Como tem sido marca nos últimos dias, a Folha privilegia em manchete declarações ou posicionamentos do Taleban, como se precisasse se confrontar com a tendência oposta (igualmente negativa) que se vê nos concorrentes. As capas dos jornais hoje o mostram com clareza: Folha: "Bin Laden sumiu, diz Taleban"; "Estado": "Os EUA dizem que o Taleban mente"; "Globo": "EUA conquistam aliados e iniciam cerco ao Talibã"; "JB": "EUA duvidam do 'sumiço' de Bin Laden". No fim de semana, destaque para o caderno especial da Folha sobre o Islã e para a curiosa revelação, trazida pela "Veja" e recuperada pelos jornais hoje, de que um dos irmãos de Bin Laden é cônsul honorário do Brasil em cidade saudita.
11 de setembro (fim de semana) 1) Com exceção daquela publicada à pág. Especial 4 de hoje (segunda-feira), muito interessante, por sinal, as reportagens provenientes do enviado especial ao Paquistão publicadas no sábado e no domingo não trouxeram o chamado "sabor local" (impressões de rua, depoimentos, descrições inusitadas etc). Mais pareciam despachos de agências de notícias. Em contraste com isso estão, além do mencionado texto de hoje, a reportagem "'Bin Laden não é terrorista', diz slogan", enviado de Delahore (sábado, Especial 3), e "Notícias de uma guerra particular" (domingo, Especial 10). Especificidades são o que justifica a presença de um correspondente, promovendo um diferencial. O jornal, creio, deveria dar atenção especial a isso; 2) Detalhe: a retranca "OEA aprova atuação conjunta contra o terrorismo" (sábado, Especial 6) não informa onde ocorreu a reunião da instituição; 3) A reportagem "Lei internacional não impede retaliação, dizem analistas" (domingo, Especial 4) tem pauta interessante. Deixa de colocar, porém, uma questão básica: como fica essa avaliação no caso de não haver (como até agora) provas de verdadeiro envolvimento do Afeganistão? Ao não colocar essa dúvida, o texto cai numa análise abstrata, embora válida; 4) Persiste um desafio: qual é, numericamente, o contingente de militares já deslocado pelos EUA para o "teatro de operações"?; 5) Faltou mapa no texto "Grupo anti-Taleban relata avanço" (hoje, Especial 3), que menciona várias cidades; 6) Na reportagem "EUA confirmam queda de avião-espião" (hoje, Especial 3), mostram-se as características desse avião, mas não os equipamentos que ele carrega para fazer a espionagem; 7) O texto "EUA levam serviço secreto para SP" (Especial 6, hoje) traz algumas imprecisões. O Serviço Secreto não é um departamento à parte; ele faz parte do Departamento do Tesouro. Embora o faça, por "cortesia" e alguma tradição, não está entre suas funções principais, como diz o texto, "proteger o presidente e sua família", mas sim combater a falsificação de moedas. FBI e CIA não são vinculados diretamente à Casa Branca, como o texto dá a entender. O primeiro é ao secretário da Justiça; a segunda, ao Conselho de Segurança Nacional; 8) Detalhe de edição: deveriam estar editados conjuntamente os dois textos que falam da possibilidade de um retorno ao poder do rei exilado do Afeganistão (Especial 7 e Especial 8, hoje). Ambos trazem, registre-se, informações diferentes. O primeiro diz que o rei se diz pronto a reassumir. O segundo mostra como isso é improvável, até pela idade do personagem (86 anos); 9) Pequeno reparo em relação ao caderno "Todos os mundos do Islã" (domingo): faltou explicar o que é o mulá, título atribuído, por exemplo, ao chefe do Taleban; 10) Chamo atenção para anúncio publicado ao pé da página C4 (sábado), sobre brasileiros mortos em NY. Vale, creio, pautar algo; 11) No texto "Escombros começam a cheirar mal" (sábado, Especial 4), especialistas afirmam que "...levaremos entre 180 dias e seis meses para tirar todo o entulho...". Não é a mesma coisa? 12) A legenda da pág. Especial 8 trata como oficial um militar que certamente é um "corporate", ou cabo. A verificar.
Lavagem e Maluf Não deu para entender o motivo pelo qual o jornal publicou a reportagem "Suíça pune bancários ligados à lavagem" (Brasil, A6, sábado). Traz informação de 1991, sem qualquer gancho. Se o jornal tivesse publicado algum material "quente" sobre o ex-prefeito Paulo Maluf, por exemplo, como fizeram no sábado o "Estado" (sobre o caso Jersey) e o "Globo", mostrando incrível frase discriminatória pronunciada por Maluf na sexta-feira, essa retranca faria sentido, como apoio.
Cuidado Creio que o caso do deputado Damião Feliciano, acusado de tentativa de extorsão na CPI das obras inacabadas, merece bem mais cuidado, com destaque especial para o "outro lado" do parlamentar ("Oposição pede inquérito contra deputado", Brasil, sábado, pág. A7).
Didatismo 1) Apesar de perceptível esforço nesse sentido, ficou difícil entender a relação entre uma coisa e a outra , em "Compulsório dos depósitos a prazo sobe e disfarça aumento de juros" (capa de Dinheiro, sábado); 2) A coluna Luis Nassif (sábado) menciona uma tal "PEC da saúde". O que é PEC? O leitor comum certamente não sabe; 3) Faltaram a idade e a nacionalidade do economista Herbert Ungerer, entrevistado de destaque na pág. A4 (domingo); 4) Faltaram a idade e o "zoom" na "Entrevista de 2a" com o presidente da Petrobrás. Se há um modelo de edição de entrevista diferenciado para as segundas-feiras, por que o jornal não o aplica?
Iniciais A polêmica é velha. Por que o jornal não publica o nome inteiro da mulher de 33 anos responsável por expor quatro meninas à prostituição ("Quatro meninas são presas por prostituição no norte de Minas", C6, sábado)? Acho um equívoco, neste caso. Faltou, no mínimo, uma explicação.
Acusado de quê? O texto "Gaeco apresenta denúncia contra ex-deputado" (C8, sábado) não diz por que Hanna Garib foi cassado. Quem não acompanha o caso não entende o motivo pelo qual ele teria tentado corromper testemunhas (objeto do texto).
Edição As páginas C9 e C10 (edição SP) trazem, em versões de tamanho diferentes, a mesma reportagem ("PM e jornaleiro são mortos em assalto em SP").
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