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16/11/2006

MARCELO BERABA

A Folha "esfriou", na Primeira Página, a notícia da morte, por anorexia, da modelo Ana Carolina Reston Marcan ("Modelo morta por anorexia usava droga para emagrecer com 46 kg"). Digo esfriou porque deu à notícia o mesmo tratamento gráfico dos suplementos ("Equilíbrio" e "Turismo") e de "feature" ("Os bastidores do supercasamento de SP"). Ela está editada com certo glamour, provavelmente para evitar um tom sensacionalista. Mas, como está, enfraqueceu uma notícia que interessa a todos e que funciona como uma advertência, principalmente para os leitores que tem filhos na pré-adolescência e no começo da idade adulta.

O "Estado" foi mais direto: "Morte de modelo por anorexia traz alerta", com um complemento: "Na internet, a inimiga comida". O "Globo" reservou o seu alto da Primeira Página para um quadro com destaque, mas com título sem a força da manchete: "Anorexia leva modelo de 21 anos à morte". Tem a foto da mãe da modelo: "Cuidem de seus filhos. Não tem o que sare a dor".

Os jornais de banca foram mais explícitos, com manchetes: "Modelo morre ao passar fome para emagrecer" ("Extra"), "Ditadura da magreza leva modelo à morte" ("O Dia", do Rio) e "Modelo passa fome para ficar magra e morre com 40 quilos" ("Diário de S. Paulo").

Com uma quarta-feira relativamente calma em termos de notícias nacionais por causa do feriado, as manchetes dos grandes jornais são diferentes e nenhuma delas tem informações exclusivas relevantes.

Folha - "INSS e gasto com pessoal dificultam investimento".

"Estado" - "Governo estuda MP para ajudar o Incor" e "Por eleitor, Lula trava reforma da Previdência".

"Globo" - "Nem aquartelamento acaba com atrasos em aeroportos".

Ao publicar, na Primeira Página, a foto de Dunga, treinador da Seleção Brasileira, a Edição SP da Folha corrige parcialmente uma falha da Edição Nacional. Embora o texto interno (pág. D4) informe que o treinador "mais uma vez ousava no figurino", não há na Edição Nacional a imagem do figurino ousado. Foi uma correção parcial, porque a foto na capa do jornal não faz referência à moda ousada de Dunga, que chamou mais atenção do que o futebol do time brasileiro.

Na capa do "Globo", com foto: "Um show de estilo, com pouco futebol".

Está errado o desenho da tartaruga publicado na Primeira Página da Edição Nacional? Na Edição SP, o desenho é outro e o animal é identificado como tartaruga-da-amazônia.

Dossiê

A coluna de Janio de Freitas de hoje - "Dossiê dos silêncios" - traz um rol de questões que deveriam ser cobradas pelo jornal à Polícia Federal, ao Ministério Público e à Justiça. A principal indagação do colunista é a seguinte: de que crimes foram acusados os petistas na hora da prisão em SP? Ele entende que não foi explicitado até hoje o fundamento do ato de prisão.

O "Estado" informa que a Polícia Federal "relaciona 11 crimes na compra do dossiê Vedoin". Três são atribuídos a Luiz Vedoin (extorsão, chantagem e ocultação de documento) e os outros oito aos petistas, quase todos eles relacionados à origem do dinheiro encontrado no hotel e um a estelionato (atribuído a Hamilton Lacerda).

O jornal prestará um bom serviço ao se debruçar sobre este aspecto do caso do dossiê, que ainda está confuso e continua a gerar informações a conta-gotas, incompletas e inconclusas (como hoje, "Telefonemas ligam deputado do PT a envolvido com dossiê", pág. A7).

Juízes

A coluna de ontem de Brasília ("Os juízes e os patrocínios", de Fernando Rodrigues) chamou a atenção para o congresso da Associação dos Magistrados Brasileiros, iniciada ontem à noite em Curitiba com o patrocínio questionável de grandes empresas privadas e do Banco do Brasil. A notícia gerou, inclusive, uma carta no "Painel do Leitor" de hoje ("À luz do dia", pág. A3). Mas não houve cobertura do jornal.

Segundo os jornais que cobriram - vi reportagens no "Estado" e no "Globo" -, foi divulgado o resultado de uma grande pesquisa com juízes. Não sei se perguntaram se acham normal ser patrocinados por empresas que têm ações na Justiça. Se sim, por que? Há outras questões que o jornal poderia ter levantado em Curitiba: A ética será discutida no congresso? Houve reação à notícia da Folha?

O jornal cobriu bem o evento patrocinado pela Febraban para 40 juízes no feriado de 7 de setembro. O tema volta a interessar.

Vale x índios

O "Estado" informa que a Vale do Rio Doce entrou com uma petição contra o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos (OEA). A Vale quer fazer o governo federal assumir as responsabilidades pelas comunidades indígenas que hoje recebem ajudas da empresa. É ainda a discussão sobre o caráter desta ajuda, que apontei como um dos pontos obscuros do conflito na coluna do domingo retrasado ("O Pará é logo ali"). A Funai e os índios acham que a ajuda é uma obrigação legal garantida por decreto presidencial e a Vale acha que não tem a obrigação por ter havido uma revisão do tal decreto. O assunto continua, portanto, obscuro.

Modelo

O jornal não ouviu a agência para a qual trabalhava a modelo Ana Carolina Reston Marcan.

     
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