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02/02/2007
MARCELO BERABA
A manchete da Folha é um mero registro de um fato que já havia sido exaustivamente explorado ontem por todos os meios de comunicação que concorrem com os jornais. Não acrescenta nada, nem informação nem interpretação, ao que os seus leitores já sabiam via TVs, rádios e internet -"Chinaglia é o novo presidente da Câmara". Nem a linha fina que complementa o título dá qualquer pista do significado da vitória do petista - "Com 18 votos de diferença, petista vence Aldo Rebelo (PC do B); Renan Calheiros (PMDB) é reeleito no Senado". A Edição SP da Folha ainda tem uma chamada que avalia o resultado da disputa pelas presidências da Câmara e do Senador - "PT é o grande vencedor; PSDB sofre desgaste no Congresso". A Edição Nacional nem isso tem.
O "Estado" também opta pelo registro do já conhecido - "Chinaglia vence Aldo por18 votos" -, embora acrescente uma pitada de avaliação própria - "Presidente Lula vence na Câmara, mas margem apertada mostra a divisão da base aliada".
O "Globo", entre os grandes, foi o único que avançou no título: "Acordo com PSDB garante vitória de petista na Câmara". O "Correio Braziliense" também aponta para o acordo com o PSDB: "A supremacia PT - Acordo com tucanos assegura vitória de Chinaglia".
"Painel do Leitor"
A carta "Educação superior" (A2), do secretário José Aristodemo Pinotti, traz uma informação nova - foi alterado o decreto sobre o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) e o secretário não mais o presidirá. Além disso, explica as razões do contingenciamento das verbas para as universidades. O caráter informativo da mensagem deveria ter levado o jornal a publicá-la como informação oficial no caderno "Cotidiano", junto com as informações prestadas pelo governador José Serra (C11 da Edição SP), e não no "Painel do Leitor", tirando espaço dos que querem se manifestar. Como ficou, o jornal publicou duas vezes as mesmas informações, sendo que em uma delas ocupou o espaço do leitor.
Congresso
A reportagem "Bancada pró-Lula na Câmara cresceu 39% de 2003 para agora" (A7) informa que, tal como em 2003, a base de apoio ao governo petista está se reforçando com o crescimento de partidos, como o PR (antigo PL), que atraem novos deputados com a promessa de cargos federais. E cita dois exemplos de mudanças partidárias conquistadas pelo PR com promessas dos tais cargos: Maurício Quintela (PDT-AL) e Lúcio Vale (PMDB-PA). Não entendi a lógica destas trocas partidárias. Segundo o infográfico publicado pelo jornal na mesma página ("A evolução da base de apoio a Lula"), o PDT (de Maurício Quintela) e o PMDB (de Lúcio Vale) já fazem parte da base aliada. Se assim é, por que os seus deputados teriam de mudar de partido para conseguir cargos no governo? Não faz sentido.
Há ainda uma imprecisão na reportagem. No infográfico, o PTB consta na cota dos partidos da situação (que apóiam o governo Lula), mas no texto está dito que ele "ainda espera algumas definições sobre o rumo de sua direção nacional". Afinal, o PTB está na base aliada ou não?
O "Estado" faz conta diferente da Folha. No levantamento deles, os partidos da coalizão têm 321 deputados; a Folha calcula a base do governo em 352 deputados.
iFHC
Segundo o "Estado", o Ministério Público de São Paulo "abriu ontem investigação sobre a doação de cerca de R$ 500 mil feita pela Sabesp ao Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC)". É importante e não vi na Folha.
Juros
> O infográfico "Trajetória de queda", que ilustra a reportagem de capa de "Dinheiro" sobre a ata do Copom, informa erroneamente que a taxa de juros em janeiro caiu para 12,75%.
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