Ombudsman Folha   Folha Online
 
25/10/2006

MARCELO BERABA

As manchetes da Folha e do "Estado" saem da última pesquisa Datafolha:

Folha - "Lula tem 61% dos votos válidos".

"Estado" - "A 5 dias da eleição, Lula tem 22 pontos à frente".

O "Globo" não deu destaque para a diferença, fez apenas um registro: "Lula mantém liderança folgada". O jornal do Rio deu manchete para a economia, mas com um enfoque eleitoral: "Superávit mensal do governo é o menor registrado desde 1998". Este foi o segundo destaque do "Estado", "Superávit cai ao menor nível desde 1998". A Folha não dá tanta ênfase: "Superávit do governo federal em setembro é o pior do ano".

A Folha se recuperou bem no caso da Vale do Rio Doce e deu a notícia do negócio como a segunda chamada mais forte da Primeira Página: "Vale dá US$ 13,2 bi por mineradora e vira a 2ª maior do mundo". A compra é a manchete do "Valor": "Mercado prestigia a Vale após a aquisição bilionária". O "Estado", que já tinha adiantado a informação ontem, hoje ignora o assunto na sua capa.

O noticiário sobre o dossiê dos Vedoin segue no ritmo das gotas que a PF pinga diariamente: "Laranja diz à PF não saber sobre compra dos dólares".

Eleição 2006

A edição de hoje da Folha reflete bem a exaustão a que chegou a campanha eleitoral às vésperas da votação do segundo turno. Sem notícias novas, sem polêmicas programáticas, sem avanços nas investigações policiais, a ocupação obrigatória do espaço do noticiário eleitoral se salva pelas pesquisas do Datafolha (também sem novidades) e pela agenda insossa dos candidatos. A calmaria de um dia como o de ontem demonstra como o jornal depende das pesquisas, da agenda dos candidatos e da Polícia Federal. Hoje teria sido um bom dia para a publicação de reportagens especiais e/ou reflexivas sobre a disputa eleitoral e seus desdobramentos.

A coluna de Janio de Freitas, "Além da imaginação", retrata bem esta reta final desprovida de razão e de emoção.

Debate?

O jornal esqueceu que o debate de anteontem, iniciado depois das 22h, só foi noticiado na Edição SP. O leitor da Edição Nacional de hoje que só lê a Folha ou a tem como principal referência ficou sem saber o que aconteceu no tal debate. Nem um resumozinho o jornal se dispôs a conceder. Como este (e)leitor não obteve informações e não teve acesso às avaliações e comentários que o jornal publicou ontem na sua Edição SP, ele continua sem entender porque os debates estão "saturados", como está na reportagem "Campanhas avaliam que debates estão 'saturados'" (pág. A9). Pelo menos os comentários críticos sobre os desempenhos dos candidatos (os textos de Gustavo Patu e Nélson de Sá, por exemplo) deveriam ter sido copiados hoje na Edição Nacional. É muita falta de consideração com mais da metade dos leitores da Folha que não vivem na Grande São Paulo.

"Dinheiro"

A reportagem sobre as negociações entre o Brasil e a Bolívia ("Acordo com Bolívia pode ser parcial, afirma Amorim", pág. B12), informa, nas duas edições do jornal, que ontem à tarde houve nova reunião mas que "o encontro não havia terminado até o fechamento desta edição". A Edição SP, pelo registro da Primeira Página, fechou à 0h20. A reunião não teria terminado neste horário ou a Folha repetiu no automático a informação da Edição Nacional?

"Cotidiano"

O "Estado" dá grande destaque hoje, inclusive com chamada forte na Primeira Página, para denúncia de corrupção na Câmara de Vereadores de S. Sebastião, no litoral paulista. Os vereadores estariam recebendo dinheiro para mudar as regras de zoneamento e atender a investidores imobiliários portugueses.

"Ilustrada"

O debate na Record foi anteontem, e não ontem, como está na primeira nota da coluna de Mônica Bergamo ("Serra, o debate e as férias do garoto mineiro", pág. E2).

Aviso

Participo amanhã de almoço na Folha, em São Paulo. Por esta razão não haverá a Crítica Interna.

     
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