Ombudsman Folha   Folha Online
 
28/11/2006

MARCELO BERABA

A Folha recolheu nos autos de uma ação na Justiça do Grupo Bandeirantes contra a Editora Abril informações para continuar a questionar as relações entre o governo federal e a empresa Gamecorp, que tem um dos filhos do presidente Lula como sócio: "Publicidade oficial ajuda a bancar TV de filho de Lula" é a manchete de hoje. O título é uma referência ao acordo que divide a publicidade veiculada na PlayTV entre a Bandeirantes e a Gamecorp. O texto interno me pareceu bem feito, construído a partir de documentos disponíveis na Justiça, e as versões de todos os lados envolvidos estão contempladas ou pelo menos foram buscadas. A manchete e o título interno, no entanto, se referem à "TV de filho de Lula", o que dá a entender que a Play TV (ex-Rede 21) pertence ao filho do presidente. Um dos pontos controversos na ação é exatamente a natureza do acordo, se foi um arrendamento ou uma compra de conteúdo (como defendem os advogados da Bandeirantes).

O "Estado" dá manchete para as contas do setor público: "Estatal poupa menos, mas governo segura superávit". A Folha registrou, sem tanto destaque: "Aperto fiscal até outubro supera meta para todo o ano". E o "Globo" mira os gastos públicos, mas com outras informações: "Prédios do Judiciário têm mais verba que presídios" (manchete), "Governo só liberou 5% para o Pan até agora" e "União gastou R$ 33,7 bilhões com Ongs desde 99".

"Brasil"

> A reportagem "PT considera volta de Berzoini à presidência" (pág. A10 das duas edições) não informa em que mês será realizado o 3º Congresso Nacional do PT em 2007.

A Folha noticiou primeiro a tensão que está por trás da sucessão na presidência da Radiobrás - "Presidente da Radiobrás diz que enfrentou insatisfações" (dia 15/11). O "Estado" entrou depois, mas deu continuidade ao assunto com reportagens ontem ("PT abre guerra interna para 'recuperar' a Radiobrás") e hoje ("Bucci defende blindar Radiobrás contra política"). A discussão sobre comunicação pública é importante e interessa aos leitores. No caso, há aparentemente o embate entre dois modelos antagônicos para a Radiobrás.

"Cotidiano"

Não dá para entender a nota "Mortes ocorridas em maio serão investigadas", página C3 da Edição Nacional. As 493 mortes não foram investigadas até hoje? Que tipo de investigação de 493 mortes pode ser feita em uma reunião apenas, como a de ontem noticiada pelo jornal? E o que ficou decidido nesta reunião?

O "Globo" tem reportagem que desmistifica a idéia, vendida pelos governos estaduais e secretarias de segurança, de que a maioria das armas chega aos criminosos via contrabando. Segundo a CPI sobre Organizações Criminosas do Tráfico de Armas, "86% das armas do crime têm origem legal" e foram desviadas em território brasileiro.

O "Estado" também publica o resultado do levantamento - "Polícia fornece armas ao crime no Rio" -, divulgado ontem em Brasília.

     
Leia colunas anteriores publicadas aos domingos Veja quem já foi ombudsman da Folha

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.