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05/12/2006
MARCELO BERABA
A Folha considerou a notícia mais importante do dia as explicações cobradas pelo TSE à campanha presidencial do PT. Como o próprio jornal não soube informar se há ou não ilegalidades nas doações e como a prestação de contas será julgada hoje - e, aí sim, saberemos se houve ilegalidade ou não -, talvez o jornal tenha exagerado no destaque para o assunto com a manchete em seis colunas: "TSE questiona doações eleitorais a Lula". Se o trâmite normal de questionamento do tribunal justifica, na avaliação do jornal, uma manchete em seis colunas, fico imaginando como será a manchete caso se confirme alguma ilegalidade. A ver.
O "Estado" traz o resultado de investigação da Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo: "Secretário denuncia máfia de ONGs em presídios". E o "Globo" dá destaque para a decisão de ontem do Conselho Nacional do Ministério Público: "Promotores elevam próprio teto salarial para R$ 24.500".
As fotos dos três grandes jornais mostram o caos em São Paulo e no Rio: na capital paulista, por causa das chuvas (Folha e "Estado"); no Rio, por causa de um incêndio na ponte Rio-Niterói ("Globo").
Doações
O TSE questiona 22 doações à campanha de Lula. Por que a Folha não publicou a lista completa das 22? O texto do jornal informa que a "maioria dos casos é de repasses suspeitos de serem doações vedadas pela legislação", mas o infográfico "Questionamentos do TSE" (A4) traz apenas seis casos. Como saiu, alguns ficam mais expostos que outros, o que não é correto.
O enfoque da nota de abertura do "Painel" ("Geral e irrestrita") é mais forte do que o da reportagem sobre a cobrança do TSE ao PT. O "Painel" mostra que a decisão de hoje do tribunal interessa a candidatos de todos os partidos, que também receberam ajuda das mesmas empresas e torcem para que as contas de Lula sejam aprovadas.
Projeto gráfico
O jornal tenta inovar com as setinhas, na página A13, que indicam que a coluna "Toda Mídia", dividia em duas partes, segue abaixo do anúncio. Mas para o leitor, a confusão e o incômodo persistem.
Enchente
A crônica da enchente de ontem - crônica, sim, porque tem mais artigos com experiências pessoais de colunistas do jornal do que cobertura propriamente dita - tem uma grande lacuna. Segundo breve menção da Folha, o "prefeito diz que tomou medidas preventivas, mas que o volume de água dos últimos dias tem superado a média de anos anteriores". E a Folha, o que diz? A Prefeitura tomou realmente todas as medidas preventivas? O caos e os prejuízos flagrados pelas fotos do jornal se devem apenas ao volume de água? O jornal também acredita, como já disse o prefeito, que não há solução para as enchentes?
A chuva de ontem não seguiu o professor Pasquale da Aclimação à Água Branca, como dá a entender a chamada da Primeira Página da Edição São Paulo. Isso foi na semana passada, segundo o texto dele. Ontem ocorreu o contrário.
Llosa
A crítica "Na América Latina, Vargas Llosa é o escritor que melhor resiste ao tempo" (E4) deveria ser acompanhada da avaliação em estrelas, não?
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