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20/09/2004

MARCELO BERABA

"Veja" tem, neste final de semana, reportagem que deve permanecer na pauta nos próximos dias: "O escândalo da compra do PTB pelo PT. Saiu por 10 milhões de reais". As outras manchetes de domingo e de hoje: Folha: "Corrida eleitoral se estabiliza em SP" (dom.) e "Elite instruída leva 98% dos empregos" (2ª); "Estado": "Ajuste fiscal avança contra alta do juro" e "Novos cargos e reajuste de servidor custarão R$ 9,7 bi à União em 2005"; "Globo": "Bolsa Família vira moeda eleitoral no interior do RJ" e "Governo envia equipe ao Rio para investigar Bolsa Família"; "IstoÉ": "Fé para exportação"; "Época": "20 truques para turbinar sua memória"

"Eleições 2004"

A Folha saiu na frente e lançou no domingo seu caderno "Eleições 2004". O caderno dá mais visibilidade para as campanhas, e espaço para uma cobertura diversificada. Achei as edições de domingo e de hoje bem equilibradas no quesito espaço e crítica em relação aos dois candidatos que disputam a eleição paulistana, José Serra e Marta Suplicy. A edição de domingo está bem balanceada, com pesquisa ("Quadro eleitoral se estabiliza em SP"), análise ("PSDB e PT anunciam disputa inédita na capital"), personagens e o noticiário do dia. Achei muito boa a reportagem sobre a juventude dos candidatos ("Artistas quando jovens", pág. 8 do caderno especial).

Acho que faltaram, nas duas edições:

- mais informações sobre o quadro nacional. O noticiário/levantamento sobre as eleições nas principais cidades do interior do Estado me pareceu ok;

- informações, perfis, projeções, investigações, balanço sobre os candidatos a vereador de SP;

- análises das eleições em SP e outras cidades feitas por cientistas políticos e especialistas; é importante que o jornal traga análises diferentes desta eleição que vem adquirindo uma importância cada vez maior.

A capa de segunda é muito boa: "Alckmin dobra propaganda oficial na TV após início de horário eleitoral". Como o governo federal também está fazendo algo parecido, acho que a linha fina deveria ter sido dedicada à Marta/Lula, já que Alckmin está no título. O texto da reportagem e as artes têm a preocupação de mostrar que os dois candidatos e seus padrinhos têm estratégias semelhantes. O título e a linha fina deveriam ter tido a mesma preocupação. Sugiro levantamento semelhante no Rio, comparando as inserções dos governos federal, estadual e municipal. O "Globo" fez um levantamento de verbas, publicado na edição de domingo, mas não de inserções na TV.

Há um problema, tanto na edição de ontem como na de hoje: as reportagens sobre as administrações PT (municipal) e PSDB (estadual) estão saindo no caderno "Eleições" e em "Cotidiano". Hoje, temos o lixo, no caderno especial (Ed. SP), e dois assuntos relevantes para o acompanhamento dos eleitores (metrô e vagas escolares) em "Cotidiano". Sei que há uma limitação de espaço no caderno especial. Mas o jornal deveria encontrar uma forma (remissão, selo) que ajudasse o leitor a identificar as reportagens sobre as administrações que têm interesse para o seu posicionamento eleitoral.

O presidente Lula inaugurou no sábado um trecho da Radial Leste e o jornal contextualizou o ato, acertadamente, no ambiente eleitoral. Ainda na tarde de sábado, por causa das chuvas, a área foi alagada e várias casas foram invadidas por água e lama. Vários moradores protestaram. A impressão que fica é que foi mais uma destas obras inauguradas às pressas, às vésperas da eleição, como vem acontecendo em todas as cidades. Só que, neste caso, o presidente esteve presente fazendo campanha. O "Estado" noticiou o alagamento e a lama com destaque hoje, assim como o "Globo". A Folha fez uma referência ainda na edição do domingo, mas apenas uma referência. Não foi ao local, não avaliou o que ocorreu, não ouviu as pessoas, não questionou a obra. Na edição de hoje traz apenas um "outro lado" da prefeita, no pé da reportagem (pág. Esp. 2) sobre o dia de campanha ("Prefeita chama petistas para conquistarem votos de Serra").

> O PT conquistou a Prefeitura de SP em 1988 e 2000, e não em 2002, como está no segundo parágrafo de "PSDB e PT anunciam disputa inédita na capital" (pág. Esp. 5).

Nos concorrentes

O "Estado" está investindo, desde quinta-feira, na CPI do Banestado e nos seus infindáveis subprodutos policiais e políticos. No domingo, o jornal destinou três páginas para o assunto: "Empresário [Cecílio do Rego Almeida] enviou US$ 10 milhões sem avisar BC", "Opportunity não investiu sem aval de clientes, diz diretora" e "Cipriani, o homem que parou a CPI do Banestado". O "Globo" (e o "Estado", no domingo) vem investindo no Bolsa Família, primeiro pela constatação da falta de controle e, agora, pelo uso eleitoral. Foi a manchete do jornal do Rio ontem e hoje. "Estado" deu duas páginas para o assunto no domingo ("Bolsa-Família não tira crianças do trabalho", é o resumo) e foto em preto-e-branco na capa do jornal.

"Revista"

Ficou estranho a inserção de um anúncio do Pão de Açúcar com ofertas esportivas e convite para a Maratona Pão de Açúcar de Revezamento na seqüência da reportagem sobre corridas e maratonas de SP. Foi mera coincidência ou foi um anúncio programado? Gostaria de obter uma resposta da Redação.

Superávit

Esta crítica, mais uma vez, bobeou. Reclamei, na sexta-feira, que a Folha não havia tido a informação, veiculada naquele dia pelo "Globo" e pelo "Valor", de que o governo discutia proposta do Ministério da Fazenda de aumentar o superávit primário ainda em 2004 e, com isso, evitar aumentar a taxa de juros. A Folha já havia publicado a informação na quinta-feira, em reportagem do Kennedy Alencar: "Ministro trabalha nos bastidores para aumentar meta de superávit com o objetivo de atenuar elevação da Selic - Palocci quer esforço fiscal maior para travar alta dos juros".

     
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