Com exceção do "JB" ("Brasil paga caro por atentados"), os principais jornais abriram hoje com a ofensiva "financeira" dos EUA. Folha: "Bush bloqueia bens de 27 suspeitos"; "Estado": "Bush começa a bloquear dinheiro do terror"; "Globo": "Bush congela bens do terror e ameaça bancos". O segundo destaque foram a queda do dólar e o desempenho positivo das Bolsas ontem.
11 de setembro 1) Achei um equívoco a Primeira Página não trazer nada a respeito do anúncio feito pela Rússia de abertura de espaço aéreo para aviões norte-americanos e de apoio concreto aos oposicionistas do Afeganistão no combate ao Taleban. Não por acaso, o "New York Times" coloca a decisão em manchete na edição de hoje. Da mesma forma, na página interna (Especial 6), creio que seria mais adequada uma inversão, abrindo com essa notícia e não com o discurso do Vaticano admitindo retaliação violenta. As duas notícias são, evidentemente, relevantes, mas houve, creio subestimação no caso da Rússia; 2) Didatismo: faltou na reportagem "Taleban ameaça 'incendiar' EUA" (pág. Especial 2) remissão para o mapa da Especial 4. Seria uma forma de facilitar a vida do leitor; 3) O texto "Bin Laden 'alerta' contra cruzadas" (Especial 2) começa cauteloso, dando de modo condicional a informação de que o fax contendo a mensagem teria sido escrito pelo terrorista saudita. A partir do quarto parágrafo, no entanto, o tom muda, e se utilizam afirmações como "...disse Bin Laden", "...Bin Laden diz" etc. Dessa forma, o leitor pode ficar confuso. Se não há certeza absoluta de que o documento é de Laden, o correto seria manter o condicional até o fim do texto; 4) Posso estar enganado, mas tenho a impressão de que a ofensiva militar norte-americana, na prática, já começou. Não no deslocamento de militares, o qual não caracteriza agressão em si, mas por intermédio do apoio e da ação concreta da chamada Aliança do Norte, que parece ter avançado significativamente nos últimos dias. Não vale um comentário? 5) Chamo a atenção para a transcrição, feita pelo "Valor" hoje, de trechos da entrevista concedida por Bin Laden à ABCNews e divulgada em 1998. Apesar de ser daquele ano, é válida a reprodução agora, pois pouca gente lhe deu atenção. As palavras do terrorista são cristalinas. Mostram detalhadamente o seu "programa de ação"; 6) Sobre as investigações dos atentados, é interessante a retranca do "Globo" informando detalhes contidos na caixa-preta do avião que caiu na Pensilvânia; 7) Ciência (pág. A10) traz texto curioso sobre o uso de raios laser nas operações de resgate nos escombros do WTC. Deveria ter sido feita ao menos remissão para o caderno especial e vice-versa.
Ora o Manual... O "Manual da Redação" (pág. 217) afirma que, "ao publicar pesquisa de opinião, é fundamental que seja relatada a metodologia empregada". Não é o que acontece no caso de "Melhora avaliação de congressistas" (Brasil, pág. A4). Fala-se da margem de erro do levantamento, mas só.
Didatismo Na reportagem "Justiça mantém quebra de sigilo de Maluf" (Brasil, pág. A6), há uma citação de um juiz, introduzida no texto supostamente para tornar clara a sua posição. Ela diz: "A materialidade das provas, no caso sua vinda aos autos, é que reclama toda a delicadeza no que concerne à observância do contraditório". Deu para entender?
Marcação A Panorâmica "Luiz Estevão é acusado de remessa ilegal" (Brasil, pág. A6) noticia que a denúncia é "...assinada por três procuradores da República, entre os quais Luiz Francisco de Souza". Por que essa diferenciação, essa menção exclusiva a esse procurador? Não há motivo.
Machismo? Tudo bem que o nome de Stanley Fischer ficou marcado entre jornalistas e leitores de noticiário de economia durante anos como vice do FMI, mas isso não justifica o título "No 2 do FMI sugere subir os juros para frear dólar caro" (Dinheiro, pág. B3) para se referir a declarações da nova vice, Anne Krueger. Ela não fala pelo FMI?
Foto no ar A foto gelada de um avião da Varig parado com o Pão de Açúcar atrás (Dinheiro, pág. B5) não tem sentido a não ser para preencher espaço. Inexiste relação entre ela e a reportagem, a não ser pelo fato de ambas "falarem" de avião. Fotos como essa, com jeitão de arquivo, pegam mal num jornal como a Folha.
PT versus administração Um detalhe sobre a interessante reportagem de capa de Cotidiano ("Plano Diretor prevê reindustrialização de SP"): não se trata de um "Plano Diretor petista", como diz o lide. Administração é uma coisa, partido é outra. O secretário do Planejamento Urbano, Jorge Wilheim, nem sequer é filiado ao PT.
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