Ombudsman Folha   Folha Online
 
16/09/2004

MARCELO BERABA

Manchetes previsíveis:

Folha: "BC sobe juros e diz que é apenas o início";

"Globo": "BC sobe juros para 16,25% e já aponta novo aumento";

"Valor": "BC inicia ciclo de alta de juro com aumento de 0,25 ponto".

O "Estado" registrou a alta com destaque ("BC eleva juro em 0,25% e indica nova alta"), mas arriscou uma alternativa para a manchete: "Conta de doleiros é arma de chantagem política".

Outros assuntos comuns nas capas: aprovação da Lei de Biossegurança em comissões do Senado, aprovação de mudanças no Código Penal na Comissão de Constituição da Câmara, a detenção de PMs suspeitos de assassinar moradores de rua, eleições municipais e o enfrentamento Washington/Moscou.

No "Estado"

Duas informações importantes no "Estado" que não vi na Folha e que, sugiro, devem ser recuperadas:

"Gasto com cartão vira segredo de Estado".

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado rejeitou o parecer do senador Sérgio Cabral Filho que permitia o acesso aos gastos do governo federal com cartões de créditos corporativos usados por 39 servidores da Presidência. O Senado, segundo o jornal, deverá decidir agora a partir do voto do senador Aloízio Mercadante, do PT, que defende o sigilo destes dados.

É um caso típico de direito (constitucional) de acesso a informações públicas e acho que o jornal deveria acompanhar.

"CD-ROM vira arma de chantagem e pára Brasília".

"Relator investigou sobrenome da família, queixa-se Tasso".

"Até Armínio Fraga usou esquema de doleiros".

"Nunca vazei nenhuma informação, diz Mentor".

A existência do CD, a informação de que dados que deveriam ser mantidos em sigilo pela CPI do Banestado e pelo MP vazaram, e a denúncia de que estes dados poderiam estar servindo para chantagens, não são novidades. A própria Folha deu várias matérias e o Elio Gaspari tratou disso ontem ("Com vocês, o Big Companheiro").

O mérito do "Estado" é o de ter trazido mais detalhes e de ter mostrado como a formação destes bancos de dados continua a provocar desconfiança e crise política.

Este é um caso que não deve ficar esquecido.

Remissão

Várias comissões do Senado aprovaram ontem o texto da Lei de Biossegurança que pode ser votada hoje no plenário. A lei trata, entre outros temas, das pesquisas científicas com embriões e da liberação de transgênicos. O jornal optou por publicar o resultado das votações de ontem em editorias diferentes: embriões, em "Ciência"; transgênicos, em "Dinheiro". Talvez tenha razão, porque os assuntos puderam ser tratados com mais espaço e propriedade do que se estivessem numa mesma reportagem, como fizeram "Estado" e "Globo".

Mas o jornal deveria informar, em "Ciência", que a notícia sobre os transgênicos está em "Dinheiro".

O hábito de remeter para outras páginas e editorias desapareceu do jornal.

A inexistência de remissão confunde o leitor e empobrece a edição.

A chamada na primeira página, como está hoje, com ênfase quase que exclusivamente na questão dos transgênicos, não ajuda a entender a decisão sobre a clonagem terapêutica.

Nem sempre o jornal tem condições de fazer um editorial sobre um assunto que está em foco na própria edição, como é o caso hoje dos juros. A opinião do jornal ("Decisão equivocada") deveria ter merecido uma remissão em "Dinheiro", como orienta o "Manual" na página 97.

Juros

Qual foi a reação do ministro José Dirceu, e dos governistas que eram contra o aumento dos juros, à decisão do Copom? A Folha ouviu o ministro apenas antes do aumento.

Febem

Na reportagem "Após denúncias, diretor da Febem é afastado" (pág. C4 de "Cotidiano"), o diretor acusado, José Christiano Viana, não deveria ter sido ouvido? A Edição SP ainda informa que a editoria tentou ouvi-lo, mas na Edição Nacional, nem isso.

Bnei Sakhnin

> Está confuso, e provavelmente errado, o mapa que ilustra a reportagem "Tabelinha de árabes e judeus quer Europa", em Esporte, pág. D3. Que territórios delimitam as manchas amarela e marrom? Acho que misturam territórios de Israel com os da Palestina. Como está, a cidade de Bnei Sakhnin tanto pode estar em Israel como na Cisjordânia, não dá para saber.

     
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