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02/10/2001

BERNARDO AJZENBERG

A iminência de um ataque norte-americano ao Afeganistão é o tema das manchetes da Folha ("Ataque parece próximo, diz Paquistão"), "Estado" ("Para o Paquistão, dias do Taleban estão contados") e do "JB" ("Regime talibã entra em agonia"). Na mesma linha do "New York Times", o "Globo" opta por privilegiar a notícia de um acordo provisório no Congresso dos EUA quanto à legislação antiterror ("Acordo entre partidos amplia a vigilância policial nos EUA").

11 de setembro
1) A legenda da foto principal da Primeira Página não informa onde ocorreu o acontecimento a que se refere (atentado suicida). Dá a entender, inclusive, que foi no Paquistão, quando, na verdade, conforme a chamada abaixo da dobra, foi na Índia;
2) A retranca "48% das vítimas são estrangeiras" (pág. A12) informa que, do total, 450 "desaparecidos" são da Índia e do Paquistão. Não seria o caso de o jornal ouvir parentes dessas vítimas em seu país de origem, principalmente no Paquistão?
3) Registro para a interessante reportagem "Falta de sobreviventes 'estressa' cães" (pág. A12), sobre a divisão K-9. Creio ser um bom exemplo de reportagem "in loco";
4) Não vi na Folha a informação, divulgada pela NBC e reproduzida no "Globo" e no "Estado", de que Bin Laden teria telefonado à mãe dois dias antes dos atentados, avisando-a de que algo extraordinário iria acontecer e que ele sumiria "por um bom tempo";
5) Senti falta também, na imprensa de modo geral, da notícia, trazida pelo jornal "Haaretz", de que a jornalista britânica detida pelo Taleban seria não só mulher de um agente do Mossad mas também, ela própria, agente da inteligência britânica. Informação interessante, ainda mais tendo sido veiculada por um jornal israelense.

Jader
A retranca "STF nega segunda liminar a Jader" (Brasil, pág. A4) afirma que Fernando de Castro Ribeiro é o "terceiro suplente" do senador paraense. Ele é, na verdade, o segundo suplente, certo? Não há três suplentes por vaga no Senado.

A saúde de Dirceu
Menciona-se em "Dirceu critica Serviço Secreto dos EUA no país" (Brasil, pág. A5) que o deputado do PT se recupera de "problemas cardíacos". Faltaram detalhes. Que problemas? E, nesse caso, o registro da idade do presidente do PT era necessário.

Indícios versus evidências
Ciência traz o título "Novos indícios apontam o local do Dilúvio" (pág. A8). Na sobrelinha e no texto, porém, usa-se a palavra "evidências". Esta última é bem mais contundente (sugere uma certeza) do que a usada no título (só em termos jurídicos indício significa prova circunstancial), o qual, digamos, atenua o impacto da própria notícia. Tudo pode não passar de uma questão mais simples: "indícios" ocupa menos espaço, em título, do que "evidências". Mas, de todo modo, são sentidos diferentes.

Balança comercial
1) O quadro "O acumulado neste ano", dentro da arte sobre balança comercial na capa de Dinheiro, traz duas barras cuja diferença de tamanhos certamente não reflete a dos números que deveriam representar (44,374 versus 43,121). A barra de importação está bem menor do que deveria estar;
2) A Panorâmica "BC aponta que mercado espera juros estáveis" (Dinheiro, pág. B2) afirma que a previsão da balança comercial para o ano agora é de saldo zero. Posso estar enganado, mas a própria reportagem de capa do caderno indica com clareza que o saldo será bem superior a isso, estando o acumulado do ano em US$ 1,25 bi. A verificar.

Embraer
1) Com exceção da foto e de um único depoimento ao pé do texto, o tratamento dado pelo jornal às 1.800 demissões na Embraer (Dinheiro, pág. B4) é frio, não-condizente com o drama que o fato significa --não só para os demitidos e seus familiares mas também para a cidade de São José dos Campos. Não creio que a edição SP devesse fazer como a Folha Vale, que, corretamente, deu capa e vários depoimentos, mas houve excessiva redução de material;
2) O texto ("Frustrada tentativa de parar Embraer; ação cai 8%") afirma que as demissões foram reflexo da crise na aviação provocada pelo terrorismo nos EUA. Pode ser, mas é precipitado o jornal assumir essa versão sem aspas ou sem, pelo menos, atribuí-la à empresa;
3) Por falar em aviação, há interessante reportagem no "Valor" a respeito de investigação que a Polícia Federal deverá fazer sobre suposto suborno envolvendo a Vasp.

Outro lado
Falta a versão do governo federal na reportagem "Regulamentação de liga em decreto gera decepção em clubes" (Esporte, pág. D2). Um dirigente do Gama afirma que o governo não teve uma "postura séria" e que só quis "fazer política".

     
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