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15/01/2007
MARCELO BERABA
O desabamento na estação em obras do metrô de Pinheiros, em São Paulo, é o assunto mais importante dos jornais paulistas desde sábado. As manchetes da Folha foram sempre mais cautelosas do que as do "Estado":
Folha - "Desastre no metrô abre cratera em SP" (sábado), "Equipes buscam soterrados no metrô" (domingo) e "Resgate localiza van nos escombros" (hoje).
"Estado" - "Cratera engole veículos e deixa desaparecidos" (sábado), "Pressa na execução da obre pode ter causado acidente" (domingo) e "Achar sobreviventes é 'pouco provável'" (hoje).
Desastre
Achei a cobertura da Folha nos três dias bem feita e bastante completa. O jornal não foi tão incisivo quanto seu concorrente em apontar responsabilidade, mas as principais frentes da cobertura foram exploradas: o relato do acidente, o acompanhamento dos dramas das vítimas, as explicações oficiais, o questionamento com a ajuda de técnicos especialistas, os antecedentes do acidente, os direitos dos atingidos. O trabalho da Editoria de Arte merece um destaque positivo. O jornal agiu bem em trazer, já na edição de hoje, um editorial sobre o acidente, "Desastre no metrô".
O jornal está agora diante do desafio de dar continuidade à cobertura com embasamento técnico para enfrentar a avalanche de desculpas e explicações "técnicas" que já surgem. Alguns leitores e especialistas já ouvidos pela imprensa questionam as explicações dadas até agora pelos responsáveis pela obra e que atribuem o acidente à chuva e ao terreno, como se fosse inevitável a tragédia.
O "Estado" me pareceu mais crítico em relação aos questionamentos dirigidos às autoridades estaduais. Segundo o jornal, "Assessoria tentou blindar Serra" na sexta-feira, no dia do acidente.
Duas reportagens da Folha me incomodaram pelo tom que resvala num quase deboche ou numa tentativa (inoportuna) de fazer gracinha: "Vizinhos do acidente deverão ficar em hotéis até quarta-feira, pelo menos" (C4 de domingo) e "No domingo de sol, cratera vira atração para dezenas de pessoas" (C5 de hoje).
O último texto traz uma informação relevante, embora incompleta, que ajuda a entender (e não a justificar) como parte da imprensa é movida pelo sensacionalismo: o repórter da Folha registrou o momento em que um colega de outro veículo é instado pela Redação a buscar uma imagem de impacto - "Eles querem gente chorando".
> Está errada a legenda da foto principal da página C3 da Edição Nacional. O texto troca as identidades da mulher e da irmã do motorista da van desaparecido na cratera do metrô.
América Latina
É notável o esforço que a Folha faz para garantir, a partir da Redação, uma boa cobertura da América Latina. Mas não é suficiente.
O jornal tem hoje um repórter em Quito, para a posse do novo presidente do Equador, Rafael Correa, e vem publicando desde sábado entrevistas e análises sobre a Venezuela e a Bolívia. Ainda assim, as interrogações que ficam sobre os acontecimentos na Venezuela e a ampliação da crise na Bolívia mostram como este esforço já deveria ter sido ampliado com o envio de repórteres para Caracas e Cochabamba (ou La Paz).
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