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11/12/2006

MARCELO BERABA

Todos os grandes jornais tentaram dar um tratamento histórico à morte de Augusto Pinochet, ontem, no Chile. A Folha publicou três fotos (o general e cenas dos que comemoraram e dos que choraram a morte do ditador): "Morre o ditador chileno Pinochet - General de 91 anos era acusado pela morte de mais de 3.000 pessoas durante seu regime, de 1973 a 1990". O jornal trouxe extratos dos comentários de Clóvis Rossi ("Morto na política, o pinochetismo vive na economia") e de Janio de Freitas ("Espírito de ditadura militar sobreviverá").

O "Estado" foi menos explícito na manchete - "Morre Pinochet - ¤ 25/11/1915 ? 10/12/2006" -, mas deu destaque gráfico à edição com o texto principal sobreposto à foto do ditador. No "Globo", "Pinochet morre sem ser julgado e não terá honras". De acordo com o "JB", "Já vai tarde".

Pinochet

Faltou, na Edição Nacional, o noticiário sobre a repercussão da morte de Pinochet nas ruas de Santiago. O texto principal (A8) tem apenas dois parágrafos sobre as manifestações. Com isso, a cobertura acabou com pouca cor local.

O "Globo" trouxe um relato interessante sobre o dilema vivido pela imprensa chilena. Mostra como os meios evitaram usar termos como ditador ou ex-ditador, uma indicação da divisão da sociedade chilena.

Ciência

> Há dois trechos da reportagem "Censo revela a vida das profundezas dos oceanos" (A15) que parecem conter erros. O texto informa que o projeto Censo da Vida Marinha identificou em 2006 500 novas espécies. Informa em seguida que apenas do grupo de anfípodes foram descobertas 500 novas espécies. Ou seja, as 500 novas espécies descobertas pelo programa em 2006 são exclusivamente de anfípodes? É isso?

Em seguida, o texto informa que das "500 novas espécies descobertas", os cientistas acreditam que "12 delas são totalmente novas". Como assim? Ou são novas ou não são novas. Também não entendi.

O texto deveria ter explicado o que são anfípodes.

Nova economia

O "Estado" anuncia a criação do ZAP, novo portal de classificados e negócios on line criado pela associação do grupo Estado e a Infoglobo, que edita o "Globo" e outros jornais.

Fundeb

Se um dos objetivos do Fundeb é exatamente o de "injetar recursos em toda a educação básica pública, principalmente nas regiões mais pobres", é mais do que natural que os Estados do Nordeste e do Norte sejam os mais contemplados com os recursos do fundo. Por isso, me pareceu exageradamente político o enfoque dado pelo jornal para a reportagem de capa de "Cotidiano": "Fundeb segue a rota do Bolsa Família - Estados do Nordeste e do Norte que já são mais beneficiados pelo programa serão também os mais privilegiados pelo fundo". Parece lógico que isto aconteça, não? O próprio jornal vem defendendo investimentos em educação pública como caminho para tirar o país do atraso. Seria estranho se a maior parte dos recursos fosse para São Paulo, por exemplo.

As críticas de Célio da Cunha ("Fundeb falha ao não definir metas, afirma especialista", C3 na Ed. Nac. e C4 na Ed. SP) têm mais consistência do que os receios levantados pelos políticos de oposição ouvidos pelo jornal e do que as defesas óbvias colhidas no governo.

Aviso

Participo amanhã, em São Paulo, da comissão julgadora do Prêmio Folha. Por esta razão não haverá a Crítica Interna.

     
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