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31/10/2006
MARCELO BERABA
Os grandes jornais estão preocupados com a economia; os jornais econômicos, com a política:
Folha - "Lula reafirma política econômica".
"Estado" - "Lula garante que governo manterá metas de inflação".
"Globo" - "Lula desautoriza Tarso e reafirma o rigor fiscal".
"Valor" - "Lula já inicia as reuniões com novos governadores".
"Gazeta Mercantil" - "Diálogo deve depender de cargos no governo".
Eleições 2006
Sumiu, na Edição SP, a reportagem "Movimentos sociais já preparam cobrança" (pág. A13 da Edição Nacional), a única que tratava das expectativas e pressões imediatas dos movimentos sociais.
Foi reduzida , também na Edição SP, a uma nota quase incompreensível a manifestação da CNBB sobre o futuro governo (pág. A12). Na Edição Nacional, a manifestação da entidade está bem contemplada ("CNBB pede a Lula escolha criteriosa para ministérios", pág. A13).
A prioridade para os rumos da economia, a formação do novo ministério e da base aliada e a exploração dos números finais da eleição não é incompatível com uma atenção aos movimentos sociais e sindicais que, seguramente, exigirão deste segundo mandato mais do que exigiram e pressionaram no primeiro.
O principal personagem do noticiário de hoje, Henrique Meirelles, não aparece no jornal: não é ouvido e não há qualquer informação sobre o seu paradeiro ou sobre o que fez ontem, quando o seu nome esteve na berlinda. Duas notas na coluna "Mônica Bergamo", "Linha direta" e "Linha indireta", indicam que ele se movimenta para continuar no governo.
Agressões
A Folha ouviu, a propósito das agressões sofridas por jornalistas em frente ao Palácio do Alvorada, a Associação Nacional dos Jornais, que condenou a atitude dos militantes (pág. A5 na Edição Nacional e A9 na Edição SP). Deveria ter ouvido também a Federação Nacional de Jornalistas. Segundo uma nota do "Painel", o presidente da Fenaj disse "bem-feito" quando soube das agressões ("Nova era", pág. A4). Era bom saber por que ele acha que foi "bem-feito" os jornalistas serem agredidos.
Máfia do lixo
A reportagem da Folha não esclarece se o Ministério Público estadual pode ou não denunciar o ex-ministro Antonio Palocci. Segundo o texto do jornal ("Ministério Público solicita a prisão preventiva de Palocci", pág. A23), o advogado do ex-ministro considera que só a Procuradoria da República pode denunciá-lo uma vez que foi eleito deputado federal. Mas, como Palocci ainda não tomou posse, fica a dúvida. O jornal poderia ter procurado um especialista para já deixar esclarecido este ponto.
Lembo
Não sei como está o governo dele, até porque a cobertura dos jornais é irregular. Mas ele continua dando boas entrevistas, como a de hoje, para o "Estado" - "Para Lembo, eleição presidencial foi um processo 'esquizofrênico'".
México
Recebi da editora de "Mundo", Cláudia Antunes, via Secretaria de Redação, o seguinte comentário em relação à crítica que fiz ontem à cobertura das revoltas em Oaxaca, no México:
"Sua crítica à cobertura da revolta em Oaxaca está apenas parcialmente correta. É verdade que a matéria publicada nesta segunda não estava suficientemente analítica, mas nós fomos o primeiro jornal brasileiro a entrar no assunto, com duas reportagens extensas e editadas com destaque, uma delas em um domingo".
[A editora enviou cópias dos textos "Greve de professores vira revolta social no México", de 25/08/2006, e "Revolta de Oaxaca é Chiapas ampliada", de 10/09/2006]
De qualquer forma, fica claro que é uma cobertura irregular (uma reportagem em agosto, outra em setembro e agora neste final de semana que passou), sem continuidade.
Uma questão na reportagem de hoje, "Polícia mexicana expulsa os grevistas de Oaxaca" (pág. A27): o leitor não é obrigado a se lembrar de quando ocorreu a revolta de Chiapas nem de sua dimensão histórica. Como o jornal citou Chiapas para mostrar a importância do que está acontecendo agora em Oaxaca, deveria ter dados as informações completas.
Bolívia
Ótimos os bastidores colhidos pelo jornal a respeito do acordo entre o governo da Bolívia e a Petrobras - capa e página B3 de "Dinheiro".
O "Estado" informa que a Bolívia quer 35% de aumento no preço do gás.
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