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06/11/2006
MARCELO BERABA
Folha e "Globo" enfatizam a relação entre a condenação à morte de Saddan Hussein e as eleições parlamentares nos Estados Unidos:
Folha - "Saddan Hussein é condenado à forca" e "Decisão pode ajudar Bush na urna".
"Globo" - "Saddan é condenado à morte a dois dias de eleição nos EUA".
O "Estado" também deu manchete para a condenação, com menos destaque: "Saddan Hussein é condenado à forca".
Segundo o "Valor", o governo federal decidiu cancelar a licitação de 2005 para a transposição do rio São Francisco e lançará novo edital - "União cancela licitação do São Francisco e muda edital".
A intervenção na operação-padrão dos controladores de vôo teve resultado e a volta do feriado foi tranqüila. Com isso, a crise nos aeroportos perdeu espaço nas Primeiras Páginas dos jornais. As causas da crise, no entanto, aparentemente ainda não foram solucionadas. Um aspecto que o jornal deveria continuar a destacar na Primeira Página é a orientação para os consumidores que se sentiram prejudicados.
Financiamento eleitoral
O levantamento feito pela Folha dos recursos obtidos pelos partidos de São Paulo para o financiamento das campanhas para a Câmara Federal - "Captação do PT-SP é 229% maior em 2006", pág. A7 - é interessante, mas não traz a principal informação para o leitor: a identificação das fontes de financiamento dos deputados eleitos por todos os partidos. Só assim será possível conhecer parte dos interesses que serão defendidos no Congresso e começar a se delinear as formações das bancadas suprapartidárias, que atuam com mais força e coerência que os partidos.
Anúncio
O anúncio que corta ao meio da página A9 prejudica a leitura da coluna "Toda Mídia".
Saúde
Segundo o "Estado", o ministro da Saúde, Agenor Álvares, informou, ao desembarcar em Genebra para uma reunião da Organização Mundial de Saúde, que o Ministério da Saúde e o Ministério Público Federal investigam um novo escândalo de corrupção na saúde.
Petrobrás
O testemunho do ex-presidente Carlos Lessa a respeito do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, tem mais importância pelo que contesta nos rumos da estatal do que acrescenta ao perfil de Gabrielli. É uma declaração, portanto, que faria mais sentido como um "outro lado" do que como um "perfil" ("Executivo foi preso durante a ditadura", pág. B4).
Como "perfil", o texto é falho porque não se pode traçar o perfil de alguém tendo como único depoimento uma declaração de um adversário, como foi o caso.
E, como "outro lado", o texto tem um problema sério: não permite que Lessa explique o que entende por "esforço [de Gabrielli] para descaracterizá-la [a Petrobras] como empresa pública" e por que entende que "a política do petróleo [da Petrobras sob Gabrielli] é uma catástrofe". Esclarecidas estas duas contestações, aí sim teríamos condições de avaliar a gestão de Gabrielli com base na entrevista e no seu contraponto.
Aeroportos
A Folha foi bem na cobertura do caos nos aeroportos no período do feriado prolongado. Mesmo com equipes menores, a cobertura foi extensiva e trouxe informações e serviços importantes. Refiro-me, principalmente, às reportagens que mostraram que só uma parcela das verbas para a segurança dos vôos havia sido liberada até agora e que a caixa-preta do Legacy revelou que houve erro no controle em São José dos Campos. O jornal deu destaque à orientação aos consumidores prejudicados pela operação-padrão, pelo governo e seus organismos e pelas companhias aéreas _como no artigo de Maria Inês Dolci ("Aeroporto de filme") e como na edição de hoje. E acompanhou de perto a crise aberta entre a Aeronáutica e o ministro da Defesa.
A "normalização" do movimento nos principais aeroportos não significa que os problemas explodidos na última semana tenham sido resolvidos.
Aviso
Faço amanhã palestra para os trainees da Folha, em São Paulo, e por esta razão não farei a Crítica Interna.
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