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19/08/2004
MARCELO BERABA
A Folha começou a rodar com uma manchete sobre acordos salariais - "Trabalhador consegue repor inflação" - e trocou-a, na Edição São Paulo, pela decisão do Supremo sobre os aposentados: "STF aprova a contribuição de inativos". Este foi o assunto principal de todos os jornais. O "Estado" que circula no Rio (edição das 21h55) já veio com a manchete "Supremo mantém cobrança de inativo". Continua aquela dúvida: se os dois jornais têm distribuição compartilhada, como o "Estado" consegue fechar mais tarde e, portanto, chegar mais atualizado ao Rio?
As manchetes foram muito parecidas, apenas o registro da decisão do STF. Exceção para o "Valor": "Taxação de inativos passa no STF e anima mercados".
Fotos de Atenas e Haiti, Olimpíada e futebol.
Manchete
Vejo um problema na escolha da manchete da Edição Nacional ("Trabalhador consegue repor inflação"), trocada depois pela decisão do STF. Se aquele era o assunto mais importante até o fechamento da Edição Nacional, por que, ao mudar a manchete na Edição SP, o assunto vira uma chamada pequena, abaixo da dobra? Imagino que, se era tão importante a ponto de ser manchete, deveria ter sido mantido com destaque no alto do jornal, abaixo da nova manchete. Ou não era tão importante.
Aliás, a reportagem que gerou a manchete da Edição Nacional não foi sequer a matéria principal da página 12, de "Dinheiro", que preferiu destacar, nas duas edições, a expansão do volume de vendas do comércio ("Comércio bate recorde com renda maior").
Olimpíada
O caderno está bom, bons textos, enfoques que fogem da obviedade. Mas continua avaro em informações básicas para quem quer acompanhar as modalidades. Exemplo: o vôlei feminino. O jornal só informa a classificação do grupo A, do Brasil. E o leitor fica sem saber os resultados até agora dos jogos do Brasil e dos outros concorrentes (inclusive da chave B) para fazer comparações e suas próprias projeções. São tabelas que não ocupam muito espaço e que, repito, só os jornais podem oferecer. Esta é uma diferença para as TVs.
Outro exemplo, os recordes. Ontem, na natação, foi batido o recorde mundial no revezamento 4x200 feminino. Bastava uma indicação na relação das medalhas de ouro (pág. Especial 2).
Venezuela
O "Globo" conseguiu entrevista exclusiva com Hugo Chávez, o presidente vitorioso da Venezuela.
Caso Banestado
Folha, "Globo" e "Estado" têm acesso aos documentos da força-tarefa e enfoques parecidos: agora é a vez dos clientes dos doleiros. Os dois jornais concorrentes continuam investindo nos rescaldos das prisões e apreensões de anteontem. O "Estado", por exemplo, informa que está preso no Rio o administrador das contas Beacon Hill, conta esta que, investigada nos EUA, deu origem às informações que permitiram as prisões no Brasil.
Chachapoyas
O "Globo" aproveitou melhor a descoberta de ruínas de mais uma cidade perdida na Amazônia peruana: "Descoberta no Peru cidade do povo das nuvens". O jornal do Rio investiu em fotos, arte e texto de apoio. Na Folha, saiu apenas um texto-legenda ("Esquecido", na página A 16, de "Ciência"), com uma foto horrível e que pouco informa. Acho que o jornal perdeu uma boa história.
FMI
Manchete de "Dinheiro" na Edição Nacional: "Brasil já prevê tirar R$ 2 bi de aperto fiscal". Na Edição SP, a previsão cresce: "Brasil já prevê tirar R$ 3 bi do aperto fiscal". Tanto faz, são apenas projeções.
Ciência
Recebi do editor de Ciência, Claudio Ângelo, via SR, o seguinte comentário:
"Em sua crítica interna de 13/8, o ombudsman diz que acha 'meio despropositado' o título da reportagem 'Onda de calor será mais intensa em 2080', publicada em Ciência. Modelos climáticos como o que deu origem à pesquisa relatada na reportagem são, por definição, 'projeções'. Ainda assim, eles são a melhor ferramenta de que a ciência dispõe para investigar o futuro. Foi com base em projeções até menos precisas que a ONU criou a Convenção do Clima e o Protocolo de Kyoto, em 1992 e 1997, respectivamente. De resto, a reportagem explica os 'senões' do modelo adotado pelos pesquisadores americanos".
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