Ombudsman Folha   Folha Online
 
11/10/2006

MARCELO BERABA

Três informações importantes nas manchetes dos principais jornais: a primeira pesquisa pós-debate de domingo (Folha), embate eleitoral ("Globo" e "Estado") e novidades sobre o dossiê dos Vedoin ("Correio Braziliense").

Folha - "Lula amplia vantagem sobre Alckmin".

"Estado" - "PT intensifica tática do medo e Alckmin reage".

"Globo" - "Corte de gastos abre nova frente na guerra presidencial".

"Correio Braziliense" - "CPI: Berzoini mandou comprar o dossiê". Manchete parecida com a do "Estado de Minas", "Berzoini autorizou dossiê".

Nos jornais econômicos: "Nakano abre polêmica sobre câmbio" ("Valor") e "O futuro da economia gera duelo eleitoral".

Eleições 2006

O jornal tinha condições de fugir do debate rasteiro das trocas de ofensas e dar um tratamento de nível para a discussão sobre cortes de despesas no Orçamento do próximo governo. O material que editou, no entanto, estava incompleto e ficou espalhado.

A palestra de Yoshiaki Nakano na UFRJ e as entrevistas que deu ontem, origem da discussão sobre cortes de gastos no governo Alckmin, foram ignoradas na Edição Nacional. Na Edição SP, aparecem apenas para explicar a reação de Alckmin aos ataques do PT - "Alckmin desautoriza assessor e nega cortes no Orçamento" (pág. A8). O economista e ex-secretário de Fazenda de SP, um dos responsáveis pelo programa econômico de Alckmin, também defendeu mudança no câmbio, como está no "Valor" e em outros jornais, mas não na Folha.

Todo este material combinava com o material exclusivo da Folha com o ministro do Planejamento de Lula, Paulo Bernardo - "Ministro do PT quer aumentar os cortes dos gastos sociais" (pág. A19).

E o jornal ainda tinha, em "Dinheiro", dois outros textos que complementariam a discussão: uma pequena repercussão às declarações de Nakano, "Economista critica propostas de Nakano", na coluna "Mercado Aberto" (pág. B2), e o artigo de Vinicius Torres Freire, "Alckmin: mais gestão, mais gastos" (pág. B4).

A Primeira Página poderia ter amarrado melhor todo o material sobre Orçamento e gastos e deveria ter dado espaço, na chamada para os planos do ministro Paulo Bernardo, para as propostas de Nakano e as reações que provocaram.

Mais importante do que o noticiário carregado de metáforas de guerra é o detalhamento das propostas feito pelos economistas envolvidos nas duas campanhas e as análises das suas conseqüências nos próximos quatro anos.

O jornal perdeu uma grande oportunidade de dar um tratamento diferenciado e equilibrado a um dos pontos mais importantes do embate eleitoral.

Aliás, as declarações de vice-presidente do PSDB, Alberto Goldman, sobre a Petrobras - "Goldman diz que Petrobras privada lucraria mais" - deveriam estar junto com o material sobre programas de governo e não na página A10 (na Edição Nacional), como box do noticiário sobre dossiê. Não dá para entender o critério jornalístico da edição. A entrevista com Goldman sumiu na Edição SP.

A Folha está passando ao largo de um novo escândalo eleitoral no Rio. O Ministério Público acusa onze candidatos de comprar votos. Entre os acusados está um dos mais votados para deputado federal, Geraldo Pudim, candidato do ex-governador Anthony Garotinho.

Dossiê

Outro problema na Edição Nacional: a notícia do dia sobre a CPI dos sanguessugas ("CPI é marcada por discussão e tem votação adiada outra vez") está no pé da página A12, enquanto o noticiário do dossiê - que tem tudo a ver com os sanguessugas - está na página A10.

A notícia mais importante sobre o dossiê está no "Correio Braziliense" e no "Estado de Minas" - segundo um deputado da CPI dos Sanguessugas ouviu do delegado que cuida do caso, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, não apenas sabia da trama para comprar o dossiê como teria dado sinal verde para levantar o dinheiro necessário.

A ver.

Coréia do Norte

> O infográfico "Interesse em jogo" não informa, na Edição Nacional (pág. A13), quantos soldados os Estados Unidos têm na Coréia do Sul.

> Problema também no texto "Plano atômico não tem volta, diz líder do Irã" (pág. A13) no trecho em que informa que a Coréia do Norte compunha o "eixo do mal" de Bush "ao lado de Irã e Irã".

"Cotidiano"

A notícia mais importante da Prefeitura de São Paulo para os paulistanos está no "Estado": "Kassab vai aumentar IPTU". Segundo o jornal, a prefeitura vai elevar o valor venal dos imóveis para 70% do preço de mercado e, calcula, o IPTU poderá triplicar, por exemplo, na Vila Madalena.

"Ilustrada"

Tom Zé, 70 anos, está nas capas de todos os cadernos culturais.

Na Folha, foi muito boa a idéia da entrevista, "Tom Zé, 70", com perguntas dos parceiros. O espaço apertado da capa e da página E3, no entanto, tolheu a edição.

O PubliFolha já lançou ou está lançando um livro sobre o compositor, como parece indicar o anúncio da página E4? O interesse da Folha não impede a homenagem, mas deveria ter ficado claro na reportagem/entrevista.

O jornal poderia ter sido mais comedido nas fotos com flores - capa e E3 (Tom Zé) e E4 (o ator Bruce Gomlevsky). E ainda tem o Tom Zé no tal anúncio da E4.

Aviso

Amanhã, feriado, não haverá a Crítica Interna.

     
Leia colunas anteriores publicadas aos domingos Veja quem já foi ombudsman da Folha

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.