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27/11/2006
MARCELO BERABA
Economia, política e polícia - o foco da Folha, neste final de semana e hoje, é o governo Lula e o PT:
Sábado - "Governo prevê PIB menor e corta gasto", "Lula afirma que leis travam crescimento" e "Garcia defende PT no poder por uma geração".
Domingo - "Para PF, Berzoini mandou comprar dossiê", "Pressão para crescimento de 5% ao ano divide governo" e "Em discurso, Lula diz que PT não deve brigar por mais cargos".
Segunda - "PT contraria Lula e quer lançar nome à Câmara" e "PF quer ajuda da CPI nas investigações do dossiegate".
A reportagem feita sobre o escândalo dos gastos do governo do Rio no Maracanã - "Novo Maracanã custa estádio de Copa", capa do caderno "Esporte" - merecia destaque na Primeira Página da Folha de domingo. Além do volume de dinheiro envolvido nas obras inacabadas (R$ 252 milhões, segundo o texto), há um outro fator que justificaria o destaque: a aproximação dos jogos Pan-Americanos no Rio. A propósito, nota da coluna de Elio Gaspari ("Gênios do Pan") indica que o jornal deveria estar dando ainda mais atenção para os aspectos orçamentários e para o cronograma de obras dos jogos.
O "Estado" antecipa, na edição de hoje, algumas conclusões do levantamento de salários de juízes feito pelo Conselho Nacional de Justiça - "Lista inédita do CNJ revela super-salários na Justiça".
"Cotidiano"
Há um equívoco na crítica que o Secretário de Segurança de Santa Catarina faz à lei federal que pune com prisão e outras alternativas a violência contra as mulheres ("Lei Maria da Penha é criticada por rigidez", pág. C9 da Edição de sábado), mas a Folha não soube explorar. O problema do linchamento de um preso em Joinville não é a rigidez da lei, mas a negligência e irresponsabilidade do Estado que não protegeu o preso que estava sob a sua custódia. É até procedente a discussão colocada pelo leitor Marcelo Alexandre dos Santos no "Painel do Leitor" desta segunda-feira ("Maria da Penha", pág. A3), mas não é correto o jornal dar aquele título e aquele enfoque ("Lei Maria da Penha é criticada por rigidez") para uma reportagem que ouviu apenas uma crítica, e de um delegado que tenta justificar uma falha do Estado na proteção ao preso.
A propósito da responsabilidade das autoridades policiais, são impressionantes as declarações do chefe da Polícia Civil do Rio, na edição de hoje. Ele atribui a responsabilidade pelo assalto de 18 turistas ingleses sábado à noite no Aterro do Flamengo, no Rio, às empresas de turismo que não pedem reforço de segurança para acompanhar a chegada de turistas à cidade e que não escolhem bem seus funcionários.
Informe publicitário
Há um informe publicitário publicado na edição de domingo (A16) que deveria despertar a curiosidade jornalística da Folha para decifrá-lo. Sem assinatura, o informe condena as "formas precárias de trabalho" - como a contratação de cooperados, pessoas jurídicas ou estagiários sem vinculação com complementação de ensino, práticas comuns hoje nas relações trabalhistas - e foi publicado por acordo judicial. Quem foi processado e fez o acordo na Justiça para a publicação no jornal? Alguma empresa? Não vi o informe em outros jornais. A peça estimula a denúncia destas práticas ao Ministério Público e ao Ministério do Trabalho.
Aliás, a contratação de professores por meio de cooperativas é o tema da capa de "Cotidiano" de hoje ("Em crise, escolas terceirizam professor").
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