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22/09/2004

MARCELO BERABA

A Folha dá destaque, na sua capa, para o aumento da taxa de juros para o consumidor, para as greves e para as relações internacionais. O "Estado" tem cardápio semelhante e destaca o pacote de incentivos fiscais baixado ontem pelo governo de SP. Tem ainda o levantamento de obras com indícios de irregularidades feito pelo TCU. "Globo" tem juros e ONU, mas dá maior destaque para investimentos no Rio, segundo levantamento do governo federal.

As manchetes:
Folha: "Consumidor paga maior taxa de juros desde abril";
"Estado": "Lula diz na ONU que fracasso contra pobreza compromete a paz";
"Globo": "Projetos de empresas para o Rio chegam a US$ 6,8 bi";
"Valor": "SP reduz alíquota de ICMS e amplia a guerra fiscal".

Brasil e EUA

A proposta brasileira que está nos jornais desde anteontem, e que tem recebido críticas dos EUA, é a do combate à pobreza. Por isso, o título "EUA dizem que proposta brasileira é 'mistificação'" causa confusão. O título deveria ter explicitado que se trata da proposta sobre direitos intelectuais.

"Painel do Leitor"

O jornal publica hoje seis cartas no "Painel do Leitor" (A3). A rigor, apenas uma pode ser classificada como "colaboração" de leitor. As outras, atendem ao direito de resposta (as quatro primeiras, todas imensas), e uma aponta um erro do jornal.

A questão não é nova: o jornal precisa encontrar espaço para manter a contribuição diária de leitores, sem prejuízo da edição de contestações a reportagens publicadas.

Guerra fiscal

A Folha apenas registrou o novo pacote do governo do Estado que reduz as alíquotas de ICMS de vários setores da economia. O texto ("SP reduz o ICMS para estimular a produção", pág. B6 de "Dinheiro") explica o objetivo das medidas, mas não contextualiza o momento em que a decisão é tomada nem dá ênfase à guerra fiscal, como fazem "Estado" e "Valor".

A Folha anunciou sábado o pacote ("Governador de SP nega prática de guerra fiscal") dentro de um contexto de enfrentamento com os Estados do Centro-Oeste. Goiás anunciara na quinta medidas de retaliação econômica porque o governo paulista não aceita, desde junho, os benefícios fiscais concedidos por outros Estados. Este fator foi agora ignorado na pequena reportagem da Folha.

O caso merecia um tratamento melhor, e isto fica evidente na leitura do "Estado", que já havia dado manchete ontem ("Guerra fiscal já custou R$ 8 bi a SP") e hoje mantém o destaque com três reportagens e uma avaliação feita com especialistas (pág. A7). Este também é o principal assunto do "Valor".

O Rio Grande do Sul aprovou ontem, no Legislativo, um pacote de incentivos fiscais.

Aparentemente, a "guerra fiscal", que parecia adormecida, está de volta, apesar da negativa do governador Alckmin registrada pela Folha.

"Eleições 2004"

A abertura do texto "Eleição em Boa Vista só tem 1º turno" (pág. Especial 2) parece release da campanha eleitoral de Tereza Jucá.

Reportagem no caderno especial informa que o "Planalto indica PTB para filiações pós-eleição" e que três governadores já foram convidados para trocar seus atuais partidos pelo PTB. O "Painel" informa, no entanto, que a revelação do acordo PT/PTB pela "Veja" pode fazer o Planalto "eleger outra sigla-satélite para inflar" (nota "Barbas de molho").

"Estado"

O concorrente está melhor que a Folha (em volume de informações e aprofundamento) nos assuntos que elegeu como prioridades:
- Lula na ONU (a Folha se distingue pela análise "Discurso não traz resultados";
- "TCU aponta irregularidades graves em 70 obras";
- Guerra fiscal;
- Viagem eleitoral de Lula a SP.

A Folha debate a greve dos servidores da Justiça ("Polêmica"), mas não tem a informação de que o presidente do TJ anunciou ontem que demitirá os funcionários que não voltarem hoje ao trabalho.

Não vi na Folha o levantamento feito pelo governo de investimentos previstos para este ano. É a manchete do "Globo" e está no "Estado" ("Governo espera investimentos de 56,5 bi").

"Mônica Bergamo"

A coluna traz nota ("Ponto final") com as mesmas informações que estão na pág. A6 de Brasil: "Supremo decide hoje se foro privilegiado será ampliado".

     
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