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17/11/2006

MARCELO BERABA

Folha e "Estado" deram grande destaque - com infográfico, no caso da Folha - para o resultado parcial das investigações do acidente que derrubou o Boeing da Gol: "Relatório oficial sugere falha do controle aéreo" (Folha) e "FAB aponta Legacy fora de rota e pane de comunicação" ("Estado").

Os jornais do Rio comemoraram o acordo firmado entre o governador eleito do Estado, Sérgio Cabral, e o prefeito do Rio, Cesar Maia: "Cabral e Cesar fazem união inédita no Rio" ("Globo") e "Cabral e Cesar acertam ação conjunta em obras no Rio ("JB").

Modelo

Observei ontem, na Crítica Interna, que a edição da morte da modelo Ana Carolina na Primeira Página tinha esfriado a notícia. A Secretaria de Redação ponderou que a notícia da morte já havia sido dada na Edição SP de anteontem (foi um furo, portanto). Mas a notícia ainda não havia saído na Edição Nacional. De qualquer forma, continuo achando que, tal como foi editada, a notícia perdeu força.

Sobre o uso do recurso do que a Redação chama de "caramelo" (os destaques coloridos na capa do jornal), a Secretaria de Redação admite que possa esfriar o assunto, mas acha que isso seria compensado por "um tratamento visual mais sofisticado".

Juízes

O jornal recuperou hoje o furo que levou ontem dos outros jornais que cobriram a abertura do congresso da Associação dos Magistrados Brasileiros, em Curitiba ("Pesquisa mostra que juízes querem lei eleitoral mais dura", pág. A8 da Ed. Nacional e A9 da Ed. SP). Mas passou ao largo do questionamento do patrocínio do congresso.

Acredita, deve, cogita

Profusão de textos com verbos imprecisos.

- "CPI vê ligação entre deputado petista e envolvidos com dossiê" (pág. A9 da Ed. Nac. e A8 da Ed. SP): "...Fernando Gabeira disse acreditar que Abicalil [deputado Carlos Abicalil, PT-MT) tenha envolvimento". É uma questão de fé, portanto.

- "PF cogita atribuir a envolvidos no caso do dossiê responsabilidade por crime eleitoral" (pág. A9 da Ed. Nac.) e "PF pode indiciar envolvidos no dossiê por crime eleitoral" (A8 da Ed. SP). Em relação ao caso dossiê, a questão levantada ontem por Janio de Freitas continua pertinente: de que crimes foram acusados os petistas na hora da prisão em SP?

- "Serra deve dar pasta a engenheiros que trabalhou com FHC" (pág. A10): "...o governador eleito estuda criar...", "...José Luiz Portela deverá assumir...", "...a secretaria ... deverá ser ocupada...", "...Portela ... teve o nome cogitado...", "...ele está cotado...", "...Pinotti é apontado...".

Aliás, como é uma reportagem inconclusa sobre o futuro secretariado de Serra, não há justificativa jornalística para o destaque que teve na Edição Nacional. Em compensação, uma informação relevante para os leitores do Rio (que recebem a Edição Nacional) foi ignorada pelo jornal, que foi o surpreendente acordo firmado entre o governador eleito Sérgio Cabral e o prefeito Cesar Maia.

Imprecisões

O texto "Cartel pagou ação do M-19, diz informe" (pág. A13 da Ed. Nac.; na Ed. SP, "Escobar financiou guerrilha, diz informe") não informa quantos foram mortos na tomada do Palácio da Justiça, em Bogotá, em 1985. Segundo texto, foram "centenas de mortos". Fala também em "diversos reféns" torturados e assassinados pelas Forças Armadas.

Ortotanásia

Entendo que o caderno "Cotidiano" estava hoje repleto de assuntos relevantes que justificam os destaques que tiveram, como o relatório sobre morte de jovens, o laudo do acidente aéreo que derrubou o Boeing da Gol, o caso da modelo morta por anorexia, o impasse no caso do Incor, o aumento das tarifas de ônibus e (ufa!) o pedágio na marginal. Mesmo assim, acho que ficou prejudicado, principalmente na Edição Nacional, o depoimento mais forte do jornal, a entrevista com a pedagoga Haydee Barone que acompanha o noticiário sobre a ortotanásia ("Com câncer, pedagoga não quer ficar na UTI", C11 da Ed. SP).

"Esporte"

O título da nota da capa do caderno é para iniciados: "Surpresa: Levantadora do Japão é a MVP". O texto não explica o que vem a ser MVP. Supõe que todos os leitores saibam do que se trata.

"Ilustrada"

> O texto "Mídia dos EUA é racista, acusa cineasta" (pág. E6 de "Ilustrada") informa erroneamente que o filme "Caminho para Guantánamo" "estréia hoje no país". No Rio já estreou há dias.

     
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