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14/12/2006
MARCELO BERABA
A Folha tem informações, recolhidas de fontes não identificadas, que indicam que o Planalto trabalha "reservadamente" com uma previsão de crescimento econômico menor do que o presidente anunciara após a reeleição: "Lula já admite que país crescerá menos que 5% em 2007". No relato que faz da reunião do conselho político (página A8), o jornal colheu impressão que confirmaria a informação da manchete: "Num tom que já admite que dificilmente alcançará os 5% de crescimento do PIB que prometeu, Lula falou que as medidas que pretende implementar precisariam contar com apoio dos aliados". O jornal deveria ter reproduzido alguma frase do presidente que ilustrasse o "tom" percebido pela reportagem. As reclamações do presidente em relação ao que ele considera entraves para o crescimento já não são novidades para que sejam entendidas como este "tom", que é a novidade.
O "Estado" destaca que "Empresas aéreas querem FAB fora da aviação civil" e o "Globo" que "Cidades médias do país concentram a riqueza".
Conselho e movimentos
Estão incompletos os relatos feitos pelo jornal dos dois encontros de ontem do presidente Lula com os presidentes dos partidos aliados (o conselho político) e com os líderes dos principais movimentos sociais. A cobertura do jornal (A8) se preocupa com a reconstituição dos encontros, mas omite as reivindicações que foram encaminhadas ao presidente. Embora muitas vezes estas reivindicações sejam para inglês ver, o jornal deveria levá-las a sério e publicá-las para que o leitor tenha noção dos temas, propostas e exigências que estão em jogo e que de alguma forma balizarão a relação do governo com os dois setores (político e social).
Segundo a coluna "Toda Mídia", na mesma página A8 da Edição Nacional, os movimentos sociais encaminharam ao presidente um documento (ao qual também o "Painel" faz referência nas notas "Censura prévia", A4) com oito prioridades. Quais são estas prioridades?
A reportagem "Lula sinaliza reformas de trabalho e Previdência", em "Dinheiro" (B4), também faz referência ao documento da CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais), mas apenas do trecho que trata das reformas trabalhista e previdenciária.
E o resto? A reprodução, mesmo que resumida, dos principais pontos do documento era importante para que o leitor pudesse se informar e tirar as suas conclusões.
A mesma coluna "Toda Mídia" informa, adiante, que os presidentes dos partidos que participaram do conselho levaram uma lista extensa de exigências. Quais?
Como o leitor pode avaliar estas reuniões e acompanhar a partir de agora o relacionamento do governo com os partidos aliados e com os movimentos sociais se não sabe o conteúdo dos documentos (formais ou informais) que foram encaminhados ou apresentados ao presidente?
Ministério
Segundo o "Globo", "Futuro incerto faz Furlan chorar em público".
Caso de polícia
A Folha publica hoje, na página C6 da Edição Nacional, a história do radialista de Pernambuco acusado de abuso sexual ("Apresentador de TV é acusado de abuso sexual"). Até agora não há provas. Uma suposta vítima confirmou que sofreu violência e outra negou. O acusado nega. A polícia abriu inquérito. Pode ser que ele seja culpado, pode ser que não. A história não parece conhecida? Por que a Folha se sente segura em identificar o acusado ainda sem prova definitiva?
Periferia
Muito boa a discussão aberta sobre os filmes e programas de TV que retratam a periferia - "Estudos analisam inclusão 'na marra' de periféricos" ("Ilustrada", E6 e E7). Faltou, no entanto, a palavra da própria televisão - formalmente ou através de diretores e artistas envolvidos com os programas que retratam a periferia. É estranho, por exemplo, não ouvir a própria Regina Casé, que deve ter também um ponto de vista sobre a discussão
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