Ombudsman Folha   Folha Online
 
18/08/2004

MARCELO BERABA

A Operação Farol da Colina e a Olimpíada são os assuntos das capas de hoje. As fotos são de Atenas: mais um bronze para o judô e a vitória no vôlei masculino. As manchetes: Folha: "PF prende 63 doleiros em 7 Estados"; "Estado": "PF prende 63 em megaoperação contra o envio de US$ 20 bi para o exterior"; "Globo": "PF prende 62 por evasão de US$ 20 bi em 8 estados".

Olimpíada

O quadro completo de medalhas não ocupa tanto espaço e é uma informação relevante para o leitor que gosta e acompanha a Olimpíada. O quadro mostrado na TV é difícil de ser memorizado. O leitor procura no jornal, no dia seguinte, a relação completa. Só a Folha e o "JB" não estão publicando o quadro completo.

O "Estado" e o "Globo", além do quadro de medalhas, estão com um serviço mais completo de resultados. A Folha publica apenas os resultados dos atletas brasileiros e a relação dos premiados com ouro. O "Estado" traz um quadro com todos os resultados de onze esportes, incluindo tempo (no caso da natação), pontuações e placares. O "Globo" não traz todos os resultados, mas edita um quadro com todos os medalhistas (e não apenas os que conseguiram ouro) e outro, com mais informações do que o da Folha, com os resultados do Brasil. Não tenho dúvida de que a página de resultados ("Politécnico") e da programação da Folha (Especial 2) é a mais bonita e bem resolvida visualmente. Mas o serviço está incompleto. E este serviço, insisto, é um dos trunfos que os jornais têm em relação às TVs.

A respeito das minhas observações de ontem relativas à cobertura da Olimpíada, recebi, via SR, o seguinte comentário do editor de Esporte, Melchíades Filho: "O ombudsman reclama espaço para a cobertura de resultados e personagens de outros países _e diz ter a sensação de que os concorrentes vêm destacando mais o noticiário extrabrasileiro. Bem, eu procurei fazer a comparação rigorosa sugerida pela crítica interna. O resultado aponta justamente o inverso. O caderno Atenas 2004, da Folha, publicou 38 abres noticiosos (não incluem páginas preenchidas totalmente com seções fixas, de infográficos/tabelões/fotos) até esta terça-feira. Desse total, 9 (23,6%) foram dedicados a atletas/times estrangeiros e 25 (65,7%) a brasileiros Em OESP, os números são 46 _6 (13%) e 31 (67,4%). No Globo, 41 _5 (12,1%) e 31 (75,6%). A Folha conseguiu entrevistas exclusivas com Michael Phelps, Martina Navratilova, Roger Federer, Cornelia Pfohl e Jennie Finch, personagens desta Olimpíada. Não vi nenhum investimento do gênero na concorrência na primeira semana. O levantamento deixa claro que a equipe de Esporte, em São Paulo e em Atenas, concorda com o ombudsman e tem a preocupação de não limitar a cobertura olímpica às fronteiras brasileiras. Uma edição como a de amanhã (hoje), quase toda verde-e-amarelo, não é nem será a marca-registrada do caderno."

Farol da Colina

Não há nem como comparar a cobertura que a Folha traz hoje da operação Farol da Colina, em que foram presos 63 doleiros, com as de seus principais concorrentes. O "Estado" e o "Globo" trazem muito mais informações relevantes sobre a operação e seus antecedentes, sobre os presos e sobre a articulação da força-tarefa do que a Folha. O nosso material foi todo comprimido em quatro colunas, enquanto o "Globo" dispôs de um espaço equivalente a quase quatro páginas e o "Estado", de quase duas.

A Folha tem, de diferente, apenas duas retrancas: uma que sugere que o relator da CPI pretendia restringir as prisões de doleiros, e outra, curiosa, que mostra o medo que tomou conta dos moradores da zona sul do Rio. É muito pouco.

Este foi o principal assunto de ontem, manchete da Folha e de todos os jornais, e tem implicações grandes com várias outras investigações que estão em curso. Mesmo com menos espaço que os concorrentes, o jornal deveria ter dado melhor o assunto.

A Folha diz que foram 103 mandados de prisão e 147 mandados de busca e apreensão. O "Estado" fala em 123 e 208. E o "Globo", em 123 e 215.

Eleições

Fugiu completamente do padrão gráfico da Folha, e por isso ficou muito estranha, a página sobre a programação eleitoral na TV na Edição Nacional. As fotos arredondadas e a diagramação não lembram em nada o projeto gráfico do jornal. As reproduções de TV foram abertas além do razoável e ficaram sem qualidade gráfica. A Edição SP foi melhorada.

Venezuela

O jornal fez uma cobertura do plebiscito da Venezuela bem equilibrada, com a preocupação o tempo todo de apresentar argumentos dos dois lados que dividiram o país. É um padrão para outras coberturas difíceis e que exigem o mesmo equilíbrio.


     
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