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22/12/2006
MARCELO BERABA
O caos e o desrespeito nos aeroportos:
Folha - "Governo culpa empresas pelos atrasos nos vôos".
"Estado" - "Lula culpa empresas aéreas pelo apagão".
"Globo" - "Autoridades se acusam e o caos aéreo só aumenta".
É um exagero a Folha destacar na Primeira Página que "Novo marido de Suzana Vieira é preso com outra mulher em motel". É notícia velha e foge do perfil do jornal. Além disso, a reportagem interna não acrescenta nada ao que os jornais de ontem já tinham publicado. Se o jornal considera o assunto tão importante a ponto de chamar na capa, deveria ter pelo menos trazido informações novas.
Incentivos
O jornal não explicou ontem nem hoje por que a Câmara dos Deputados ignorou o acordo entre os ministérios da Cultura e dos Esportes e derrubou as emendas do Senado, aprovando um texto da Lei do Esporte que contraria os interesses da área de cultura.
A reportagem "Governo vai rever Lei do Esporte para evitar choque com cultura" (A3) informa que "dentro do MinC não havia até o fechamento desta edição uma avaliação consensual sobre as razões que determinaram a quebra do acordo". E a apuração da própria Folha? O jornal não acompanhou a votação? Se sim, deve saber o que aconteceu e deveria ter reportado. Se não, já teve tempo para reconstituir a sessão e informar a seus leitores o que fez os deputados atropelarem o acordo referendado no Senado. O produtor cinematográfico Luiz Carlos Barreto levanta algumas "hipóteses" para explicar a votação da Câmara. Mas, são hipóteses. Cabe ao jornal contar o que de fato ocorreu e os bastidores da decisão dos deputados federais.
Além disso, nenhuma das quatro reportagens que compõem a cobertura relembra o teor do acordo firmado entre as áreas de esportes e cultura para evitar a perda de verbas para a área cultural. Os textos se referem a um acordo, a mudanças negociadas e fazem outras referências vagas. A falta de memória prejudicou a compreensão da cobertura.
Salário mínimo
O "Estado" não acreditou muito na versão do governo, bem aceita pela Folha no texto "Mínimo de R$ 380 foi 'acerto pós-eleitoral'" (A9), de que a própria equipe econômica já trabalhava como o valor de R$ 380 para o salário mínimo. O "Estado" mantém a interpretação de que a equipe econômica foi derrotada: "Lula minimiza derrota de Mantega".
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