar para o caso - Alegação agora é que ex-agente da PF foi coagido a citar nome de Freud". A ver.
"Painel do Leitor"
Que o jornal entenda que seja importante publicar a carta de um leitor com críticas ao deputado eleito Clodovil Hernandes, acho justificável. Hernandes tem cargo público a partir de agora e está sujeito às críticas dos leitores. O "PL" é exatamente para isso, para os comentários dos leitores. Mas o título da carta - "Clodô vil" -, responsabilidade do jornal, não deveria ser uma agressão ao criticado. Fica entendido que também a Folha o considera vil. É isso?
Debate
A Folha e seus principais concorrentes exploraram bem, nas edições de hoje, os erros e omissões dos dois candidatos durante o debate eleitoral de domingo. Os levantamentos feitos pelos jornais mostram como os dois candidatos cometeram erros e como trataram mal vários temas relevantes. Estes questionamentos e as informações que geram acabam sendo mais importantes do que a narrativa do debate. Nem sempre o (e)leitor percebe na hora as bravatas e erros dos candidatos.
Entre os temas eleitos pela Folha para explorar na edição de hoje, faltou um importante, o das críticas de Lula ao presidente Bush. Segundo o "Globo", diplomatas dos Estados Unidos criticaram o presidente brasileiro por chamar de "bravata" e "barbárie" a guerra contra o Iraque. A Folha também deveria ter buscado uma repercussão.
Teste nuclear
A Folha se recuperou hoje na cobertura do teste nuclear da Coréia do Norte, assunto subestimado na Primeira Página de ontem.
O jornal volta a usar, na abertura da reportagem principal ("Bush ameaça Pyongyang com sanções", pág. A14), o termo "comunidade internacional", sujeito indefinido. Quem condenou foram vários governos e o Conselho de Segurança da ONU.
A reportagem sobre a reação do Irã no caso do teste da Coréia do Norte ("Com bomba norte-coreana, Irã deve aproveitar desvio de foco", pág. A16) não informa a posição oficial do governo iraniano.
> Há um erro na resposta de Jim Walsh na entrevista "Chance de guerra divide especialistas" (pág. A16): "... os vizinhos e parceiros [dos Estados Unidos] na região, como Coréia do Norte e China, não querem um conflito militar na península da Coréia". Ele devia estar se referindo à Coréia do Sul, e não a do Norte; e é improvável que o erro tenha sido de Walsh.
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