Após um fim de semana sem notícias de relevo significativo, o Taleban, como se planejasse "surpreender" no início de uma nova semana útil, volta a ocupar as manchetes: Folha: "Taleban agora diz que Bin Laden está sob sua proteção"; "Estado": "Taleban diz que esconde Bin Laden"; "Globo": "Talibã admite estar com Bin Laden sob proteção". Curioso: ao menos nas edições disponíveis na internet, quatro grandes jornais norte-americanos ("NYT", "USA Today", "Washington Post" e "Chicago Tribune") não deram nenhum destaque hoje para essa afirmação. O "JB", hoje, dá manchete para caso interessante sobre Jader Barbalho: "MP descobre conta de Jader em paraíso fiscal".
11 de setembro (fim de semana)
1) Há duas instâncias nas quais repousam importantes expectativas neste momento, do ponto de vista político e diplomático: a ONU e o Congresso norte-americano. A primeira discute a ação dos países em relação à "nova guerra" de Bush, e precisa definir claramente, entre outras coisas, o que é terrorismo. Os parlamentares dos EUA estão às voltas com a discussão sobre os limites a serem atribuídos à restrição de liberdades civis para a ação de seu governo. O jornal informa que essas discussões existem, mas não traz, concretamente, como estão as relações de força nos dois fóruns, quais são os argumentos e as tendências. Uma coisa é trazer o posicionamento de entidades tradicionalmente defensoras dos direitos humanos e civis, como a Folha, corretamente, faz hoje na pág. A12; outra coisa é obter os "bastidores" da diplomacia e da política interna dos EUA, desafio bem maior;
2) Outro item: além dos números oficias de mortos/desaparecidos, como está o trabalho de retirada de escombros e resgate de corpos? Como ficou a questão, bem levantada pela Folha, por exemplo, semana passada, sobre o "mau cheiro" dos escombros? E no Pentágono? Creio que, neste fim de semana, faltaram elementos de reportagens "diretas" em NY e Washington. O "Estado", por exemplo, reproduz no domingo texto de comportamento do "Times" segundo o qual solitários e pessoas independentes, diante do terror, aumentaram a procura por companhia (bares de solteiros lotados etc);
3) Detalhe: mais uma vez a Folha publica um mapa grafando com "k" o nome da cidade de Candahar (pág. A13, sábado). Contraria o "Manual";
4) Detalhe: a legenda da foto à pág. A11 (segunda) fala que é de 309 o número oficial de mortos no WTC. Já o texto ao lado dela ("Giuliani diz que NY está 'aberta para os negócios'") fala em 314. Qual é o certo?;
5) Vale registrar que o jornal britânico "Sunday Times" tem revelado interessante cobertura sobre a "nova guerra". Adiantou, por exemplo, semana passada, que já havia tropas britânicas agindo dentro do Afeganistão. Em texto traduzido hoje no "Estado", mostra como há também mercenários atuando afoitos em busca de Bin Laden;
6) Sobre o perfil deste último, aliás, destaque para foto que a "Veja" publicou com vários membros da família, com Osama no meio, adolescente, nos anos 70;
7) A Folha continua frágil na cobertura da mídia. A discussão nos EUA sobre a liberdade de atuação está correndo solta. O jornal não tem mostrado o assunto devidamente aos seus leitores;
8) Dinheiro traz no domingo interessante dossiê sobre a relação Estado/economia a partir dos atentados. Nesse material, creio que faltou um glossário, para explicar coisas como lógica keynesiana, Adam Smith, Keynes, New Deal, Grande Depressão etc;
9) Uma observação: no sétimo parágrafo do texto "Todo mundo deve ser afetado pela sucessão de crises" (B12), há uma formulação infeliz ("As vendas de supermercados, empresas têxteis e fabricantes de eletrodomésticos devem crescer muito pouco, estagnar ou cair"). É uma afirmação que não leva a nenhuma conclusão.
Já discordam? A retranca "PSDB e PFL já discordam sobre nome que vai encabeçar chapa em 2002" (Brasil, pág. A8, sábado) soa estranha. Na verdade, até o momento nunca houve acordo entre esses partidos sobre a candidatura governista ao Planalto.
Números O texto "Terror faz Embraer cortar 1.800 funcionários" (Dinheiro, B4, sábado) afirma que a empresa reduziu para 160 a previsão de entrega de aeronaves neste ano. Já na arte, a nova meta é de 185. Qual é o certo?
Garantir O texto "MEC tenta fechar acordo com servidor..."(Cotidiano, C4, sábado) afirma que "...os sindicatos garantem que a retenção...". O verbo garantir, nessa acepção, não deve ser utilizado pelo jornal, conforme o "Manual".
Plano Diretor A retranca "Para urbanistas, desapropriação é a saída" (Cotidiano, C3, domingo) menciona que, na opinião de especialistas, o novo Plano Diretor da cidade deveria contemplar a questão da falta de espaço para a construção de escolas (tema central da reportagem). Mas o que diz o Plano, adiantado pela Folha na semana passada, a esse respeito? Se não diz nada, seria o caso de registrá-lo. E vice-versa.
Tasso no BEC 1) O título e o texto da chamada "Gestão de Tasso em banco sofre ação na Justiça" (Primeira Página, segunda) estão equivocados. Eles dão a entender que o governador do CE dirigia o banco estadual (em 95/98) quando este teria cometido irregularidades. Na verdade, o presidente era outro (amigo dele, claro), sendo Tasso o governador. Sua responsabilidade, portanto, é de outra ordem; 2) Nessa reportagem, aliás, à pág. A4, faltou um "outro lado" para uma afirmação feita dentro da retranca "outro lado". Trata-se de acusação feita por Tasso ao presidente da Assembléia Legislativa do CE, Welington Landin, sobre outras supostas irregularidades;
3) Detalhe: na mesma retranca, Monteiro de Alencar é classificado como "ex-presidente do BEC na gestão 1995-98". Na verdade, ele era, então, presidente do BEC, não "ex".
Recorde versus marca Texto-legenda à pág. D8 (Esporte) afirma que atleta japonesa bateu recorde em maratona. Até onde sei, em maratonas não se batem recordes. Atinge-se, sim, a melhor marca. É um detalhe, mas importante para quem acompanha esse tipo de prova. A verificar.
Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.