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19/12/2006

MARCELO BERABA

Folha e "Estado" permanecem firmes no destaque do escândalo dos supersalários dos congressistas. O "Estado" parece mais otimista em relação a uma reversão. O "Globo" destaca o escândalo na polícia do Rio.

Folha - "Cúpula do Congresso ignora pressões e mantém os 91%".

"Estado" - "Pressão sobre o Congresso já ameaça supersalários".

"Globo" - "Governo sabia há 2 anos do envolvimento de Álvaro Lins".

Ontem, a Folha fez uma aposta e errou: "Apesar disso, a Fifa deve anunciá-lo [Ronaldinho] hoje como melhor do mundo pelo terceiro ano consecutivo". Este foi o texto na Primeira Página. Internamente, o jornal foi ainda mais incisivo: "Mais do que um concorrente [ao prêmio de melhor jogador do ano], o brasileiro é o virtual ganhador". Embora tenha citado o jornal "Marca", da Espanha, que havia garantido que Ronaldinho ganharia o título, e a rádio "Cadena Ser", que informava que o jogador italiano Cannavaro seria o vencedor, a redação feita pela Folha na capa do jornal e internamente dava a entender que o jornal se baseava em informação própria e que não tinha dúvidas de que Ronaldinho ganharia o prêmio. A linha fina sob o título interno foi na mesma direção: "Um dia após a derrota no Japão, jogador deve receber, pela 3ª. Vez consecutiva, prêmio de melhor do mundo da entidade".

Como se viu, o jornal estava mal informado e fez uma aposta, que deu errado. Acho que deveria publicar uma correção. Além do reconhecimento do erro, é uma forma de o jornal sinalizar que jornalismo não é aposta.

O "Dicionário de 2006" de Maria Inês Doici (C2) merecia uma chamada na Primeira Página.

Supersalários

O "Globo", o "Estado" e vários jornais trouxeram a foto do senhor que se acorrentou a uma pilastra do Senado para protestar contra os supersalários dos congressistas. É uma das imagens de ontem, mas a Folha não publicou.

O infográfico "Para barrar o aumento salarial" (A4) deixou de fora, na parte que trata das ações no Judiciário, a ação popular, recurso usado por Fábio Konder Comparato (A6).

São Paulo

Segundo o "Estado", o governador eleito José Serra criará 141 cargos de confiança para estruturar três novas secretarias. O custo calculado pelo jornal das novas contratações é de R$ 4,5 milhões ao ano. A Folha já defendeu em editorial "a redução significativa dos cargos de confiança na administração federal" (12/11). Imagino que a defesa se estenda às administrações estaduais.

Segundo o "Estado", o governo de São Paulo já tem 15.436 cargos de confiança.

Jornalista

A Folha informou que o jornalista José Messias Xavier, acusado pelo Ministério Público de receber dinheiro de uma organização criminosa e demitido ontem da TV Globo, produziu 52 reportagens assinadas para a Folha em 2005, sendo que duas delas envolviam Fernando Iggnácio (capa da Edição Nacional e C6 da Ed. SP). O jornal anunciou que "irá investigar toda a produção do jornalista entre junho e outubro de 2005, período em que manteve com ele um contrato temporário, e tornará pública correções que se mostrem necessárias".

Excelente iniciativa. Deve ser feita com cuidado mas o mais rapidamente possível.

Protestos

A Folha dá mais espaço para as agressões sofridas pela imprensa do que as que sofreram os manifestantes que protestavam, diante da Prefeitura de São Paulo, contra o reajuste nos ônibus ("Estudantes tentam invadir prefeitura", C5 na Ed. SP).

     
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