Ombudsman Folha   Folha Online
 
08/03/2007

MARCELO BERABA

A manchete da Folha de hoje - "Divergências precedem visita de Bush" - é igual à manchete do "Globo" de anteontem - "Divergências já ameaçam sucesso da visita de Bush".

No "Estado", na edição final, "Brasil recebe Bush, mas recusa oposição a Chávez". O jornal começou a circular com outra manchete, "São Paulo facilita o controle da gravidez". O "Globo" jogou a visita do presidente dos EUA para o pé da capa: "Bush chega hoje sob protestos". No "Valor", "Lula vai pedir a Bush queda gradual na tarifa do etanol". Mas a manchete do jornal econômico é outra, "Governo busca saída para viabilizar usina no Ceará".


O "Globo" destacou o resultado das votações no Congresso do pacote de segurança: "Preso por crime hediondo ficará mais tempo na cadeia". Na Folha, "Congresso limita benefícios a presos". E, no "Estado", "Câmara aprova agilização de julgamento".


A iniciativa positiva da Folha de promover um debate sobre clima com o cientista Carlos Nobre se perde na chamada sem qualquer apelo da Primeira Página. A Edição Nacional sequer se refere à sabatina: "Ciência - País sabe pouco sobre impactos do efeito estufa".


É muito boa a foto de Lula na capa da Folha. A melhor entre os registros feitos pelos três grandes jornais.


Bush

Ficou confusa a Primeira Página da Edição São Paulo da Folha. A visita de Bush está espalhada pela capa sem critério gráfico. Começa com uma manchete que fala em divergências, segue com um título sobre os transtornos do trânsito na cidade e termina com uma foto ("Hostilidade") sobre protestos a Bush na Câmara perdida no pé da página, já sem qualquer conexão com a manchete que fala em divergências e protestos.

A cobertura na Edição Nacional está uma barafunda. A repercussão do governo brasileiro ao relatório crítico do Departamento de Estado dos EUA sobre a situação dos direitos humanos no Brasil ficou perdida no penúltimo parágrafo da reportagem que abre o caderno, "Divergências e protestos marcam chegada de Bush" (A4). Embora seja o fato mais importante a caracterizar as divergências no dia de ontem (tanto que foi para a linha fina da manchete), a nota do Itamaraty entra num balaio de protestos como se fosse mais um: "Até o Ministério das Relações Exteriores protestou ontem, mas contra... etc".

Os protestos organizados pelo PT, que deveriam estar junto com os outros protestos noticiados na página A4, estão na página A5, que trata do esquema de segurança ("Segurança terá 4.700 brasileiros").

O jornal não deu destaque para a reação de Serra, governador de São Paulo e que também receberá Bush, ao documento dos EUA sobre direitos humanos. Foi a resposta mais direta e deveria ter tido algum realce.

É Felipe Calderón, e não Felipe González, o nome do presidente do México ("Toda Mídia", A7).

     
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