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29/11/2006
MARCELO BERABA
Todos os grandes jornais deram destaque para as prestações de contas à Justiça Eleitoral dos candidatos à Presidência no segundo turno. Os enfoques, no entanto, foram distintos. A Folha e o "Valor" foram direto ao que interessa: a identificação das doações. Manchete da Folha: "Bancos lideram doações a Lula". Chamada no "Valor": "Vale foi maior doadora à reeleição".
"Estado" e "Globo" abordaram por um ângulo secundário, o das dívidas, que não resultam em nada - a não ser que se revelem os doadores que ajudarão a quitá-las. No "Globo": "Rombo de PT e PSDB é de R$ 30 milhões". No "Estado": "Campanha do PT deixa dívida de R$ 9,8 milhões". Quanto mais os jornais detalharem as origens das doações (por setores e interesses, por empresas e grupos e por pessoas físicas) mais estarão contribuindo para a compreensão dos futuros embates próprios do jogo democrático.
A manchete do "Globo" anuncia que a economia para o pagamento de juros cairá para 3,75% do PIB num esforço do governo para estimular o crescimento: "Governo quer investir mais reduzindo superávit fiscal". E o "Estado" destacou o resultado do levantamento de salários feitos pelo CNJ nos Estados: "Justiça paga supersalários para 2.978 servidores".
Fez bem a Folha em dar destaque na Primeira Página da Edição SP para as duas chacinas na Grande São Paulo.
"Brasil"
Como não foi possível, por causa do horário, detalhar as doações feitas por setores, empresas e pessoas físicas a Geraldo Alckmin na Edição Nacional, sugiro que o jornal o faça na edição de amanhã.
Os dados disponíveis no TSE ainda estão subutilizados. O jornal deveria fazer mais cruzamentos para identificar outros grupos de interesse que legalmente contribuíram para as campanhas presidenciais.
O mesmo vale para os senadores e deputados. As informações ainda foram pouco exploradas. A identificação das dezenas de bancadas suprapartidárias que estarão em ação no Congresso é um serviço para os leitores.
O mesmo vale para o Executivo e o Legislativo de São Paulo, onde o jornal tem sede.
E o jornal deve continuar a perseguir os dados referentes às doações que chegaram às campanhas através dos partidos e que ainda não foram identificadas.
Confusão
O jornal ora trata Gedimar Pereira Passos como Gedimar, como no título "Antes de depor, Gedimar foi pago pelo PT" (pág. A8), ora como Passos, como está no corpo da reportagem. Deveria uniformizar o tratamento. Acho que ele já ficou conhecido como Gedimar.
TFP
O anúncio da TFP francesa (Tradição, Família e Propriedade) indica uma grande crise na TFP brasileira que ainda não vi nos jornais.
Judiciário
O "Estado" produziu um infográfico e deu assim mais visibilidade que a Folha para o escândalo dos supersalários no Judiciário. É o tipo de informação que pede tratamento gráfico.
Aviso
Participo amanhã de manhã de seminário na Universidade Gama Filho, no Rio. Por esta razão não haverá a Crítica Interna.
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