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20/12/2006
MARCELO BERABA
Os principais jornais mantiveram o foco nos supersalários dos congressistas:
Folha - "STF obriga Congresso a votar aumento".
"Estado" - "STF anula supersalários e Congresso revê aumento".
"Globo" - "STF veta R$ 24.500 e agora Congresso tenta R$ 16.500".
"Correio Braziliense" - "Superaumento - Imoral, ilegal e só vale se for no voto".
Supersalários
É muita bondade ou ingenuidade do jornal chamar de "Trapalhada" a decisão tomada semana passada pelas Mesas da Câmara e do Senado de aumentar os salários dos congressistas em 91% (infográfico "Aumento salarial barrado no STF", A5).
Meio ambiente
Está incompreensível a nota "PF prende suspeito de corte de madeira" na página A13 da Edição Nacional. O que é "área de pesquisa da cidade"?
Sem-teto
Não consegui entender o critério jornalístico que fez o jornal mudar a capa da Edição São Paulo de "Cotidiano". O estudo da Unicef que aponta 33 escolas públicas como modelos a serem seguidos ("Ensino público tem 33 escolas modelo", capa da Edição Nacional) é muito mais importante, sob qualquer ponto de vista, do que a história do prédio da área nobre dos Jardins ocupado, com a autorização do proprietário, por pobres ("Sem-teto é usado para forçar venda nos Jardins, diz vizinho"). É um assunto privado que mereceria no máximo algum registro no jornal, por causa da queixa na polícia, mas não uma primeira página de caderno. É a minha opinião, claro.
Há uma impropriedade (sem trocadilho) na reportagem. Como o próprio texto informa, uma das moradoras do prédio tinha antes residência em Itaquera. Não pode ser chamada, portanto, de sem-teto.
A história do prédio da Oscar Freire mereceu muito mais espaço do que o incêndio que destruiu 200 barracos e deixou cerca de mil desabrigados (segundo o "Estado") numa favela em Santos (texto-legenda na página C3 da Edição SP).
São Paulo
O secretário estadual mais polêmico da gestão que agora termina, o de Segurança Pública, deixa o governo paulista e o fato merece apenas uma nota na Folha ("Saulo de Castro deixa a secretaria após cinco anos", C3 da Ed. SP).
Segundo o registro do jornal, ele deixou a secretaria às 16h20 e entrou em férias. Dava tempo, portanto, para o jornal produzir um bom balanço do que foi a sua gestão e alguma repercussão.
A Folha registra que "Câmara aprova Orçamento de 2007 para SP" (C7 da Ed. SP), mas não informa sequer o valor do Orçamento aprovado. Eis um assunto árido, mas que o jornal deveria mostrar como é importante para paulistano. A nota não faz referência a valores nem a prioridades. É apenas um registro formal (e incompleto) da aprovação.
Futebol/Resposta
Recebi, via Secretaria de Redação, a seguinte resposta do editor de Esporte, José Henrique Mariante, ao comentário que fiz ontem a propósito do resultado final da eleição do melhor jogador de futebol pela Fifa:
"Sobre o comentário do Ombudsman na crítica interna de hoje (19/12), Esporte argumenta:
Se a apuração da Folha fosse uma mera aposta, ao primeiro sinal de dúvida o mais lógico seria mudar essa aposta. No entanto, era uma apuração e, sendo uma apuração, foi mantida apesar de tendência contrária apontada por veículos da Europa na noite de domingo. Esta foi acrescentada ao texto e à lupa na Edição SP para dar espaço ao contraditório. Alterar todo o noticiário a partir dessa tendência seria, aí sim, apostar. Em outras palavras, tomamos um furo.
Episódios como esse comprovam a importância do enviado especial. In loco, a chance da Folha seria outra. Teríamos, no mínimo, mais condições de checar a nova tendência, como aconteceu, por exemplo, com o UOL, que tinha um profissional em Zurique".
Estou de acordo com um ponto da argumentação: melhor teria sido se o jornal tivesse enviado um jornalista para a cobertura. Mas, ao não fazê-lo, deveria ter sido cauteloso. E, se não foi uma aposta - e não tenho por que duvidar do editor -, deveria reavaliar suas fontes na Fifa que o induziram ao erro de informação.
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