Talvez por não ter nenhuma notícia de fato relevante (veja comentário abaixo), a Folha foi o único dos principais jornais a não dar manchete hoje para o 11 de setembro. Optou por privilegiar previsão do FMI ("FMI vê os EUA mais perto da recessão"), importante, sem dúvida, mas anterior aos atentados. Os demais deram manchetes da seguinte forma: "Estado": "EUA e Paquistão já detalham ataque"; "JB": "Refugiados afegãos já passam dos 2 milhões"; "Globo": "Inimigos se aproximam e afegãos fogem do país".
11 de setembro 1) É sintomático que a manchete de hoje não esteja na "nova guerra" e que a chamada principal para o assunto, na Primeira Página, seja um texto que tem mais de análise do que de notícia. Na verdade, o caderno especial, na edição de hoje, carece de notícias; 2) Como se pode notar com uma leitura dos concorrentes, principalmente do "Estado", a Folha deve material noticioso sobre o que está acontecendo no Afeganistão. Segundo relato do correspondente do concorrente, baseado aparentemente em depoimentos de refugiados afegãos e na imprensa paquistanesa, a situação interna naquele país parece estar extremamente tumultuada, com crescente dificuldade para o Taleban de dar conta de seu conjunto. Pode-se dizer que a edição do concorrente tem um viés, talvez, pró-americano, mas o mais importante, considerando inclusive material de outras publicações estrangeiras ali apenas reproduzidos, é que a Folha nada traz, além da manifestação, incentivada pelo Taleban, contra a embaixada dos EUA vazia, sobre essas modificações internas (o "Globo" também publica algo, reproduzindo texto do "Washington Post"); 3) Também falta no jornal informação sobre o acordo de ofensiva antiterror fechado entre EUA e o Paquistão. O texto "Paquistão só apóia ação contra terroristas" (Especial 1) afirma que não foram dados detalhes. Reportagem no concorrente, porém, traz alguns detalhes (definição de alvos, por exemplo); 4) No material sobre a ação militar (páginas centrais do caderno especial), senti falta de esclarecimento (confirmando ou não) a respeito de informação divulgada pelo "Sunday Times" de que algumas forças da SAS britânica já estariam em atividade, numa operação denominada Veritas. É verdade mesmo? Acho que o leitor da Folha deveria estar informado a respeito; 5) Não vi na Folha informação de que agora chega a 100 o número de suspeitos que o FBI pede para o Brasil investigar.
Outro lado Faltou a "defesa" de Jader e Borges no texto "Depósitos ligam fraudador da Sudam a Jader" (Brasil, pág. A4).
Didatismo Ao falar dos anos 70, o box "Declarações são ataque gratuito, afirma Tuma" (Brasil, pág. A4) diz que se trata de um "período em que os militares reprimiram a esquerda revolucionária". Não foi bem assim. Reprimidos foram os opositores do regime militar, fossem ou não da esquerda revolucionária, certo?
E os bancos? Na reportagem de capa de Dinheiro, senti falta da avaliação que os bancos fazem a respeito do "cerco" que o BC estaria montando para dificultar operações com câmbio e abaixar o dólar. Há uma retranca na qual comentam de forma "neutra" as consequências práticas, mas não há opinião. Eles acharam ruim? Tanto faz? Gostaram?
Joalheria Dois aspectos chamam a atenção no texto "Ladrões engolem anéis em joalheria de SP" (Cotidiano, pág. C4): 1) não se informa ao leitor em que rua do centro da cidade o estabelecimento fica; 2) afirma-se que os dois ladrões homens vestiam trajes sociais, como terno e camisa. Nas fotos publicadas pelo "Agora" e pelo "JT", não há ternos, apenas camisas, e que não parecem sociais. A verificar.
Orçamento do PT Aparentemente não batem os números do quadro "Os gastos de 27% do orçamento de SP" (Cotidiano, pág. C7). Se o total do orçamento é de R$ 9,5 bi, como está ali, 27% não são R$ 3.180 mi, mas sim R$ 2.565 mi. Outro detalhe: na entrevista, Marta fala que o orçamento será de R$ 9 bi, não R$ 9,5 bi. O jornal, talvez entre colchetes, deveria esclarecer.
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