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20/08/2004

MARCELO BERABA

O assunto mais forte, o de mais impacto para os paulistanos, foi a chacina de moradores de rua, ocorrida ao longo da madrugada no centro da cidade.

Dez infelizes foram atacados a pauladas, deixados estirados nas ruas, e três mortos -- esse é um caso para chocar qualquer cidade e, na minha opinião, deveria ser a manchete dos jornais de São Paulo. Se o mesmo caso tivesse ocorrido no Rio, provavelmente seria a manchete dos jornais locais. É uma agressão aos moradores de São Paulo, um escárnio com as autoridades policiais e a política de segurança do governo do Estado, uma afronta às vésperas de uma eleição municipal. É mais forte, acho, do que o estudo da Fundação Seade, que aponta para um problema também sério, mas que são números. Sem foto, sem uma arte que mostrasse o local dos crimes, sem um recurso gráfico que valorizasse a notícia, ela foi dada na primeira página sem a indignação que o jornal costuma se permitir em casos de afrontas à cidadania.

A repercussão da decisão do STF sobre os aposentados e pensionistas foi a manchete de quase todos os jornais, e a Folha foi uma das exceções. O jornal optou pelo estudo da Fundação Seade: "Área pobre de SP concentra mais jovens".

Outras manchetes:

"Estado": "Estados atacam novo teto de inativo";

"Globo": "Nova regra isenta de taxação 468 mil servidores inativos";

"JB": "Aposentados têm direito a devolução".

O "Valor" deu manchete para exportação ("Múltis usam o Brasil como base de exportação à África") e, no caso dos inativos, deu chamada com o mesmo enfoque do "Estado": "Decisão do STF prejudica Estados".

As fotos da Folha ainda são da Olimpíada. O "Estado" trouxe foto de bombardeio no Iraque, e o "Globo", de destruição de armas. Nos jornais de banca do Rio ("O Dia" e "Extra"), o assunto (com fotos) é o tratamento de Maradona em Cuba: "Sexo, cocaína e Maradona", resume o "Extra".

Previdência

Para aposentados e pensionistas que foram descontados e têm agora direito à devolução, o que interessa é saber quando vão receber.

A Folha informa, em suas duas edições, que "o governo ainda não definiu como e quando vai devolver o dinheiro" e que "ainda não há cronograma para a devolução" (pág. A7).

O "Globo", no entanto, informa que a devolução será feita em três parcelas, a partir de setembro. Segundo o jornal carioca, "Lula determinou pressa na devolução" em reunião no Planalto.

O "Estado" lembra um aspecto que não vi na Folha: as categorias que não vinham sendo descontadas por decisões judiciais (auditores fiscais e policiais federais) agora terão de pagar o desconto retroativamente.

A Folha tem bastidor que mostra os próximos passos do governo, que agora se sente mais confiante com a decisão do STF. Segundo o texto, o Planalto avalia que a decisão quebra o "mito da cláusula pétrea do direito adquirido" e "abre portas" para as reformas trabalhista e sindical.

Análise no "Valor" ("Direito adquirido já não tema intocável") e editorial do "Estado" têm avaliação semelhante.

ANJ

> Sylvino de Godoy Neto é diretor-presidente do "Correio Popular" de Campinas, e não de Ribeirão Preto, como está na Edição Nacional ("ANJ defende liberdade de expressão", pág. A10).

ONU

O texto-legenda que a Folha publica na pág. A13 a propósito da cerimônia em homenagem aos mortos no QG da ONU em Bagdá não relata o que de fato aconteceu ontem em Genebra. Segundo o "Estado" e o "Globo", Gilda, a mãe de Sérgio Vieira de Mello, teve de quebrar o protocolo da cerimônia duas vezes para marcar seu protesto pela forma como o caso vem sendo tratado pela ONU. Não consigo entender porque a Folha reduziu o relato da cerimônia e os protestos a um texto-legenda sem notícia.

Chacina

Quem é o governador de São Paulo, responsável pela segurança pública do Estado e da cidade de São Paulo? Geraldo Alckmin não aparece nas reportagens sobre a chacina de moradores de rua. O jornal chega a escrever o seguinte trecho sem citar o nome do governador: "A prefeitura divulgou nota com críticas à ação do Estado, comandado pelo PSDB, partido de José Serra, principal adversário da petista na disputa" (pág. C3 da Edição SP).

"Toda mídia" (A10) cita declarações equivocadas na TV do secretário de Segurança. Elas estão perdidas no texto da nossa cobertura, mas sem destaque. "Foi um daqueles dias de revirar o estômago diante da televisão, ontem", escreveu Nélson de Sá. A nossa cobertura jornalística não indica isso. Se fosse o Garotinho...

O título do "Estado" é mais forte: "Moradores de rua são massacrados no centro". Na Folha, "Moradores de rua sofrem ataque em série".

Olimpíada

> Está errado o quadro "Um por todos", na seção "Politécnico" (pág. Especial 2). Se Phelps fosse um país, não seria o sexto colocado no quadro de medalhas, mas o 9º. E Thorpe, o 14º, e não o 12º.

Anúncio

O da página E3 de Ilustrada é daqueles que fogem do padrão, mas não interferem na leitura nem na diagramação da página. Quase que digo que é um anúncio elegante.

Ciência

Recebi, do editor de Ciência, Claudio Ângelo, via SR, o seguinte comentário:

"A Folha não subestimou, na minha avaliação, a notícia sobre a descoberta da cidadela de Gran Saposoa. Resolvemos investir nosso pouco espaço em um furo (a ação das famílias das vítimas de Alcântara) e em uma história importante (a nova droga contra malária), em vez de noticiar extensamente mais uma descoberta de ruína pré-incaica".

Na minha avaliação, a Folha subestimou.

Esporte

E do editor de Esporte, Melchíades Filho:

"A Folha noticiou, sim, que os EUA quebraram o recorde mundial do revezamento 4 x 200 m nado livre _em texto-legenda à pág. 4. Mas de fato faltou indicar o tempo da nova marca".

     
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