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10/09/2004
MARCELO BERABA
Dia de manchetes fracas.
Folha: "Produção industrial cresce pelo 5º mês". Manchete de agenda: todo mês o IBGE divulga esta pesquisa. E não há novidade, como o próprio título da Folha informa: a produção industrial cresce há cinco meses. "Estado": "Governo cede para aprovar PPP".
"Globo": "TRE recua e veta só três candidatos condenados".
"Valor": "Governo desiste de reduzir já o PIS-Cofins dos bancos".
Eleição
Acho que o jornal continua a tratar mal o "discurso do medo" feito anteontem pela prefeita Marta Suplicy. Ontem, o assunto não mereceu destaque na primeira página. Hoje, a chamada na capa é fraca, tanto na Edição Nacional ("Marta e Serra acirram troca de acusações na campanha") como na Edição SP ("Marta diz que Serra a chama de 'dona' por machismo").
Acho que o que importa neste caso é saber por que a campanha petista decidiu abandonar o discurso Duda Mendonça e partiu para a ameaça de instabilidade política no caso de vitória do PSDB em SP.
Na minha opinião de observador distante, a campanha em SP sofreu esta semana uma mudança importantíssima, uma "inflexão", que ainda não foi completamente percebida pela Folha. Três fatos narrados pelo jornal me levam a esta conclusão:
- o "discurso do medo" de Marta Suplicy,
- a eleição de José Serra como alvo preferencial de Paulo Maluf (e a edição de hoje confirma, no texto "PT faz pacto com Maluf para atacar Serra", pág A7)
- e a eleição de José Serra como alvo preferencial de Luiza Erundina (reportagem na edição de ontem).
O que levou estes personagens a mudar de estratégia faltando menos de um mês para a eleição?
O jornal conta hoje detalhes da elaboração do discurso de Marta, conta bastidores do pacto com Maluf, mas não tem uma reportagem, ou uma análise, que amarre estes fatos e os explique para o leitor. Acho que esta foi a semana mais importante da campanha. Falta analisá-la.
Não consigo perceber como os "adendos" do marido da prefeita tornaram seu discurso de quarta-feira mais "sexy", como está no texto "Favre redigiu 'discurso do medo' contra Serra" (A5). O jornal poderia apontar para os leitores o que identificou de "sexy" no discurso.
O "Estado" tem reportagem de BSB que informa que Lula condenou a "tática de terrorismo eleitoral" e que, no Planalto, o discurso de Marta foi considerado "uma derrapada", um erro de campanha.
Muito bem feito o levantamento das pesquisas eleitorais nas capitais ("A disputa nas capitais", pág. A8). Ótimo serviço.
Cáucaso
Reclamei na quarta-feira, e volto a reclamar: mais uma vez o jornal não explica o que é o Cáucaso e onde se localiza. Deve achar que todo mundo sabe. Hoje, chega ao absurdo de publicar a arte "Povos do Cáucaso" (A12) com um mapa sem a cadeia de montanhas.
Pacto
O "Painel" informa, na nota "À francesa" (A4), que "causou espécie em Brasília a discreta nota oficial com que Paulo Skaf procurou desembarcar" da idéia do pacto Fiesp/CUT/governo, considerando-a agora "inadequada e inoportuna". Não vi a notícia no jornal. A proposta morreu? O jornal, que primeiro a noticiou, deveria esclarecer o que aconteceu depois da reunião no Planalto, noticiada pela Folha dia 8.
Acidente
Onde foram enterradas ontem as vítimas do acidente de ônibus ocorrido terça-feira em Paraíba do Sul? A nota "5.000 vão a velório de passageiros de ônibus" (pág. C3 da Ed. Nacional e C8 da Ed. SP) não informa.
Abin
> Nota na "Mônica Bergamo" ("Ponga", E2) informa que "anteontem" o novo diretor da Abin abriu as portas da agência para os jornalistas. Pelo que entendi lendo reportagem da Folha (A4) e de outros jornais, a visita foi ontem.
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