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02/09/2004
MARCELO BERABA
As manchetes dos principais jornais sobre a ação terrorista na Rússia estão muito parecidas: "Terror faz crianças reféns em escola russa" (Folha), "Crianças russas reféns do terror" ("Estado") e "Terror faz crianças reféns na Rússia" ("Globo").
"Estado" e "Globo" dividiram o alto de suas capas entre o noticiário sobre a Rússia e um segundo assunto:
"Estado": "Lula quer a criação do Tribunal Agrário";
"Globo": "BNDES oferecerá empréstimo especial a quem criar emprego".
As fotos são da Rússia e dos atletas olímpicos que retornam.
Gato e rato
A primeira carta do "Painel do Leitor" (A3) cita um pensamento do dirigente chinês Deng Xiaoping. Mas a ilustração parece ser de Mao Tse-tung.
Verde-amarelo
O jornal deveria ter explorado melhor a informação exclusiva que trouxe hoje na reportagem "Governo convida empresas para empreitada patriótica" (pág. A4 da Edição Nacional e A13 da Edição SP).
O box ("Um país que vai pra frente --Regime militar promoveu campanhas ufanistas") é óbvio demais como material de apoio.
Embora a campanha do governo petista remeta imediatamente para as iniciativas da ditadura militar, o assunto é mais complexo do que a Folha apresenta. O jornal poderia ter ouvido alguns especialistas na nossa história contemporânea, como historiadores, antropólogos e/ou comunicadores, que poderiam analisar a iniciativa. Quase todos os governos tentaram campanhas semelhantes. Por que não dão certo?
Eleições
> Acho que há um erro no texto sobre a pesquisa do Datafolha editada na pág. A7 ("PT visita 20% dos eleitores em São Paulo"). O texto diz que 16% dos moradores da zona norte receberam visitas de militantes petistas. Na arte está que foram 21%.
Fogo cruzado
Ao dividir o noticiário sobre a participação do ministro José Dirceu ontem na CNI, editando parte em "Brasil" ("Dirceu diz que PSDB não tem 'moral'") e parte em "Dinheiro" ("Dirceu pressiona por aprovação das PPPs"), a Folha tirou a força da cobertura. As palavras do ministro ficaram dispersas, assim como as reações das oposições.
"Globo", "Estado", e mesmo o "Valor", deram mais destaque e força ao noticiário.
Como o material não foi consolidado pela primeira página nem houve remissão em "Brasil" (procedimento que desapareceu do jornal) para o material de "Dinheiro", o leitor fica sem uma amarração, sem contextualização, sem edição.
A frase mais forte do ministro ("Vamos arrombar portas") está perdida e sem destaque.
Tribunal agrário
O "Estado" informa que o presidente Lula sugeriu ao presidente do STJ a criação de um tribunal agrário para julgar os conflitos no campo. A sugestão ocorreu no evento de ontem no STJ sobre lavagem de dinheiro. Não vi a informação no noticiário da Folha.
Cáucaso
> Achei confusa, e provavelmente contém erros, a arte "Principais atentados", que acompanha o noticiário sobre Ossétia do Norte na Edição Nacional (capa de "Mundo"). Os números referentes a alguns atentados não estão corretamente localizados nos mapas que formam a arte. Na Edição SP, os mapas foram retirados.
Embora a ocupação da escola com reféns seja uma iniciativa de rebeldes da Tchetchênia, o jornal deveria ter trazido mais informações sobre Ossétia do Norte. Poucos conhecem a divisão geográfica da Rússia e os conflitos internos de cada república e das regiões. Faltou informação.
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