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23/10/2006

MARCELO BERABA

A Folha traz mais informações a respeito dos problemas que o Estado de São Paulo está tendo para cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal em 2006 - "Para fechar as contas, SP reduz obras em até 80%". O texto da manchete não informa quem são os governadores e partidos que administraram o Estado ao longo deste ano. Era uma referência jornalística obrigatória. Geraldo Alckmin, governador até 31 de março, é candidato a presidente da República e tem como algumas de suas bandeiras o equilíbrio orçamentário e o choque de gestão.

"Estado" e "Globo" mantêm o destaque nas investigações do casso dossiê: "Saque para dossiê foi em Nova Iguaçu" ("Estado") e "Dólares para dossiê saíram de corretora na Baixada" ("Globo"). A Folha também tinha a informação: "PF investiga 3 casas de câmbio no caso dossiê".

Dossiê

A Folha traz na edição de domingo novas informações que ajudam a reconstituir a gênese da trama do dossiê contra os tucanos que os Vedoin tentavam vender para o PT ("Acusados dizem que negociaram um mês", pág. A9). Uma informação que saiu logo no início do caso e depois sumiu foi a de que as prisões no aeroporto em Cuiabá e, depois, no hotel em São Paulo aconteceram porque a Polícia Federal vinha monitorando os Vedoin. É um detalhe importante uma vez que uma das teorias que prosperam -enquanto as investigações caminham lentamente - é a de que foi tudo uma armação.

Também foi importante a publicação das fotos no hotel, com as malas. ("Valdebran contesta petista e afirma que mala tinha dinheiro", pág. A8). São mais informações que ajudam a montar o quebra-cabeça.

Ligações perigosas

Problema de edição nas reportagens da página A19 de domingo. O texto principal, "PSDB pede explicações no 'caso Lulinha'", termina com a informação de que a empresária Arlette Siaretta não atendeu a Folha para dar a sua versão em relação à reportagem da revista "Veja". Mas no texto seguinte, "Gamecorp nega ter tentado influir no governo Lula", a empresária é ouvida pelo jornal.

Câmara

É uma pena que só agora, acabada a eleição para a Câmara dos Deputados, o jornal tenha produzido a reportagem "Bancada de Enéas só aprovou uma lei" (pág. A25 da Edição de domingo). É o tipo de serviço jornalístico para os (e)leitores que deveria ter saído antes de 1º de outubro, e é um balanço que deveria ter sido estendido a todos os partidos.

"Cotidiano"

A capa do caderno "Cotidiano" de hoje- "Sem verbas, Lembo reduz ritmo de obras" - deveria ter feito uma remissão mais explícita do que o usual "Leia Mais" para os argumentos do governo do Estado, jogados para a página C8. A edição deixou o "Outro lado" muito distante da reportagem, o que prejudica as explicações oficiais.

"Esporte"

O desenho da capa do caderno, com meia página de anúncio e os recursos gráficos utilizados, não deu a dimensão histórica da corrida de Fórmula 1 em São Paulo apontada no título - "Em GP histórico, Massa e vence e pensa em Senna".

Por que o estilo Schumacher, por ser diferente do estilo "fashion" dos demais pilotos, é cafona, como o jornal define na linha fina "Heptacampeão mantém seu estilo, arrojado na pista e cafona fora dela" (pág. D7)?

     
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